Degustação da Pride and Joy

15 setembro 2011 | deixe seu comentário (0)

Definitivamente as terças-feiras são mais que especiais pros cervejeiros cariocas. Desde de 2006 que os integrantes da ACervA Carioca colocaram as TERÇAS em seus calendários, e alternando-as em SIM e NÃO nos encontramos no AConchego Carioca para confraternizarmos, trocarmos experiências, dicas, receitas e impressões sobre as cervejas que produzimos, e assim contribuirmos pro aperfeiçoamento das nossas cervejinhas e futuras produções.

Pois bem, não satisfeiros apenas com as terças-sim dedicadas às cervejas caseiras, os ACerviAnos têm transformado as antigas terças-não em terças-TAMBÉM, e adotado a praça em frente ao Boteco Colarinho, em Botafogo, como templo cervejeiro no Rio, literalmente colocando a ACervA Carioca na Praça.

As reuniões estão cada vez melhores, à medida que o pessoal vai produzindo infinitas dúvidas surgem, e melhor lugar pra debatê-las não há que nos encontros da ACervA. Assim convidei os alunos do meu último curso de produção artesanal de cerveja pra conhecer o clima e demais cervejeiros artesanais da associação, e ontem fomos todos pra praça, em mais uma TERÇA-Também regada a ótimas amizades e cervejinhas.

Como não existe prazer maior que compartilhar boas cervejas com os amigos, entre outras, ontem, levei pra degustação uma que produzi há quase dois anos, a Pride And Joy. Uma cerveja especialíssima, barley wine com blend de leveduras e 9,2% abv, maturada por 20 meses em um barril de carvalho anteriormente utilizado pro envelhecimento de bons vinhos, de uma reserva especial da Salton. Mas não só especial por isto ou pela receita em si, mas por homenagear no nome o amor da minha vida, a minha esposa, que é minha alegria e motivo de orgulho sem fim. 

Em dezembro de 2009 escrevi o post sobre a Pride And Joy contando sobre a ideia, o fim e publicando a receita. Quem quiser conhecer um pouco mais da história e receita basta clicar no barril abaixo:

Barrilzinho

Um brinde,

Botto

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O Verdadeiro Fantasminha Camarada

09 setembro 2011 | 3 comentários

Ingredientes. Mas cadê as leveduras na foto?

A cada dia mais me pego apaixonado pelas leveduras, fato, e hoje, quando experimentava algumas das suas criações na cervejaria, feliz da vida, sem querer dei umas “tuitadas” falando sobre as mesmas, e da sua importância pra qualidade das cervejinhas, pães, vinhos e outros alimentos que tanto gostamos.

Óbvio que os equipamentos e métodos de produção, seleção, qualidade e combinações de ingredientes são importantes, mas arriscaria a dizer que 60% (ou mais ainda) da qualidade das cervejas que bebemos vem dos bichinhos cervejeiros. Felizes e bem tratados fazem milagres!!!

 “nós cervejeiros não fazemos a cerveja, apenas misturamos os ingredientes e como mágica ela se faz sozinha.” Fritz Maytag

 

 Assim, ainda reverberando o post anterior, resolvi trazer pro Cervejinha um texto que fiz há uns dois anos para a revista Beer Life, texto este sobre as saccharomyces cerevisiae, ou melhor, reconhecendo os verdadeiros fantasminhas camaradas, presentes tanto na fabricação dos pães quanto das cervejas. Eis o texto abaixo:

O Verdadeiro Fantasminha Camarada

Desde sempre nas mais diversas culturas e civilizações, atuando na produção de alimentos, como o pão, bebidas, como a cerveja, o vinho, a chicha e o sake, ou ainda in natura, como um medicamento probiótico, por exemplo, o fermento – ou levedura, como também é conhecido – fez-se presente, e de sua importância ninguém pode olvidar.

