Pausa para férias do blogueiro

29 agosto 2012 | deixe seu comentário (0)

O blog não será atualizado nas próximas três semanas, mas espero, na volta, trazer alguma história interessante para dividir com vocês.

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Túlio, um ídolo alvinegro. Mas sem essa de gol mil…

29 agosto 2012 | 1 comentário

O Botafogo fez festa para lançar o projeto “Túlio a 1.000, sete gols de solidariedade”, o que não deixa de ser uma forma de validar a conta (ou falta de conta) do artilheiro, que garante que vai chegar ao milésimo gol. Por isso cabe aqui distinguirmos. Túlio foi um ótimo jogador e importantíssimo na história do Botafogo. Mas essa história de gol mil é uma balela.

Porque Túlio é ídolo?

Chegou ao clube em um momento de recuperação, de retomada do orgulho e do investimento e da volta à General Severiano. Foi artilheiro do primeiro campeonato que disputou pelo Glorioso, o Carioca de 1994. Rivalizou no espaço midiático com Romário, melhor jogador do mundo à época e estrela do centenário do maior rival dos alvinegros. Comandou o time na campanha do maior título do clube, o Brasileiro de 1995, fazendo, inclusive, o gol do título. Fez tudo isso em apenas duas temporadas, e depois foi e voltou algumas vezes, sem nunca repetir o desempenho, mas já tinha lugar na história do clube e no coração da torcida.

Porque mil gols é balela?

Pelé fez 1.282 gols a partir do momento em que virou profissional, mesmo que a conta considere 50 gols pela seleção do exército e em jogos festivos, o Rei fez 1.091 gols pelo Santos, 77 pela Seleção e 64 pelo Cosmos, o que são números absolutamente incríveis e muito acima de qualquer outro jogador. E o principal. Pelé jogou profissionalmente pelo Santos dos 16 aos 33 anos e depois de um breve intervalo jogou mais dois anos pelo Cosmos. Pelé não ficou se arrastando até depois dos 40 anos em busca do tal milésimo gol.

Romário, o único jogador profissional que se tem notícia, além de Pelé, que computou mil ou mais gols, fez 904 em jogos profissionais e outros 98 em jogos festivos e de categorias de base. Por mais que se questione que o Baixinho não fez mil gols, pois só os gols em jogos profissionais deveriam contar, temos de reconhecer que ele fez 1.002 gols, entre jogos profissionais, de categorias de base e jogos festivos, e há uma lista com data, adversário e número de gols, lista essa já checada por diversos jornalistas e pesquisadores.

A lista de Túlio não tem todas as datas e adversários para se checar. Os clubes em que Túlio jogou não corroboram sua lista. O Globo Esporte fez um levantamento em 2011 para checar os, à época, alegados 952 gols do centroavante. Checando com os clubes, encontrou 516. Túlio contabiliza gols em jogos-treinos, do tipo que se joga sem uniforme, sem limite de substituição, sem que necessariamente tenha sido disputado em 90 minutos, muitas vezes apitado por alguém da comissão técnica.

Independente da polêmica contagem, Túlio é gol. Relembre alguns.

Veja Túlio brilhando contra a Portuguesa em 1995

Veja Túlio brilhando contra o São Paulo em 1995

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Nelson Rodrigues, frasista centenário

23 agosto 2012 | deixe seu comentário (0)

Em homenagem ao centenário do nascimento de Nelson Rodrigues, que se comemora neste 23 de agosto, selecionamos algumas de suas frases marcantes, que podem até ilustrar situações do futebol, mesmo sem terem sido ditas nesse contexto. E colocamos alguns episódios da história do futebol que se encaixam perfeitamente com as frases escolhidas. Também selecionamos frases marcantes sobre o futebol em geral, sobre o Fluminense, seu time de coração, e sobre o Flamengo, fenômeno social cuja relevância não escapou das análises grandiloquentes de Nelson.

FRASES MARCANTES:

“Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.”
Era unânime que Romário deveria ter ido à Copa de 2002. Só Felipão não compartilhava dessa ideia. Não levou Romário e voltou com o penta. E com a razão.

