Roberto, Dinamite há 40 anos

29 novembro 2011 | deixe seu comentário (0)

O Vasco passou um longo período, de 1958 a 1970, sem conquistar o título carioca. E esse jejum transformou o clube de São Januário em uma verdadeira panela de pressão, com jogadores e técnicos contratados a peso de ouro e dispensados na primeira falha, sem merecerem muita paciência da torcida e dos dirigentes. O título carioca de 1970 acalmou as coisas na Colina, o que tornou mais natural a promoção dos jogadores da base para o profissional. Entre esses jogadores estava um centroavante chamado Roberto.
Roberto estreou nos profissionais na 1ª fase do Brasileiro de 1971, entrando no meio de uma derrota para o Bahia em Salvador. A partir da 2ª fase o “garôto-dinamite”, apelido dado pelo Jornal dos Sports, passou a ser escalado como titular. A primeira curiosidade é a grafia da palavra garoto, que tinha acento naquela época. E a segunda é que o Cor-de-rosa já chamava Roberto de Dinamite antes mesmo do célebre jogo contra o Inter, em 25 de novembro, pela 2ª rodada da 2ª fase do Brasileiro de 1971, quando o centroavante fez um golaço de fora da área e a manchete do dia seguinte transformou adjetivo em sobrenome. Aquele foi o primeiro dos 189 gols que Dinamite marcou em Brasileiros, sendo até hoje, 40 anos depois, o maior artilheiro do campeonato.

A manchete do Jornal dos Sports que transformou adjetivo em sobrenome

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Lembranças de Maurício Neves da transmissão da decisão (incompleta) do Módulo Amarelo

24 novembro 2011 | deixe seu comentário (0)

Mais uma vez divido com vocês as lembranças do amigo Maurício Neves despertadas pelo último post, sobre o gol contra do Zé do Carmo e, claro, sobre o Brasileiro de 1987.

Sobre o gol contra do Zé do Carmo: “Esse gol contra do Zé do Carmo foi alucinante: de peixinho e com o cocoruto.”

Sobre o Brasileiro de 1987: “Quanto à final do módulo amarelo que não acabou, minha lembrança mais marcante é que o SBT transmitiu a partida. Na época, o canal do Abravanel estava com uma campanha de marketing com o mote “temos o orgulho do segundo lugar na audiência”, e por isso decidiram transmitir a final da segunda divisão. Antes do jogo, o SS interrompeu o programa e disse algo como ‘vocês sabem que não temos uma equipe de esportes, então alguém aqui lembrou que Ivo Morganti já narrou futebol, e montamos uma equipe às pressas’. Isso foi AO VIVO, antes do jogo. O repórter de campo foi o ator que fazia o Guarda Juju em A Praça é Nossa. Um show de horror completo. Ou melhor, incompleto, porque nem acabou, e tem gente que acha que o Sport foi campeão brasileiro.”

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Lembranças dos confrontos do fim-de-semana

24 novembro 2011 | 1 comentário

Fluminense x Vasco. Vasco, melhor time da 1ª fase, e Fluminense, uma mescla de jovens e veteranos em busca de entrosamento, se enfrentaram pelas quartas-de-final do Brasileiro de 1988. E antes de a bola rolar já houve polêmica, envolvendo, acreditem, Sarney e Eurico Miranda. A 1ª fase do Brasileiro terminou junto com o ano de 1988 e a 2ª fase só foi disputada no começo de 1989, depois das férias dos jogadores. Nesse meio tempo foi editado (mais um) plano econômico determinando o congelamento dos preços, o que impediria que os clubes fizessem o reajusta dos ingressos para a fase de mata-mate. Eurico Miranda não concordou, convenceu os dirigentes do Fluminense e da Federação de que os ingressos seriam aumentados, mas a SUDERJ não abriu as bilheterias, por entender que deveria respeitar o congelamento. A queda-de-braço durou até aproximadamente uma hora antes do jogo, quando os dirigentes desistiram do aumento e liberaram a venda pelo preço do ano anterior. Com muita confusão os torcedores entraram no estádio para acompanhar a vitória tricolor por 1×0, gol contra de Zé do Carmo, aos 29 minutos do primeiro tempo, quando a maior parte do público ainda estava tentando entrar no estádio. No jogo da volta, sem polêmica quanto aos preços dos ingressos, vitória vascaína, de virada, por 2×1 no tempo normal, com o gol da vitória aos 44 do segundo tempo. Na prorrogação, virada tricolor, placar final 3×2 para o Flu e classificação para as semifinais.