Se o malte fornece açúcares e cor à cerveja, a água a compõe, e o lúpulo a tempera, quem a faz é o fermento. É ele o diamante da cerveja, a sua alma que lhe dá distinção, contribuindo decisivamente para o aroma e sabor da bebida, bem como interferindo no corpo.

As leveduras são microrganismos unicelulares do Reino Fungi, responsáveis pela transformação do mosto cervejeiro em alcoóis, gás carbônico e ésteres*¹, principalmente, entre outros.

*¹ Ácidos orgânicos + alcoóis responsáveis pela maioria dos aromas e sabores presentes nas cervejas, como os de banana (acetato de isoamila) ou os de maçã vermelha (hexanoato de etila).

Abundantes e presentes em todos os lugares, sua história para nós, cervejeiros, nasceu há pelo menos 8.000 anos, quando, presentes no ambiente, teriam fermentado certa quantidade de cereais esquecidos num cesto ao relento, dando assim origem à cerveja, tradicionalmente uma bebida fermentada a partir de cereais.

O Gasparzinho Cervejeiro:

Invisíveis aos olhos humanos, apenas em 1841 receberam os créditos pelo seu trabalho, com o avanço da ciência. Sua existência e atuação até este marco eram uma incógnita*², um grande mistério, e acreditava-se piamente que fantasmas eram os responsáveis pela mágica do processo fermentativo em geral.

*² Obs: Não é à toa que a Lei de Pureza Alemã, datada de 1516, não trazia a levedura como permitida, ou presente, no processo cervejeiro, isso por um motivo óbvio, o desconhecimento dela. Até hoje, não raro ainda é a falta de menção ao fermento, nos rótulos de algumas cervejas.

Os tanques de fermentação, hoje na maioria fechados por motivos de economia e controle, naquela época deveriam ser abertos, para que os “fantasmas da cervejaria” pudessem realizar o seu trabalho, fermentando o mosto e transformando-o em cerveja. E como cada ambiente é um ambiente diferente, de acordo com fatores climáticos, de luminosidade, etc., cada cervejaria mantinha sua própria colônia de fungos, que produziam características específicas em suas cervejas. Estilos de cerveja nasciam de acordo com as leveduras presentes em maior número em determinada região, conferindo particularidades de aromas e sabores. Enquete: quais os melhores fantasmas cervejeiros da época: belgas, alemães, ingleses?

Somente a partir dos progressos na ótica e nas ciências é que se pôde conhecer melhor a atuação das leveduras, possibilitando sua diferenciação conforme aspectos morfológicos e subprodutos por elas gerados, principalmente. Isoladas e selecionadas em laboratório para produzir estilos específicos de cervejas, com características próprias, células de cepas (linhagem, raça) de fermentos puderam ser reproduzidas, permitindo assim que estilos de determinadas localidades, cheios de peculiaridades, pudessem ser reproduzidos em qualquer lugar.

Saccharomyces cerevisiae

Hoje, sabemos que milhares são as variedades de leveduras existentes, mas neste artigo abordaremos as cervejeiras (e dos pães também), as Saccharomyces cerevisiae. E não pensem que sejam poucas, afinal, apenas dentro deste grupo há milhares de microorganismos diferentes, que produzem distintos níveis de aromas e sabores se submetidos às mesmas circunstâncias, cada qual mais apropriado pra um estilo específico de cerveja.