“O dinheiro compra até o amor verdadeiro.”
Que o digam os jogadores quando chegam a um novo clube, fazendo questão de beijar o escudo e mandar um beijo para o pai ou o avô ou até um tio “que sempre foi Time Tal e deve estar muito feliz agora”. Amor eterno enquanto dura… o contrato e o pagamento em dia.

“A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.”
No primeiro jogo da Seleção no Maracanã depois do título de 1958, um amistoso contra a Inglaterra, o Brasil entrou em campo com Julinho Botelho no lugar de Garrincha. A torcida carioca vaiou intensamente não a presença do ponta paulista, mas a ausência de Mané. Julinho começou tímido mas foi ganhando confiança e dobrando a torcida, transformando uma vaia de mais de 100.000 pessoas em aplausos entusiasmados.

FUTEBOL:

“Não há bola no mundo que seja indiferente a Zizinho.”

“Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos.”

“Um Garrincha transcende todos os padrões de julgamento. Estou certo de que o próprio Juízo Final há de sentir-se incompetente para opinar sobre o nosso Mané.”

FLUMINENSE:

“Se o Fluminense jogasse no céu, eu morreria para vê-lo jogar.”

“Eu vos digo que o melhor time é o Fluminense. E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos.”

“Nas situações de rotina, um pó-de-arroz pode ficar em casa abanando-se com a Revista do Rádio. Mas quando o Fluminense precisa de número, acontece o suave milagre: os tricolores vivos, doentes e mortos aparecem. Os vivos saem de suas casas, os doentes de suas camas e os mortos de suas tumbas.”

FLAMENGO:

“Cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante, por um dia.”

“Se Euclides da Cunha fosse vivo teria preferido o Flamengo a Canudos para contar a história do povo brasileiro.”

“Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo a camisa é tudo. Já tem acontecido várias vezes o seguinte:- quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas, tremem, então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará à camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável.”

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Zico, Romário e Geovani, os jogadores mais caros dos anos 80

17 agosto 2012 | deixe seu comentário (0)

Recentemente o São Paulo fechou a venda de Lucas para o Paris Saint Germain por 45 milhões de euros, no maior negócio já envolvendo um clube brasileiro. Desde os anos 90 que São Paulo e Cruzeiro têm se destacado como os clubes que conseguem os maiores valores nas negociações de seus jogadores. Mas houve um tempo que esse papel era exercido por clubes cariocas. O Blog relembra as três vendas de jogadores que bateram o recorde de preço ao longo dos anos 80.

Em 1983, depois de anos resistindo à propostas do Milan, Flamengo e Zico fecharam a transferência do Galinho para o futebol italiano, mas para o pequeno Udinese, que pagou U$ 4 milhões para ter um craque internacional no comando de uma equipe de alto nível que estava sendo montada. Um jornalista local resumiu o sentimento dizendo que “Para nós, friulanos, Zico tem o mesmo significado de um motor da Ferrari colocado dentro de um fusca. Sentimo-nos os únicos no mundo a possuir um carro tão maravilhoso e absurdo”. Depois de uma primeira temporada animadora, faltaram peças na engrenagem, o segundo ano não foi tão bom e Zico voltou ao Flamengo em 1985, um ano antes do término do contrato com o time italiano. Mas a passagem foi marcante, a ponto de na primeira temporada mesas redondas terem sido integralmente dedicadas às cobranças de falta de Zico.

Matéria da Revista Veja em 1983 sobre a venda de Zico para a Udinese

Em 1988 o recorde foi batido com a venda de Romário do Vasco para o PSV Eindhoven da Holanda, por U$ 6 milhões. O Baixinho chegou a um clube campeão europeu, no país da seleção campeã europeia e terra dos craques da moda naquele momento, o trio holandês do Milan (Gullit, Van Basten e Rijkaard). Mesmo assim deu importante contribuição ao desenvolvimento do futebol holandês e do PSV, marcando inúmeros golaços e conquistando títulos locais nos cinco anos em que lá esteve até 1993, quando se transferiu para o Barcelona e viveu a melhor temporada de sua carreira.