Atlético-MG x Botafogo. Quem gostou da quantidade de gols nos jogos Santos 4×5 Flamengo e Fluminense 5×4 Grêmio, gostaria ainda mais do Atlético-MG x Botafogo, no Mineirão, pelo Brasileiro de 1998, principalmente do segundo tempo. O jogo valia pela 18ª rodada da 1ª fase do campeonato e os dois times tentavam manter viva as esperanças de classificação para o mata-mata, o que acabaram não conseguindo. O Botafogo fez um belo primeiro tempo e foi para o intervalo vencendo por 2×0, gols de Túlio e Chiquinho Pernambucano. O Atlético-MG voltou arrasador e aos 20 minutos do segundo tempo já tinha feito 4 gols, 1 de Marques e 3 de Valdir Bigode, que ainda fez o quarto dele, quinto do Galo, aos 35. Parecia que o Glorioso voltaria para o Rio com uma goleada na bagagem, mas Túlio aos 38, Bebeto aos 40 e Tico Mineiro aos 46 fizeram os gols que transformaram uma derrota acachapante em um empate histórico em 5×5.

Flamengo x Inter-RS. O Campeonato Brasileiro foi criado em 1971 e demorou para ter um lugar de destaque no calendário nacional, principalmente pelo excesso de clubes e regulamentos diferentes a cada ano. Em 1987 os 12 grandes clubes do Brasil, junto com o Bahia, maior torcida do Nordeste, formaram o Clube dos 13 e decidiram organizar um campeonato entre eles. Convidaram Goiás, Coritiba e Santa Cruz, batizaram o campeonato de Copa União e montaram a tabela com os 16 times jogando entre si. A CBF, excluída da festa, quis entrar de penetra. Organizou seu campeonato dividido em quatro módulos, sendo um deles a Copa União, prevendo que os finalistas dos dois módulos “principais” jogariam um quadrangular para decidir o campeão brasileiro. Em 13 de dezembro de 1987 o Flamengo venceu o Inter, no Maracanã, por 1×0, gol de Bebeto, perante quase 100 mil pessoas, apesar do dilúvio, e foi campeão brasileiro. No mesmo dia Sport e Guarani bateram infinitos pênaltis para decidir o campeão do Módulo Amarelo até desistirem dos pênaltis e decidirem dividir o título. A CBF, que só queria saber de retaliar os grandes-rebeldes, não viu o menor problema nesse W.O. duplo, mas bastou Flamengo e Inter não aparecerem para jogar a primeira rodada do famigerado quadrangular para serem eliminados da competição, sendo a tabela refeita para que Sport e Guarani se enfrentassem em dois domingos para decidir o título. A CBF usou seu poder para punir os grandes, no caso Flamengo e Inter, considerando o Sport campeão e enviando-o junto com o Guarani para a Libertadores de 1988. Mas a postura dos clubes, um raro momento de união em prol do bem com um, não foi em vão, já que de lá para cá nunca mais houve Brasileiros com 40 ou mais clubes, como acontecia até 1986. O Flamengo não foi apenas campeão brasileiro mais uma vez em 1987, foi campeão no ano que foi um divisor de águas na história do mais importante campeonato do país.

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Homenagem do blog à Niterói, a cidade aniversariante

22 novembro 2011 | deixe seu comentário (0)

Em homenagem à Niterói, que completa 438 anos nesse 22 de novembro, o blog lembra a participação da cidade na história do futebol do Rio, por meio de dois times, Canto do Rio e ADN, e do Estádio Caio Martins, muito usado pelos quatro grandes, principalmente Flamengo e Botafogo.

O ADN chamava-se Manufatora e disputava o Campeonato Fluminense. Após a fusão dos estados do Rio e da Guanabara, passou a disputar o Campeonato Carioca, e mudou de nome para Associação Desportiva Niterói, numa tentativa de conseguir mais apoio da cidade. Mas fez péssimas campanhas, só disputou a primeira divisão em 1979 e 1980, e encerrou suas atividades em 1983. Nos oito jogos contra os grandes, perdeu todos, incluindo três por 7×1, duas para o Flamengo e uma para o Botafogo.

Canto do Rio, o “mais querido da cidade sorriso” já disputava o Campeonato Carioca antes mesmo da fusão. Seu grande momento foi em 1953, com a conquista do Torneio Início, espécie de festival de futebol, em evento de dia único, com os times que disputariam o Carioca se enfrentando em mata-mata, em jogos de curta duração. Disputou o Carioca até 1964. Depois de décadas de sem disputar competições profissionais vem alternando participações na 3ª divisão com períodos de inatividade.

