Cem anos do clássico Flamengo x Botafogo – post 2 de 2: Jogos

14 maio 2013 | 1 comentário

Relembre 10 jogos marcantes no primeiro século do confronto.

Botafogo 3×0 Flamengo, 1962
(Imagens do Canal 100, edição francesa, genialidade de Garrincha)
Meses depois de ter sido o herói da conquista da Copa pela Seleção no Chile Garrincha comandou o massacre imposto ao rival na decisão do Carioca de 1962, que valeu o bicampeonato ao alvinegro. Garrincha fez dois gols e criou a jogada do outro, marcado contra pelo rubro-negro Vanderlei. Dali em diante a carreira do Mané entrou em declínio por conta dos problemas de joelho e esse jogo é considerado como seu último grande momento.

Botafogo 6×0 Flamengo, 1972
(As imagens se perderam, mas os botafoguenses podem curtir fotos e narrações do massacre de 72)
O jogo foi disputado no feriado de 15 de novembro, data em que o Flamengo comemora seu aniversário. Não poderia ter recebido pior presente. Um verdadeiro chocolate comandado por Jairzinho, que fez gol até de calcanhar. Ao longo da década a lembrança desse massacre foi a grande alegria alvinegra para compensar a falta de títulos.

Botafogo 1×0 Flamengo, 1979
(Renato Sá, a melhor solução para derrubar invictos nos anos 70)
Entre 1977 e 1978 o Botafogo estabeleceu o recorde de invencibilidade do futebol brasileiro, ficando 52 jogos sem perder até a derrota de 3×0 para o Grêmio, que teve como destaque Renato Sá, que marcou dois gols. Em 1979 o Flamengo empatou a série de 52 jogos e enfrentaria justamente o Botafogo no que poderia ser o 53º jogo invicto, superando o rival. Mas o Botafogo estragou a festa rubro-negra, vencendo por 1×0 com gol de, acredite, Renato Sá, o demolidor de invencibilidades.

Botafogo 3×1 Flamengo, 1981
(O dia em que Mendonça e cia. derrubaram os campeões do Brasil)
O Flamengo era o atual campeão brasileiro, tetracampeão da Taça Guanabara, tinha conquistado três dos últimos quatro Cariocas e era fornecedor constante de jogadores para a Seleção. O Botafogo já vivia a 13ª temporada de um jejum de títulos que chegaria a 21 anos e não se pode dizer que tinha um elenco sequer parecido com o do rival. Mas nas quartas-de-final do Brasileiro de 1981 o camisa 10 que brilhou foi Mendonça, e não Zico, que comandou a vitória de virada marcando dois gols, um deles com drible desconcertante sobre Júnior.

Flamengo 6×0 Botafogo, 1981
(Vingados! Nem um a mais nem um a menos, tinha que ser seis)
Durante quase nove anos a torcida do Botafogo levou para o Maracanã uma faixa com os dizeres “Flamengo, nós gostamos de vo6” em alusão a goleada aplicada em 15/11/1972. Até o dia em que os rubro-negros conseguiram a vingança. Ao contrário do que é normal em clássico a vantagem construída não fazia diminuir a intensidade do jogo. Depois do quinto gol, marcado aos 30 do segundo tempo, para o Botafogo perder por 5×1 era vitória e para o Flamengo seis era mais que sete. O gol da vingança foi marcado por Andrade, camisa 6, aos 42 do segundo tempo (4+2 = 6). Foi a primeira vez que jogaram juntos os onze jogadores que entraram para a história como o maior Flamengo de todos os tempos: Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Tita, Nunes e Lico. Por contusões, suspensões, chances para Figueredo na zaga e Vítor no meio, entre outras razões, essa escalação só se repetiu mais três vezes.

Botafogo 1×0 Flamengo, 1989
(Acabou o jejum! Salve a camisa 7 do Botafogo!)
“Um, dois, três… vinte, vinte e um! Parabéns para você…”. A torcida do Botafogo não aguentava mais o jejum e as provocações. A libertação do jejum de 21 anos veio no dia 21 de junho de 1989, com gol de Maurício, camisa 7, em cruzamento de Mazolinha, camisa 14 (7 + 14 = 21), no 21º jogo de uma campanha invicta. Curiosamente o Botafogo estava há mais de 3 anos sem vencer um clássico, tendo empatado todos os sete anteriormente disputados naquele Carioca.