No meio cervejeiro é comum, ainda, a difusão da idéia da existência de dois tipos de fermento cervejeiro, o saccharomyces cerevisiae, que responderia pela Ales – cervejas de alta fermentação, cujas leveduras trabalham sob temperaturas maiores, normalmente entre 16 e 25 graus celsius, às vezes até mais, com atividade de crescimento até por volta dos 37ºC, produzindo cervejas mais frutadas (comparativamente com as lagers) no aroma e sabor – e o saccharomyces uvarum, ou carlsbergensis, usado para as Lagers – cervejas de baixa fermentação, cujas leveduras atuam sob temperaturas mais amenas, entre 8 e 15 graus celsius, podendo crescer até 34ºC,  e produzem cervejas menos frutadas e encorpadas, via de regra. A diferença entre ambos é que os fermentos lagers são capazes de metabolizar um tipo de açúcar conhecido por melibiose (glicose-galactose), enquanto o das ales não. Hodiernamente, entretanto, essa diferenciação, mais histórica e prática, vem perdendo espaço na literatura científica, com esta se referindo a elas como S.cerevisiae tipo ale e S.cerevisiae tipo lager.

Menos presente no mundo atual, cercado de controle e especificidade, cabe-nos citar ainda um terceiro tipo de fermento cervejeiro, as leveduras selvagens, participantes do trabalho de fermentação de uma outra família de cerveja além das lagers e ales, as Lambics. Dentro do processo cervejeiro, seriam elas entendidas como toda e qualquer levedura participante do processo fermentativo diferente da utilizada, querida, no preparo da cerveja. Podem ser do gênero saccharomyces, na maioria dos casos, como também de muitos outros, tais quais Brettanomyces, Candida, etc. No caso específico das Lambics, a cerveja seria fermentada espontaneamente por bactérias e leveduras presentes no ambiente, a partir de seleção natural deste.

Voltando às S.cerevisiae, embora façam basicamente o mesmo trabalho, de transformação dos carboidratos trazidos pelos maltes em álcool e gás carbônico, por pequenas diferenças de metabolismo, o aroma e sabor do produto obtido de cepa pra cepa pode diferir bastante. Assim, nos vemos diante de uma infinidade de opções de cepas, cada qual mais propícia para produção de determinadas características de aroma e sabor, e, para uma melhor escolha do fermento, devemos levar em conta as especificidades de cada uma, bem como do estilo de cerveja a ser produzido.

Assim, querendo reproduzir estilos clássicos da bebida, temos que buscar pela melhor levedura para tal, antes, porém, pesquisando atributos sensoriais de cada estilo. Se quisermos produzir uma cerveja de trigo, por exemplo, temos que buscar uma levedura capaz de transformar os precursores fornecidos pelos maltes em aromas de cravo, fenólico, e banana (acetato de isoamila), aromas típicos do estilo, não conseguidos na intensidade desejada pela grande maioria das leveduras.

Pela grande superioridade de consumo das lagers, impulsionada pelo estilo pílsen, que aparentemente não traz muito do fermento, por vezes somos iludidos quanto à importância da levedura cervejeira, é verdade. Notem que disse aparentemente, pois mesmo nas pílsens um fermento adequado se faz necessário, sendo desejados aqueles que não produzam tantos ésteres e diacetil, por exemplo, a fim de propiciarem uma melhor percepção dos atributos trazidos pelos maltes e lúpulos. Creio que, especialmente no Brasil, esta ilusão quanto à importância do fermento seja ainda maior, talvez pela nossa incipiente cultura cervejeira, sem tanta diversidade de estilos e muito atrelada à escola alemã, mais afeita às lagers, que produzem cervejas mais limpas, neutras quanto a aromas e sabores de subprodutos de fermentação.

Mas, se mesmo quando não aparecem são de suma importância, para o estilo e qualidade da cerveja, o que dirá quando surgem como estrelas da companhia, como no caso dos estilos belgas de cerveja?! A escola belga talvez seja o melhor exemplo da devoção às leveduras. Na maioria das vezes de composição simples, de maltes e lúpulos, o diferencial nas cervejas belgas costuma ser o fermento, que traz aromas complexos de fermentação, ricos em frutas, compostos fenólicos e de especiarias.

