
Suzana Pires, 35, revela em entrevista, como está sendo a construção da personagem Marcela, uma jornalista de moda, para a novela Fina Estampa. Ao longo da conversa, ela fala sobre o laboratório no mundo fashion e diz que na vida pessoal se considera uma pessoa de rótulo altamente inflamável.
A sua profissão te deixa realizada? Você sempre quis trabalhar como atriz?
Eu me sinto cada dia mais realizada com as minhas profissões, tanto a de atriz quanto a de autora. Agradeço todos os dias poder viver delas. É claro que estou só na fase um e que ainda tem muita água para rolar. Mas, desde criança eu queria ser atriz e também já inventava histórias, então, sinto que a minha vida tem coerência com a minha “criança”, com meu desejo mais essencial.
Como você faz o laboratório para criar uma personagem?
Desenvolver uma personagem do universo de um grande autor como Agnaldo Silva é uma responsabilidade! Eu sempre gostei do laboratório porque me aproxima do ambiente, das emoções e dos valores de cada nicho a que cada personagem pertence. Mas, fazer laboratório não é algo solto, ainda mais quando se trata de ninguém menos do que o diretor Wolf Maia, que dá as coordenadas dos caminhos adequados e também traz para o ator a clara compreensão dos conflitos e da função dramática do personagem. É um trabalho de equipe.
Como está sendo o nascimento de Marcela? Está dando frio na barriga?
Marcela está vindo aos poucos e a medida que ela desabrocha dentro de mim, a tensão vai dando lugar à compreensão. Mas o frio na barriga sempre está lá. É a inquietação artística, algo que não vivo sem.
E… O Diabo veste Prada?
Claro! O Diabo veste Prada, Chanel, Givenchy, Balenciaga, Yves Saint Laurent, Hermés, graças a Deus! (risos)
Você esteve nas semanas de moda do Rio e São Paulo. O que você pode observar de relevante para a construção da sua personagem?
Quando você olha de longe um universo, é natural que o rotule, mas à medida que você se aproxima o que se vê é o ser humano. E através da generosidade das pessoas da moda com quem conversei, pude ver e sentir isso. Conheci pessoas incríveis, inteligentes, criativas, inspiradas, com um senso de humor único e responsáveis pelo aumento de um mercado artístico brasileiro, muito novo e expressivo. A moda não tem nada de fútil, é culturalmente rica. A moda é arte. Ainda estou no “mergulho”, então não consigo ainda apontar uma única coisa relevante. Tudo é importante nesse momento.
Tem uma passagem em que o Miguel Falabela te elogiou e você começou a chorar… Como foi?
Foi em uma festa. Eu fui cumprimentá-lo e ele é sempre muito carinhoso comigo, mas naquele dia ele me deu um abraço tão forte, que tinha tanta grandeza e elogiou o que eu venho fazendo de uma maneira tão firme e tão carinhosa, que na hora meu coração recebeu aquilo tudo e disparou. Quando eu andei um pouquinho a lágrima escorreu de alegria! Foi discreta, embora muito profunda. E eu não fiquei emocionada somente com o elogio, mas com a grandeza e com a generosidade do Miguel em me passar tanta coisa boa e firme naquele abraço e nas suas palavras.
Você é emotiva?
Se a “coisa” bate no meu coração, sim. Pode ser algo corriqueiro, um detalhe, mas se tem verdade e beleza vai me tocar profundamente.
Você carrega a pressão em saber se o público está ou não gostando da sua personagem?
A pressão, acho que não, mas carrego a expectativa se o público vai acreditar na personagem, se vou conseguir atingi-lo de alguma forma: seja rindo, se emocionando, torcendo, sentindo raiva… Meu foco é mergulhar no universo do autor, ouvir o diretor e contracenar com meus colegas, com o objetivo claro de mexer no coração do público com a história da qual o meu personagem ajuda a contar.
O que se leva da vida?
O que se viveu.
Amigos…
Ótimos, engraçados, leais e verdadeiros!
Família…
Recanto, intimidade e amor.
Sonho de consumo?
Uma casa com jardim, horta e com um ateliê bem grande onde eu possa escrever, costurar, estudar textos, ensaiar, enfim: um lugar onde eu possa deixar a “criança” solta!
Maior medo?
De assalto.
Maior alegria?
Estar em cena.
Alto Astral é tudo?
Tudooooo!!!!
Livro?
O Ovo Apunhalado, do Caio Fernando Abreu.
Filme?
À Procura da Felicidade.
Se você fosse um rótulo, como gostaria de estar especificada?
Cuidado: material inflamável! (risos)
Você não segue muito os padrões dos artistas… Quando você vai a uma festa, você passa que vai para se divertir e não fazer caras e bocas? É isso?
Nunca reparei se o ambiente está caras e bocas, porque eu acordo para ser feliz, bater um bom papo, para tentar dar o melhor de mim em tudo que faço. Gosto de levar a vida de maneira suave, então acaba sendo tudo divertido. Não é uma diversão histérica. Sei lá…mas, refletindo sobre a sua pergunta eu acho que não consigo ser blasé com a vida.
Você gosta de ser verdadeira?
Nunca parei para pensar: “ó, sou verdadeira” (risos)… Mas, tenho um acerto com a vida de ser honesta comigo mesma. Não de ser a verdadeira, que comete “sincerocídio” e carrega a bandeira da verdade, porque tenho horror a isso! Acredito que cada um tem seu jeito de ser e isso acaba sendo a verdade mais rica de todas!