Flamengo 2×2 Botafogo, 1992
(A única decisão de Brasileiro entre os rivais foi vencida pelo Flamengo, que massacrou no primeiro jogo e festejou no segundo)
O mais importante confronto da história foi a decisão do Brasileiro de 1992. No primeiro jogo, massacre rubro-negro e vitória por 3×0. Durante a semana, um churrasco na casa do alvinegro Renato com a presença do rubro-negro Gaúcho causou o banimento do atacante gaúcho do Botafogo. No dia da decisão, com 122.001 pagantes, público nunca mais repetido no futebol brasileiro, o fato mais marcante foi a queda do alambrado que resultou na morte de três pessoas e ferimentos em muitas outras. O Botafogo não foi capaz da virada improvável e o placar de 2×2 valeu pelo golaço de falta de Júnior, craque do campeonato e, surpreendente para a posição e a idade, artilheiro do campeão.

Botafogo 1×0 Flamengo, 1997
(O clássico contra o Flamengo foi apenas um compromisso a mais, cumprido pelos reservas, na firme marcha alvinegra rumo ao título da Taça Guanabara de 2008)
A Taça Guanabara de 1997 previa, ao contrário do que era normal naqueles tempos, uma decisão entre os dois melhores colocados. Depois de disputadas as 11 rodadas faltava um jogo entre o Botafogo, que tinha vencido todos os seus jogos e já tinha garantido a primeira colocação de forma antecipada, e o Flamengo, que só precisava empatar com os reservas do rival, que poupou seus titulares para a grande decisão. Mas os reservas mantiveram o pique dos titulares e a sequencia de vitórias. Renato Carioca marcou logo no começo do jogo, Romário e cia. não conseguiram superar a defesa botafoguense e o rubro-negro viveu uma noite que ficou marcada como uma das grandes vergonhas de sua história. O Botafogo venceu a decisão, que acabou sendo contra o Vasco, e conquistou a Taça Guanabara com 100% de aproveitamento nos 12 jogos disputados.

Flamengo 2×1 Botafogo, 2008
(Não teve choro nem vela, o Flamengo venceu a Taça Guanabara de 2008)
Na decisão da Taça Guanabara o Botafogo saiu na frente no primeiro tempo e o Flamengo empatou no começo do segundo tempo em um pênalti daqueles que causam polêmica para todo sempre. A camisa do rubro-negro Fábio Luciano foi puxada, mas pênalti em confusão na área não é coisa que se marque sempre. A indignação alvinegra foi um pouco exagerada e o volante Túlio chegou a pedir (não foi atendido) para sair por estar fora de si e sem condições de continuar jogando. Os ânimos arrefeceram, o jogo seguiu e parecia que a Taça Guanabara seria decidida nos pênaltis. Mas Tardelli, nos descontos, bateu de chapa, colocando um efeito suficiente para tirar a bola dos braços (curtos) de Castillo e garantir a vitória e o título. O sentimento de impotência do Botafogo causou mais tristeza que revolta e acabou por gerar a manifestação coletiva que entrou para a história como chororô, quando o técnico Cuca e o presidente Bebeto de Freitas, com o elenco ao fundo, de olhos marejados, fizeram discursos piegas e desconexos, expondo sentimentos de perseguição e descrença “em tudo isso que está aí”. Pensavam que daria solidariedade. Deu piada.

Botafogo 2×1 Flamengo, 2010
(A vingança alvinegra pelos pés gringos de Herrera e Loco Abreu)
Depois de três anos seguidos de derrotas em decisões de Cariocas, com direito a duas derrotas em decisões de turno e o episódio do chororô lembrado acima, o Botafogo estava com o Flamengo entalado. E a maior prova da crença dos botafoguenses que a decisão da Taça Rio de 2010 (que para o Botafogo poderia valer como decisão do campeonato) era o momento de vencer foi a grande presença da torcida, que praticamente dividiu o Maracanã com a torcida do Flamengo, ao contrário dos confrontos anteriores. E o título veio com uma vitória por 2×1, com dois gols de pênalti, um deles com a famosa paradinha de Loco Abreu, e direito à defesa de Jefferson em pênalti cobrado por Adriano.

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Cem anos do clássico Flamengo x Botafogo – post 1 de 2: Jogadores

13 maio 2013 | deixe seu comentário (0)

Se 2012 foi ano do centenário do Fla-Flu, 2013 é ano do centenário de outro clássico carioca, Flamengo x Botafogo.