As leveduras são tão cultuadas pelas cervejarias locais, que estas as mantêm em segredo, muitas das vezes usando um segundo fermento para refermentações na garrafa, com fim de disfarçar o principal, que não raro é o reconhecimento delas pelas leveduras que utilizam, ou vice-versa, sendo corriqueiro ouvirmos que tal é a levedura da Duvel, ou da Chimay, ou da Westmalle, por exemplo, pelas características sensoriais que dão à cerveja.

A diversidade de culturas de leveduras ales belgas é tão fascinante, incrível, extensa e sem fim, principalmente se levada em conta a possibilidade de confecção de blends de fermentos, prática cada vez mais usual, para trazer ainda mais complexidade à bebida, que laboratórios norte americanos como Wyeast e White labs investem pesado no desenvolvimento de culturas de cepas semelhantes aos das tradicionais cervejarias belgas, visando principalmente o mercado de cervejeiros caseiros e microcervejarias.

(Biertruppe Saint Nicholas – um pouco sobre a brincadeira de blends de fermentinhos)

Num meio termo entre as escolas belga e alemã, surge a escola inglesa de cerveja, que não traz fermentos com características de aroma tão neutras quanto a da alemã, nem tão intensas quanto à belga. Usam normalmente leveduras que não se sobrepõem aos aromas dos maltes e lúpulos, mas que coexistem bem com estes, marcando nítida presença ao fundo, todavia.

Enfim, de nada adianta termos à disposição os melhores maltes, fornecendo-nos cores e carboidratos, a melhor água ou os melhores temperos, os lúpulos e especiarias, se não tivermos uma boa cepa de fermento para realizar o trabalho de juntar todos os ingredientes e transformá-los na cerveja que queremos.

Tema proibido

Se, para quem é de fora do meio cervejeiro, a imagem criada da participação do fermento é meio secundária, dentro deste me parece superestimada, na medida em que falar sobre fermento se constitui quase num tabu, cercado de mistérios*3 e segredos pelas cervejarias em geral, que atribuem a personalidade de suas cervejas à levedura que usam, esquecendo-se, todavia, que o trabalho do fermento sofre influência e depende de uma série de outros fatores, como composição e grau de aeração do mosto, quantidade e viabilidade da cepa, temperatura de atuação, pressão, tempo, pH, sanitização dos equipamentos, etc., que a meu ver, por si só, não justificariam tanto segredo. Melhor que valorizar a cepa, seria talvez valorizar o profissional que cuida e manipula a mesma, não?

A grande verdade, que não podemos deixar de frisar, é que quando submetemos uma cepa de levedura às nossas condições, criamos sim a nossa levedura, que mutante e complacente dará vida às nossas cervejas.

Um brinde, então, às leveduras cervejeiras, que arduamente trabalham em prol da nossa alegria, produzindo os aromas e sabores que tanto nos encantam.

*3 Certa vez, em visita a uma cervejaria famosa, li num quadrinho jogado atrás de um dos seus tanques o nome do fermento usado, Nottingham, que é uma cepa ale muito usada para estilos ingleses, e que usava muito, e em seguida perguntei ao mestre cervejeiro pra qual das cervejas deles era usada tal levedura, eis que pra minha surpresa obtive a informação de que não usavam tal cepa, e junto de uma cara de espanto e sem graça do cervejeiro, achei melhor mudar de assunto, hehehe, pra melhorar um pouco o clima. Não há porque de nutrirmos tanto segredo. Fazer cerveja é como cozinhar. Se dermos as mesmas condições a dez chefs e pedirmos que façam uma mesma receita, alguém duvida que teremos dez pratos diferentes?

Um brinde, meus amigos, e passemos a observar com mais carinho os fantasminhas cervejeiros, hehehe.

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O Pão nosso de cada dia!!!

06 setembro 2011 | deixe seu comentário (0)

Pães

Já se perguntaram o que Pão e Cerveja têm em comum?

TUDO!!!

