Fluminense x Vasco. Vasco, melhor time da 1ª fase, e Fluminense, uma mescla de jovens e veteranos em busca de entrosamento, se enfrentaram pelas quartas-de-final do Brasileiro de 1988. E antes de a bola rolar já houve polêmica, envolvendo, acreditem, Sarney e Eurico Miranda. A 1ª fase do Brasileiro terminou junto com o ano de 1988 e a 2ª fase só foi disputada no começo de 1989, depois das férias dos jogadores. Nesse meio tempo foi editado (mais um) plano econômico determinando o congelamento dos preços, o que impediria que os clubes fizessem o reajusta dos ingressos para a fase de mata-mate. Eurico Miranda não concordou, convenceu os dirigentes do Fluminense e da Federação de que os ingressos seriam aumentados, mas a SUDERJ não abriu as bilheterias, por entender que deveria respeitar o congelamento. A queda-de-braço durou até aproximadamente uma hora antes do jogo, quando os dirigentes desistiram do aumento e liberaram a venda pelo preço do ano anterior. Com muita confusão os torcedores entraram no estádio para acompanhar a vitória tricolor por 1×0, gol contra de Zé do Carmo, aos 29 minutos do primeiro tempo, quando a maior parte do público ainda estava tentando entrar no estádio. No jogo da volta, sem polêmica quanto aos preços dos ingressos, vitória vascaína, de virada, por 2×1 no tempo normal, com o gol da vitória aos 44 do segundo tempo. Na prorrogação, virada tricolor, placar final 3×2 para o Flu e classificação para as semifinais.
Atlético-MG x Botafogo. Quem gostou da quantidade de gols nos jogos Santos 4×5 Flamengo e Fluminense 5×4 Grêmio, gostaria ainda mais do Atlético-MG x Botafogo, no Mineirão, pelo Brasileiro de 1998, principalmente do segundo tempo. O jogo valia pela 18ª rodada da 1ª fase do campeonato e os dois times tentavam manter viva as esperanças de classificação para o mata-mata, o que acabaram não conseguindo. O Botafogo fez um belo primeiro tempo e foi para o intervalo vencendo por 2×0, gols de Túlio e Chiquinho Pernambucano. O Atlético-MG voltou arrasador e aos 20 minutos do segundo tempo já tinha feito 4 gols, 1 de Marques e 3 de Valdir Bigode, que ainda fez o quarto dele, quinto do Galo, aos 35. Parecia que o Glorioso voltaria para o Rio com uma goleada na bagagem, mas Túlio aos 38, Bebeto aos 40 e Tico Mineiro aos 46 fizeram os gols que transformaram uma derrota acachapante em um empate histórico em 5×5.
Flamengo x Inter-RS. O Campeonato Brasileiro foi criado em 1971 e demorou para ter um lugar de destaque no calendário nacional, principalmente pelo excesso de clubes e regulamentos diferentes a cada ano. Em 1987 os 12 grandes clubes do Brasil, junto com o Bahia, maior torcida do Nordeste, formaram o Clube dos 13 e decidiram organizar um campeonato entre eles. Convidaram Goiás, Coritiba e Santa Cruz, batizaram o campeonato de Copa União e montaram a tabela com os 16 times jogando entre si. A CBF, excluída da festa, quis entrar de penetra. Organizou seu campeonato dividido em quatro módulos, sendo um deles a Copa União, prevendo que os finalistas dos dois módulos “principais” jogariam um quadrangular para decidir o campeão brasileiro. Em 13 de dezembro de 1987 o Flamengo venceu o Inter, no Maracanã, por 1×0, gol de Bebeto, perante quase 100 mil pessoas, apesar do dilúvio, e foi campeão brasileiro. No mesmo dia Sport e Guarani bateram infinitos pênaltis para decidir o campeão do Módulo Amarelo até desistirem dos pênaltis e decidirem dividir o título. A CBF, que só queria saber de retaliar os grandes-rebeldes, não viu o menor problema nesse W.O. duplo, mas bastou Flamengo e Inter não aparecerem para jogar a primeira rodada do famigerado quadrangular para serem eliminados da competição, sendo a tabela refeita para que Sport e Guarani se enfrentassem em dois domingos para decidir o título. A CBF usou seu poder para punir os grandes, no caso Flamengo e Inter, considerando o Sport campeão e enviando-o junto com o Guarani para a Libertadores de 1988. Mas a postura dos clubes, um raro momento de união em prol do bem com um, não foi em vão, já que de lá para cá nunca mais houve Brasileiros com 40 ou mais clubes, como acontecia até 1986. O Flamengo não foi apenas campeão brasileiro mais uma vez em 1987, foi campeão no ano que foi um divisor de águas na história do mais importante campeonato do país.