Desde finais do século XIX os jovens dos bairros vizinhos se enfrentavam em disputas esportivas. A rivalidade entre os times de futebol do Clube de Regatas do Flamengo e Botafogo Futebol Clube repetiria a rivalidade existente entre os remadores do Flamengo, clube que havia recém criado o departamento de futebol, e do Grupo de Regatas Botafogo, posteriormente renomeado como Clube de Regatas Botafogo, que viria a se fundir com o time de futebol em 1942, dando origem ao Botafogo de Futebol e Regatas.

O primeiro confronto futebolístico foi em 13 de maio de 1913, em General Severiano, com vitória dos mandantes alvinegros por 1×0, gol de Mimi. Desde então, dependendo da estatística, são 354 ou 345 jogos, com 126 ou 123 vitórias do Flamengo, 118 ou 116 empates e 110 ou 106 vitórias do Botafogo.

Relembre agora situações de 10 jogadores que passaram pelos dois lados da rivalidade.
(amanhã confira a lista do Blog de 10 jogos que marcaram a história desse primeiro século de rivalidade.)

Zagallo: único jogador a conquistar uma Copa do Mundo como representante do Flamengo (1958) e outra como representante do Botafogo (1962). Um dos maiores personagens do futebol brasileiro, muito identificado com a Seleção e com os dois rivais, locais onde conquistou muitos títulos como jogador e treinador. Começou nas divisões de base do América, mas começou sua carreira profissional na Gávea, onde fez parte do time tricampeão carioca de 1953, 1954 e 1955. Depois do título mundial de 1958 se transferiu para o rival, passando a integrar um esquadrão, com Didi, Garrincha e Nilton Santos e conquistando o bicampeonato de 1961 e 1962.

Garrincha: o maior ídolo da história do Botafogo perambulou por vários clubes no fim da carreira, entre elas o Flamengo, de novembro de 1968 a abril de 1969, só 20 jogos e 4 gols, nenhum jogo contra o ex clube, euforia na chegada e melancolia na saída.

Gérson: revelado na Gávea, foi escalado para marcar Garrincha na decisão do Carioca de 1962. Levou um baile, perdeu prestígio e acabou, pouco tempo depois, se transferindo para General Severiano, onde foi bicampeão carioca em 1967 e 1968.

PC Caju: entre os 15 jogadores que passaram pelos quatro grandes do Rio nenhum teve tanto destaque quanto o canhoto Paulo Cézar. Formado no Botafogo, onde jogava quando fez parte da seleção tricampeã em 1970. O Flamengo foi o segundo clube de sua carreira, de onde saiu para o Olympique de Marseille após a Copa de 1974. Campeão carioca em 1967 e 1968 pelo alvinegro e em 1972 e 1974 pelo rubro-negro.

Vítor: a maior revelação surgida na Gávea logo após os primeiros grandes títulos da geração de ouro do final dos anos 70 e início dos 80, chegou a ameaçar a titularidade de Andrade e ser convocado pela Seleção, mas não teve o destaque que parecia que teria. A melhor fase de sua carreira foi quando fez parte do time que tirou o Botafogo da fila em 1989, e seu gol mais famoso foi o terceiro do empate de 3×3 contra o Flamengo, em jogo que o Botafogo chegou a estar perdendo por 3×1.

Gonçalves: nesse mesmo 3×3 de 1989 a reação alvinegra começou com um gol contra do rubro-negro Gonçalves no final do segundo tempo. Assim como aconteceu com Gérson, guardadas as devidas proporções, ficou marcado, perdeu prestígio e acabou indo para o rival, onde se destacou, conquistou títulos e chegou à Seleção.

Renato Gaúcho: o gaúcho mais carioca do Brasil foi a grande aposta de Emil Pinheiro para reforçar o Botafogo, que já era bicampeão carioca de 1989 e 1990, para tentar o título brasileiro. Renato fez muitos gols, foi e voltou do Grêmio em um empréstimo relâmpago, era figurinha carimbada na Seleção de Parreira, mas faltava alguma coisa para ser ídolo. A decisão do Brasileiro de 1992 contra o ex-clube parecia ser uma grande oportunidade. Mas levou um drible desconcertante de Júnior, viu seu time levar um chocolate de 3×0 e ainda teve o mau gosto de promover um churrasco o amigo (e centroavante do rival) Gaúcho, com presença da imprensa nos dias seguintes do massacre. A torcida não perdoou, pediu a cabeça de Renato e foi atendida. Dias depois Renato viu, pela TV, seu time empatar com o Flamengo em 2×2, confirmando a perda do título brasileiro.