Sim, ambos são alimentos riquíssimos preparados com uma mistura de água, cereais (trigo, cevada, centeio, aveia, milho, sorgo…), ervas, temperos, frutas e especiarias por vezes, fermentada por Saccharomyces cerevisiae (as mágicas leveduras que no nome homenageiam Ceres, Deusa dos Grãos), e o que os distingue é tão somente o estado, um sólido e outro líquido. Ah, e antes que me perguntem sobre o álcool, produto da fermentação, este é perdido durante o cozimento do pão sólido, simples.

Não por acaso, reza a lenda que tanto o pão quanto a cerveja tiveram suas origens na antiguidade, na Mesopotâmia, entre os rios Tigres e Eufrates, numa região extremamente fértil e onde facilmente prosperavam os grãos.

Já no antigo Egito, pão e cerveja se confundiam, eram meio de pagamento de salários a camponeses, produzidos por sacerdotisas em oferenda e culto a Deuses, e utilizados como medicamentos do corpo e espírito. Representavam fartura, prosperidade, e faraós mantinham em suas tumbas ânforas repletas de cerveja, a fim de que não lhes faltassem alimento pro espírito.

Símbolos comuns

Símbolos da união fraterna entre comensais, da fertilidade, poder, força, da vida, da alegria, do ideal e acabado produto, da semente que bem plantada, germinada, colhida e fermentada, com a água e demais nutrientes básicos espalhados pela natureza deu origem ao alimento do homem, material e espiritual, simples e essenciais, há pelo menos 8 mil anos os pães nossos de cada dia estão presentes em todas as culturas e civilizações mundo a fora, sejam em quais formas for.

São muito mais que alimento apenas, mas também história e cultura que merecem atenção, estudo,  respeito, releituras e degustações, rs.

Fica a dica: do processo de fabricação de cerveja resta o bagaço dos grãos, com o qual podemos fazer excelentes pães, deliciosos e riquíssimos em fibras. Caso ainda não sejam cervejeiros caseiros, procurem um amigo que seja, ou uma microcervejaria próxima, e peçam um pouco do bagaço resultante da fabricação. Importante que este bagaço seja recolhido logo após a produção cervejeira, e guardado em local limpo e refrigerado até ser utilizado na fabricação do pão. Se não intencionar fazer logo, congele o bagaço.

OBS: clicando na foto deste post vocês serão redirecionados pra uma receita de pão de malte sugerida pelo amigo Zé Luiz, psicanalista (louco), cervejeiro e chef de mão cheia, que tem lá no meu blog. Eu e minha esposa fazemos sempre, com mil e uma variações, e fica divino.

OBS2: E quem tiver uma receitinha de pão de cerveja, ou bierbrot (como é chamado em alemão), coloque-a nos comentários deste post, compartilhemos!!!

Pão e Cerveja a todos,

Um brinde,

Botto

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I Festival Gatronômico de Ipiabas

10 agosto 2011 | deixe seu comentário (0)

Do dia 12 até o próximo dia 21 acontecerá o I Festival Gastronômico de Ipiabas, durante o VIII Festival de Inverno da cidade, que é distrito de Barra do Piraí e fica a cerca de 130 km do Rio.

Turma reunida para o I Festival Gastronômico de Ipiabas

O evento, que trará chefs de renome no cenário nacional compartilhando suas experiências com o público, é fruto de um projeto do Chef Márcio Moreira (post do Márcio nos convidando pro Festival), do blog Panela Brasil, e organizado em parceria pela empresa 2MSoluções Gastronômicas e Prefeitura de Barra do Piraí.

Com enorme prazer fui um dos convidados para palestrar no Festival Gastronômico,  e no dia 20 falarei um pouco sobre Harmonização de Cervejas, mostrando algumas das infindáveis possibilidades biergastronômicas deste redescoberto universo cevejeiro.

Abaixo segue o cronograma completo do Festival, um brinde e nos vemos por lá.