O Estádio Caio Martins foi construído nos anos 40 pelo Governo do Estado do Rio (que à época não contava com a cidade do Rio, então Distrito Federal). Em 2000 foi rebatizado como Estádio Mestre Ziza, homenagem ao craque Zizinho. Sediou jogos do Canto do Rio e do ADN. A partir do final dos anos 70 passou a ser muito utilizado por Flamengo, Botafogo e América. Em 2003, quando disputou a Série B, o Botafogo fez uma reforma que ampliou a capacidade de 12.000 para 15.000 torcedores, com mais conforto e melhor aproveitamento do espaço. Mas só foi utilizado por duas temporadas, e desde 12 de dezembro de 2004, quando o Botafogo perdeu para o Corinthians pela penúltima rodada do Brasileiro, não recebe jogos oficiais. Há rumores de que o Estado irá vender o terreno para a construção de um condomínio residencial.

Relembre alguns grandes momentos da história do Caio Martins:

Zico marcou seu gol 600 no Caio Martins, contra o Madureira, em 1982

Matéria da revista Placar sobre a volta de Zico ao futebol, em Fla-Flu pela Taça Rio de 1987

Botafogo perde para o São Paulo na última rodada do Brasileiro de 2002 e é rebaixado para a 2ª divisão

Botafogo vence o Marília por 3×1, pela 2ª divisão de 2003, e garente retorno à primeira divisão

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Lembranças dos confrontos do fim-de-semana

18 novembro 2011 | deixe seu comentário (0)

Atlético-GO x Flamengo. Ao longo de toda a temporada de 1986 o Flamengo lidou com desfalques pelas mais diversas razões. Provavelmente foi o clube com o maior número de jogadores operados na mesma temporada. Foram submetidos à cirurgias, até novembro, Cantarele, Mozer e Adílio (joelho direito); Zico e Júlio César (joelho esquerdo); Sócrates (hérnia de disco); Adalberto (tíbia direita); e Wallace (tíbia e perônio esquerdos). Após o 0×0 contra o Atlético-GO no Serra Dourada, no antepenúltimo jogo do ano, Bebeto precisou receber uma placa de platina no braço esquerdo, fraturado depois de choque com o lateral Dick do time goiano, tornando-se o nono, e último, jogador do elenco operado em 1986.

Figueirense x Fluminense. Final da Copa do Brasil de 2007. O Tricolor começou mal a temporada de e não participou das semifinais de nenhum dos turnos do Carioca, o que custou o emprego do técnico Joel Santana. Renato Gaúcho chegou, e o time foi avançando na Copa do Brasil. Os rivais mais tradicionais foram caindo e o Flu foi passando aos trancos e barrancos até chegar à decisão contra o Figueira. Jogo amarrado no Maracanã, Adriano Magrão fez o gol de empate depois de o Flu sair atrás. Mas no jogo decisivo a camisa tricolor pesou. O veterano Roger (ex-lateral do Grêmio e não o meia revelado em Xerém) fez um gol logo no começo e as maiores emoções ficaram para a festa tricolor em Florianópolis, depois do jogo, e no Santos Dumont, no dia seguinte, comemorando um título nacional e a volta à Libertadores.

Vasco x Avaí. Um confronto de poucos jogos que teve seu principal capítulo no 1º semestre desse ano, quando se enfrentarem na semifinal da Copa do Brasil. Os catarinenses eliminaram o poderoso São Paulo, com uma vitória incontestável por 3×1, e arrancaram um empate em 1×1 em São Januário no jogo de ida. Mas no jogo de volta a expectativa de bom time que o Vasco vinha dando aos seus torcedores se confirmou com uma grande vitória por 2×0. De lá para cá o Vasco conquistou a Copa do Brasil, está nas semifinais da Sulamericana e luta pelo título Brasileiro, e o Avaí se prepara para disputar a Série B em 2012.

Botafogo x Inter-RS. Todo mundo sabe que o Botafogo ficou 21 anos sem levantar uma taça, mas pouca gente lembra que o primeiro jogo oficial do Botafogo após sair da fila foi contra o Colorado, na abertura do Brasileiro de 1989. Dois meses e meio se passaram, com as atenções voltadas para a Seleção que disputava a Copa América e as Eliminatórias, entre o histórico 21 de junho, dia do título, e o dia 6 de setembro, véspera de feriado da Independência, e primeiro jogo oficial do Botafogo sem carregar o fardo do jejum. Com a base que conquistou o Carioca e os reforços de Valdeir e Donizete, o Botafogo começou bem a nova fase, vencendo por 2×1, gols do volante Luizinho e do canhoto Gustavo.

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