Beto: foi o primeiro jogador das divisões de base do Botafogo a conseguir destaque depois de décadas de ostracismo, fazendo parte do time campeão brasileiro de 1995. Convocado pela Seleção, foi o autor do gol do título pré-olímpico de 1996, na Argentina, contra a Argentina. Tanto destaque levou Beto para o Napoli, onde não deu certo. Voltou ao Brail, passou pelo Gremio, mas foi no Flamengo onde voltou a jogar bom futebol. Foi tricampeão carioca em 1999, 2000 e 2001, com uma breve saída para o São Paulo em 2000. Depois de sair do Flamengo passou por inúmeros clubes, entre eles os outros grandes do Rio, mas nunca chegou a ter o mesmo destaque. Destaque mesmo para seu apelido, Beto Cachaça.

Iranildo: assim como Beto, se destacou no Botafogo campeão brasileiro de 1995. Mas pertencia ao Madureira e, antes que o Botafogo percebesse, já tinha sido vendido ao rival da Gávea. Jovem, magro, baixinho, sempre foi visto como uma aposta para o futuro que, como reserva de luxo, dava suas colaborações dando belos passes para gols de Romário na campanha do título carioca de 1996. Mas o futuro, a força física e os centímetros a mais nunca chegaram, Iranildo passou a ser cada vez mais discreto, rodou por vários clubes, inclusive com retornos ao Flamengo e ao Botafogo. Mas teve seu momento no clássico, marcando um dos gols da vitória por 2×0 do Flamengo sobre o Botafogo na reta final do Brasileiro de 2002, em jogo curiosamente disputado no feriado de finados, resultado decisivo para salvar o Flamengo do rebaixamento e rebaixar o Botafogo.

Reinaldo: centroavante de boa técnica revelado pelo Flamengo no fim dos anos 90, participou, nem sempre como titular, da conquista do tricampeonato de 1999, 2000 e 2001. Como tantos jogadores revelados na base rubro-negra, teve mais destaque ao sair da Gávea. Saída polêmica, diga-se de passagem. Foi, com Adriano, trocado por Vampeta com o Inter de Milão. Mas foi imediatamente repassado ao Paris Saint Geramain, que o emprestou ao São Paulo. Rodou pelo mundo e parou no Botafogo em 2009. Formou uma dupla de ataque de destaque com Maicosuel. E foi personagem de uma situação bizarra que prova que, de fato, há coisas que só acontecem ao Botafogo. No primeiro jogo da decisão do Carioca daquele ano sentiu uma contusão muscular no mesmo lance que seu companheiro de ataque. Sem seus dois principais jogadores o alvinegro cedeu o empate naquele jogo, empatou novamente no segundo jogo e perdeu o título, o terceiro seguido para o rival, na disputa de pênaltis.

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Acostumado com decisões locais e diante de público pequeno, Botafogo campeão carioca de 2013

06 maio 2013 | deixe seu comentário (0)

A festa é do Botafogo, campeão da Taça Rio pela 7ª vez e do Carioca pela 20ª, com destaques para Seedorf, o primeiro holandês campeão carioca, e Oswaldo de Oliveira, que é do Rio, já treinou os quatro grandes daqui, tem títulos de todos os tipos no currículo mas nunca tinha conquistado o estadual na sua terra natal.

O título alvinegro é uma demonstração de força local nas últimas temporadas. E as arquibancadas do estádio de Volta Redonda, que não estavam lotadas, é uma demonstração da falta que o Maracanã faz ao futebol carioca. Vejamos:

Nas últimas oito temporadas o Botafogo foi finalista em sete delas (só ficou fora em 2011) e campeão em três (2006, 2010 e 2013). Nesse período foram quatro conquistas de Taça Guanabara (2006, 2009, 2010 e 2013) e cinco conquistas de Taça Rio (2007, 2008, 2010, 2012 e 2013). Falta agora dar o passo adiante e conseguir bons resultados no âmbito nacional.