Matéria da Revista Placar em 1988 sobre a despedida de Romário do Vasco

Mas nem todo craque objeto de negociação recorde se manteve no topo. Em 1989 outro jogador criado em São Januário foi protagonista de negociação recorde. O Vasco vendeu Geovani para o Bologna da Itália por U$ 8 milhões. Mas o meia cerebral não se adaptou ao futebol italiano, o Bologna não era nenhum esquadrão, o investimento não deu retorno e Geovani foi vendido ao obscuro Kalsruche da Alemanha na temporada seguinte. Depois de mais uma temporada frustrante, o jogador voltou a São Januário, ainda a tempo de participar com algum protagonismo do forte time do começo dos anos 90, mas a carreira dele nunca mais teve o mesmo destaque.

Vale lembrar que os valores citados não foram atualizados e que os números relativos a transferências de jogadores vêm crescendo de forma geométrica nas últimas décadas, tanto que os valores necessários para contratar Zico ou Romário nos aos 80 hoje em dia mal daria para contratar um jogador mediano.

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Decisão olímpica e decisão contra o México, os tabus antes do ouro

11 agosto 2012 | 1 comentário

Neste sábado a Seleção Brasileira disputou, contra o México, sua terceira decisão no futebol olímpico masculino, na já célebre saga em busca do “último título que falta ao futebol brasileiro”. Lembramos aqui as outras decisões olímpicas e outras decisões contra o México. Veja que, para conquistar o ouro, Neymar e companhia precisariam superar dois tabus.

Decisões olímpicas:

Em 11/08/1984, exatos 28 anos antes da decisão dos Jogos de Londres, no Rose Bowl em que a Seleção conquistaria o tetra dez anos depois, uma seleção formada de improviso pelo time do Inter-RS e alguns reservas de outros times grandes, perdeu para a França por 2×0.

Clique e relembre como foi Brasil 0×2 França, em 1984.

No dia 1º/10/1988, no estádio Olímpico de Seul, que não recebeu jogos na Copa de 2002, uma seleção bem mais preparada que a de quatro anos antes, perdeu para a União Soviética por 2×1, com o gol da vitória soviética marcado na prorrogação.

Clique e relembre como foi Brasil 1×2 União Soviética, em 1988.

Decisões contra o México:

A primeira decisão foi nos Jogos Panamericanos da Cidade do México, em 1975. O jogo retrata um pouco como o futebol sempre foi negligenciado em Panamericanos e Olimpíadas. Brasil e México empataram em 1×1 e estavam jogando a prorrogação quando houve duas paralisações, por invasão de campo e falta de luz. Na escuridão foi decidido que o jogo não recomeçaria e o título foi dividido, na única decisão que o Brasil não perdeu.

A Copa Ouro é o torneio continental da CONCACAF e o Brasil já participou, como convidado, algumas vezes. Em 1996, nos Estados Unidos, fomos com a seleção olímpica e chegamos à decisão, contra a seleção principal do México. A derrota por 2 a 0, com gols dos veteranos Blanco e Luís Garcia em falhas da zaga ilustrou a diferença entre um time principal e um time olímpico, para delírio dos milhares de imigrantes, descendentes e turistas que lotaram o Coliseu de Los Angeles.

A Copa das Confederações já foi disputada de 2 em 2 anos e sem necessariamente ter como sede o país da Copa do Mundo vindoura. Em 1999 o México recebeu a competição e teve o sabor de chegar a decisão, contra o Brasil, e ganhar. O famoso pacote completo para qualquer anfitrião de evento futebolístico. No Azteca, onde ganhamos o tri em 1970, o, para variar, time olímpico brasileiro perdeu por 4×3 para o time principal mexicano em jogo cheio de viradas.

Em 2003, mais uma vez, o Brasil participou, como convidado, com time olímpico, da Copa Ouro disputada no México e chegou a final contra os anfitriões. Mais uma vez no Azteca o México venceu. Dessa vez foi 1 x 0, na terceira vitória mexicana em sete anos nos mesmos moldes, time principal contra time olímpico, com os mexicanos vencendo para delírio da torcida.

Ainda houve a decisão do Mundial sub-17 de 2005, disputado na grama sintética do Peru, em que perdemos por 3×0, com grande destaque para o mexicano-brasileiro Giovanni dos Santos, que está nas Olimpíadas, mas não poderá jogar. Do lado brasileiro o lateral Marcelo esteve naquela decisão e estará em campo na decisão olímpica.

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