12/08/11 – Sexta-feira

- 10h às 13:00h  

Oficina de Gastronomia Nossa Panela Brasil

(Direcionada aos restaurantes da região)
 
TURMA – I     Segurança Alimentar
- A importância da higiene dos alimentos;
- Como contribuir para a qualidade de vida de nossos clientes;
- Como preparar uma refeição boa e saudável.          
Nutricionista: Ceci Santiago – 14h às 17h
Oficina de Gastronomia Nossa Panela Brasil
(Direcionada aos restaurantes da região)
 
TURMA – II    Marketing na gastronomia
- Compreender a diferença entre serviços e produtos;
- Compreender o quê é o marketing na gastronomia e suas particularidades;
- Melhorar a qualidade do atendimento ao cliente;
- As leis vencedoras do marketing.        
Nutricionista: Ceci Santiago – 17h30min às 18h30min   
      
Releitura de pratos dos restaurantes da região          
Apresentação dos pratos dos Restaurantes
Dona Vera – Restaurante Via Castelli   18h30min às 19h30min   
Chiquinho – Restaurante                      19h30min ás  20h30min      
Dona Emilse – Pensão da Emilse          20h30min às 21h30min   
Restaurante – Adolfina                         21h30min às 22h30min
 
13/08/11 – Sábado 
  
Oficina de Gastronomia  Nossa Panela Brasil
Um passeio pelas cinco regiões do país
(Direcionada aos turistas e moradores)
           
- 10h às 11h
Região Sudeste
- Bolinho de bacalhau
           
11h20min às 12h20min   
 Região Norte
- Bolinho de Tapioca e cupuaçu.    
    
        14h às 15h              
Região Nordeste
- Escondidinho de carne seca.
  
15h20min às 16h20min   
Região Centro-Oeste
- Arroz de pequi.   
 
         16h40min às 17h40min               
Região Sul
     – Cuca Alemã.        
           
17h30min  às 18h30min 
Oficina de Gastronomia Nossa Panela Brasil
 
Pratos dos restaurantes da Região
(Direcionada aos turistas e moradores)
Zapa – Zapa Restaurante – 18h30min às 19h30min 
Pereirinha – Forte das Massas – 19h30min às 20h30min    
Anselmo – By Laca – 20h30min  às 21h30min
Restaurante – São Sebastião – 20h30min  às 21h30min    
 
14/08/11 – Domingo      
 
12h     Festival Gastronômico
 Galinhada na panela de ferro GIGANTE
 
19/08/11 – Sexta-feira 
  
10h às 13h  
Oficina de Gastronomia Nossa Panela Brasil
(Direcionada aos restaurantes da região)
 
TURMA – I Desenvolvimento e lançamento de produtos e serviços
- Condições para desenvolvimento de novos produtos;
- Desenvolvendo novos produtos e serviços;
- Causas de fracasso;
- Tipos e processos de inovação;
- Metodologia para desenvolvimento de produtos e serviços.         
Nutricionista Ceci Santiago
 
15h às 18h  
Oficina de Gastronomia Nossa Panela Brasil
(Direcionada aos restaurantes da região)
 
TURMA – II   Atendimento a clientes
- Marketing de relacionamento;
- Gestão do atendimento;
- Como fidelizar e encantar os clientes;
- Atuação como Líderes.   
Nossa Panela Brasil
NutricionistaCeci Santiago
 
19h às 20h
- Harmonização de cachaça – João Luis – Cachaçaria Magnifica  
 
20h20min às 21h20min  
-Degustação de queijos orgânicos – Ira Hoyer – Degusta Mais e queijos Cruzilia      
   
21h40min ás  22h40min
- Harmonização de vinho  
 
20/08/11 – Sábado  
 
10h às 11h
- Chefe Paula Labaki – (São Paulo – SP)
STINKO DE FRANGO COM RISOTO DE FUNCHO  
 