Os 12.485 pagantes que presenciaram o título alvinegro significam o menor público em uma decisão desde a inauguração do Maracanã. Houve dois jogos de títulos com públicos menores, nas conquistas vascaínas em 1992 e 1998, mas nos dois casos o jogo do título não foi uma decisão. Veja a lista dos menores públicos em jogos decisivos de Cariocas:

Bangu 0×1 Vasco, 1998, Moça Bonita, 1.266 pagantes. (jogo de meio de campeonato)
Vasco 1×0 Bangu, 1992, São Januário, 11.255 pagantes. (jogo de meio de campeonato)
Botafogo 1×0 Fluminense, 2013, Raulino de Oliveira, 12.485 pagantes. (final do 2º turno, somente o Botafogo poderia ser campeão carioca)
Botafogo 1×0 Vasco, 1997, Maracanã, 16.854 pagantes. (2º jogo da final do campeonato, somente o Botafogo poderia ser campeão carioca)

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Decisões de Taça Rio entre Flu e Bota

03 maio 2013 | deixe seu comentário (0)

Neste domingo Fluminense e Botafogo decidem a Taça Rio 2013. Na prática o clássico vovô pode ser considerado o primeiro jogo da decisão, já que um dos dois será o campeão necessariamente enfrentando o outro, tendo o Botafogo a possibilidade de ser campeão com um ou três jogos, enquanto o Fluminense precisa vencer o primeiro jogo para depois vencer uma série de dois jogos decisivos.

Criada em 1978 e disputada regularmente desde 1982, com exceção das temporadas de 1994 e 1995, a Taça Rio sempre valeu como 2º turno do Carioca, exceto em 2003, quando foi entregue ao Vasco como melhor time da fase semifinal daquele campeonato em que não houve 2º turno.

Flamengo e Vasco, com 9 conquistas cada, lideram a lista de títulos. O Botafogo, atual campeão, conquistou 6 vezes, sendo 4 nos últimos 6 anos, enquanto o Fluminense conquistou apenas em 1990 e 2005.

Será a terceira decisão de Taça Rio entre Fluminense e Botafogo. Relembre as duas anteriores:

Em 1997 o Botafogo também foi campeão da Taça Guanabara em decisão contra o Vasco e enfrentou o Fluminense na decisão da Taça Rio, dependendo apenas de um empate. A diferença é que naquele ano o campeonato teria obrigatoriamente um terceiro turno e vencer Taça Guanabara e Taça Rio não garantia o título. Mesmo sem possibilidade de ser campeão antecipado o Glorioso do capitão Gonçalves, comandado por Joel Santana, manteve a motivação, segurou o 0×0 contra o Tricolor na última rodada e conquistou sua 2ª Taça Rio. Depois de confusões de calendário, com paralisação do campeonato a pedido de Eurico Miranda em função da quantidade de jogadores cedidos às seleções principal, para Copa América, e sub-20, para Mundial, o Vasco venceu o 3º turno, mas o Botafogo, com gol de Dimba, conquistou o Carioca, que só terminou depois de iniciado o Brasileiro.

Ficha técnica: Botafogo 0 X 0 Fluminense, 4 de maio de 1997.
Local: Maracanã.
Árbitro: Carlos Elias Pimentel.
Público: 80.916 pagantes.
Botafogo: Wagner, Wilson Goiano (Bruno Carvalho), Jorge Luiz, Gonçalves e Jefferson; Marcelinho Paulista, Pingo, Djair e Aílton; Bentinho, Sorato (Dimba). Técnico: Joel Santana.
Fluminense: Adílson, Ronald (Luiz Henrique), Vágner, Márcio Costa e Jorge Luiz; Paulo Roberto, Cadu, Yan (Roger) e Nildo (Marcelo); Alcindo e Roni. Técnico: Valdyr Espinosa.

Em 2008 Botafogo e Fluminense decidiram a Taça Rio e o direito de decidir o Carioca contra o Flamengo, campeão da Taça Guanabara. O Fluminense dividia as atenções com sua participação na Libertadores, onde tinha feito melhor campanha na 1ª fase e iria iniciar o mata-mata na Colômbia contra o Nacional dali a dez dias. O Botafogo de Cuca lutava contra o estigma de timaço perdedor, criado nas campanhas infrutíferas do belo time de 2007 (Carioca, Copa do Brasil, Sulamericana e Brasileiro) e no episódio do chororô pós derrota na decisão da Taça Guanabara alguns meses antes. O jogo foi equilibrado, preso, “com cara de final”, vencido pelos alvinegros com gol do zagueiro Renato Silva no final do jogo, quando todos imaginavam que a decisão seria nos pênaltis. A curiosidade é que Renato Silva havia sido banido do Tricolor do ano anterior após ter sido flagrado no exame doping por uso de maconha. O Botafogo não se arrependeu de ter acolhido o jogador na fase mais difícil de sua carreira. Na decisão do Carioca o Botafogo acabou perdendo o título para o Flamengo, na segunda de três derrotas seguidas para o rival em decisões de Carioca. O Flu seguiu bem na Libertadores, mas sucumbiu à altitude de Quito,ao futebol do LDU e à catimba do goleiro Cevallos, terminando como vice-campeão da América.

Ficha técnica: Botafogo 0 X 0 Fluminense, 20 de abril de 2008.
Local: Maracanã.
Árbitro: William de Souza Nery.
Público: 64.785 pagantes.
Gol: Renato Silva, 39min. do 2º tempo.
Botafogo: Castillo, Renato Silva, Andre Luis e Triguinho (Túlio Souza); Alessandro,
Diguinho, Túlio (Leandro Guerreiro), Lucio Flavio e Zé Carlos (Fábio);
Jorge Henrique e Wellington Paulista. Técnico: Cuca.
Fluminense: Fernando Henrique, Gabriel, Thiago Silva, Luiz Alberto e Junior Cesar; Ygor
(Tartá), Arouca, Conca e Thiago Neves; Cícero e Washington. Técnico: Renato Gaúcho.

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Decisões de Carioca – pequeno contra grande e campeão da Taça GB contra o resto

24 abril 2013 | deixe seu comentário (0)

Encerrada a fase de classificação do Carioca, o título está entre o Fluminense, campeão carioca e brasileiro do ano passado, e o Botafogo, campeão da Taça Guanabara desse ano, já que ninguém acredita em Volta Redonda nem em Resende.

O Botafogo, aparentemente, está com o título nas mãos, já que pode ser campeão conquistando a Taça Rio com dois empates, na semifinal contra o Resende e na final, provavelmente, contra o Fluminense, ou ainda ser campeão na decisão, provavelmente também, contra o Fluminense, quando jogará por dois empates nos dois jogos (mas uma vitória para cada time por igual diferença de gols leva a decisão para os pênaltis, bizarrice do regulamento já abordada no blog).

Todas essas probabilidades se baseiam, também, na história, vejamos.

1. Conquista de turno por times pequenos.

Contando todas as Taças Guanabara, Taças Rio e Terceiros Turnos, inclusive as Taças Guanabara disputadas à parte dos campeonatos, foram apenas 4 conquistas em 82 oportunidades: Americano campeão da Taça Guanabara e da Taça Rio, enfrentando times mistos e reservas dos quatro grandes no confuso Carioca de 2002 (tão confuso que foi campeão dos dois turnos mas não foi campeão carioca), Volta Redonda campeão da Taça Guanabara de 2005 em decisão contra o Americano e Madureira campeão da Taça Rio de 2006 em decisão contra o Americano.

Ou seja, nunca um pequeno foi campeão de turno enfrentando um grande na decisão. Portanto, ou Volta Redonda e Resende vencem as semifinais ou o pequeno que, eventualmente, vencer a semifinal precisará quebrar esse tabu para ser campeão do turno e ir à decisão do campeonato.

2. Desempenho do campeão da Taça Guanabara nas finais da Taça Rio.

A atual edição do Carioca é a 10ª no modelo de semifinal e final de cada turno. Nas nove anteriores os campeões da Taça Guanabara têm sabido aproveitar a vantagem de chegar à reta final do campeonato com duas chances de ser campeão ao contrário dos demais adversários que só têm uma.

Em 2004, 2006, 2007 e 2012 o campeão da Taça Guanabara (Flamengo, Botafogo, Flamengo e Fluminense) sequer se classificou para as finais da Taça Rio, mas foi campeão carioca contra o campeão da Taça Rio.

Em 2005 o campeão da Taça Guanabara, o Volta Redonda, perdeu a semifinal da Taça Rio para o Flamengo e a final do carioca para o Fluminense.

Em 2008 o campeão da Taça Guanabara, o Flamengo, perdeu a semifinal da Taça Rio para o Botafogo mas venceu a final do carioca contra o mesmo Botafogo.

Em 2009 o campeão da Taça Guanabara, o Botafogo, perdeu a final da Taça Rio e a final do carioca para o Flamengo.

Em 2010 e 2011 o campeão da Taça Guanabara (Botafogo e Flamengo) também ganhou a Taça Rio e foi campeão carioca sem necessidade de decisão.

Resumindo: o campeão da Taça Guanabara, nas nove edições disputadas no atual modelo, só não foi campeão carioca em 2005, quando era um pequeno, e em 2009, quando o Botafogo conseguiu perder duas decisões seguidas contra o Flamengo.

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