11h20min às 12h20min
- Chefe Márcia Pinchemel – (Pirenópolis – GO)
CARRÉ DE PORCO AO DUO DE PURÊ NA MANTEIGA DE BARU E ESPUMA DE CAGAITA
 
12h40min às 13h40min
- Chefe Inacio Brizzi – (La Plata – Argentina)
CARRÉ DE FRANGO AO MOLHO DE CURRY VERMELHO         
           
14:00 h  ás 15:00 h
- Chefe Célia Rabelo – (Cuiabá – MT)
PIZZA DE PACU    
           
16h às 17h
- Paulo – Fazenda Florença – (Conservatória – RJ)
COMIDA DE FAZENDA E DE SENZALA     
   
17h20min às 18h20min
- Joao Belezia  - (São Paulo  – SP)
PAÇOCA DE PILÃO E POLENTA GRATINADA
        
18h40min às 19h40min
-  Chefe Cássio Prados – (São Paulo – SP)
GASTRONOMIA MOLECULAR
  
20h às 21h
- Harmonização de Cervejas – Leonardo Botto – Cervejeio Artesanal, Bier Sommelier e Blogueiro da Veja Rio        
           
21h    
Festin  do Chefe    
Chefe Guga Rocha – São Paulo – SP
(Programa Homens Gourmet – Canal Fox)
Entrada
Patê de Fígado de Frango ao Molho de Cupuaçu
Prato Principal
Galinhanda Quilombola
Sobremesa
Afogado na Pinga 
 
21/08/11 – Domingo
 
10h às 11h  
Lucas Mendes  - (Rio de Janeiro – RJ)
RAGU DE LINGÜIÇA FRESCA AO DUO DE CARÁ DO AR 
          
11h20min às 12h20min
- Barão – Barão Gastronomia – (Rio de Janeiro – RJ)
FILÉ DA CAUDA DE JACARÉ COM INHAME E BANANA DA TERRA   
 
11h20min às 12h20min
          (Direcionada as Crianças)  
         
12h40min às 13h40min
- Chefe Alexandro – Padaria Vitória -
Ana Carolina – Empresa Svili – PAVÊ DE MAIS UM 
           
14h às 15h
- Silvana Viveiros – (Itaipava – RJ)
PALHA ITALIANA   
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IPA Day

04 agosto 2011 | deixe seu comentário (0)

IPA Day

Meus amigos,

Vocês conhecem o estilo IPA, ou traduzindo, Indian Pale Ale?

Sem dúvida alguma é um dos estilos mais idolatrados pelos cervejeiros caseiros, lúpulomaníacos em sua maioria, que tem no lúpulo a característica principal.

Cone de lúpulo

Planta trepadeira da família Cannabaceae, o lúpulo traz nas suas flores feminininas não polinizadas a lupulina, que por suas resinas amargas e óleos essenciais é responsável por conferir amargor e aromas típicos da cerveja, que podem variar de acordo com a espécie utilizada, sendo mais ou menos florais, frutados, terrosos, herbais, picantes ou cítricos (este mais presente nas variedades norte americanas da trepadeira), normalmente.

Além de conferirem aromas e sabores típicos, o lúpulo traz ainda propriedades muito importantes às cervejas: contribui para uma melhor formação e estabilidade da espuma; por ser um antioxidante natural atua no retardo do envelhecimento celular; pode ser um valioso aliado do tratamento de osteoporose; e é um excelente conservante natural, por conta principalmente de sua atuação bacteriostática.

Conservante natural, com propriedades bacteriostáticas e antioxidantes, auxiliar do combate à osteoporose e calmante natural, nada mal, não é?

Exatamente por agir como um conservante natural, já que se notava grande perda de viabilidade das cervejas na época, quando ainda de desconhecia o processo de pasteurização, o uso do lúpulo foi empiricamente intensificado nas cervejas destinadas às viagens de navio da Inglaterra à Índia, durante a colonização deste país por aquele, dando origem assim ao estilo India Pale Ale, uma cerveja de origem britânica, de aparência clara (coloração dourada a âmbar, acobreada às vezes), de médio corpo e maltada bastante para equilibrar a intensidade do amargor e álcool, com aroma predominante lupulado, como dito, floral, terroso, herbal, frutado ou cítrico, de acordo com a variedade utilizada.

Este tradicionalíssimo estilo britânico, principalmente por conta da utilização de lúpulos com terroir norte americano,  nos EUA tem ganhado características próprias, mais frutadas e cítricas, se comparado com o da escola de origem,  o que determinou a subdivisão do estilo em dois, English IPA e American IPA. Versões mais encorpadas, amargas e alcoólicas geraram ainda a criação de um terceiro sub-estilo, o Imperial IPA. Pelo link do BJCP (em inglês) melhores descrições sobre estes três estilos de IPAS.

Inglesa Meantime IPA com filé mignon ao poivre

Gastronomicamente falando, temos ainda no amargor um excelente aliado. Reconhecido pelos animais como veneno, estimula-nos a salivar, assim contribuindo para cortar gordura e limpar nosso paladar. É um estimulante nato do apetite. Por estas características, o estilo IPA combina super bem com pratos mais condimentados e gorduros.

Experimenten uma IPA com comidas mexicanas, tailandesa, por exemplo, ou com um bom filé ao poivre e me contem da experiência. Vale muito a pena!!!

Pois bem, visando celebrar este tão apreciado estilo, hoje se comemora o IPA Day, um dia para se produzir e degustar Indians Pale Ale pelo mundo afora, bem como compartilhar receitas e dicas (o que é legal também fazer sempre, não somente num único dia).

Há quase três anos postei uma receita que ficou maravilhosa, a Bottobier Pocahontas, uma English IPA com um pequeno toque americano, por conta do uso do lúpulo Cascade pra aroma, variedade esta uma das minhas preferidas, que confere aromas cítricos e florais predominantemente .

Segue o link do post com a receita da Bottobier Pocahontas, nome sugerido pela amiga mestre cervejeira Kátia Jorge, que me lembrou do amor da índia  por um inglês (não sei se rola este amor todo na vida real, entre colonizados e colonizadores, rs):

Bottobier Pocahontas

Obs: quem fizer esta receita, conte-me do resultado. Nela usei dois fermentos líquidos da White Labs, mais difíceis de serem utilizados por aqui (só importando), mas que podem ser substituídos pelos fermentos liofilisados US-05 ou S-04.

Obs2: A Pocahontas foi de alguma forma inspirada na Dogfish Head 60 minutes, uma cerva fantástica, assim como a 120 minutes da mesma cervejaria.

Rock Flu IPA

Já no ano passado fiz a Rock Flu IPA, uma American IPA em homenagem ao 4º aniversário da rádio Rock Flu . Ela ficou fantástica, feita com dry hopping pelo método Randall The Enamel Animal, do cervejeiro Sam Calagione ( processo de dry hopping que faz passar a cerveja pronta por um filtro de lúpulo em flor, colocado entre o barril e a chopeira. Com este processo se consegue solubilizar parte dos óleos essenciais dos lúpulos, responsáveis pelos aromas, passando-os à cerveja com um frescor ímpar). Eis o link da receita da Rock Flu IPA abaixo:

Bottobier Rock Flu IPA

Dry Hopping com Randall

Por aqui o post da degustação da Rock Flu IPA.

 

Por fim, fica a dica de 5 ótimas IPAs brasileiras: A Colorado Índica (American IPA), a Seasons Green Cow (American IPA só encontrada na versão chopp e no Rio Grande do Sul, pelo menos por enquanto), a Falke Estrada Real (English IPA), a Kud Bier Kashmir, e a Curitibana Bodebrown Perigosa.

 

Um brinde lupulado,

Botto

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