
Madleine Saade: O que choca é o que vende
Junto com seu ex-marido Humberto Saade, Madleine Saade esteve à frente de um
dos maiores impérios da moda nos anos 70 e 80, a Dijon, marca que lançou
nomes como Vanessa de Oliveira e Luiza Brunet. Em entrevista ela diz que o
que choca é o que vende e se fosse hoje lançaria a Léa T como top model de
sua marca.
Qual a diferença da moda atual para a moda na época da Dijon?
Para estar onde está hoje, a moda brasileira evoluiu muito. Em 1960 e
1970, a gente fazia desfiles com musicais, as roupas eram rasgadas no
palco, usávamos velcro, chocavamos com as modelos de top less. Eu fui uma
das primeiras a colocar Isis de Oliveira e Elke Maravilha desfilando de
top less. Na época, isso era tão avant-garde que escandalizou um pouco,
mas tudo que choca é notícia. Era a mistura do machismo com o nudismo, uma
abertura ao que hoje já se considera normal.
Se pudesse fazer algo diferente naquela época, o que faria?
Continuaria chocando, transformaria uma Lea T, por exemplo, em uma top
model. O assunto é atual, mas as pessoas ainda omitem. Eu nunca omiti a
verdade, mas a gente tem que ter uma cabeça aberta, sem chocar, mas
chocando, a verdade é essa. Acho que o diferencial sempre vendeu. Hoje
para gerar negócio tem que escandalizar, o normal não vende.
Foi você quem descobriu a Luiza Brunet. O que você buscava que te chamou a
atenção nela?
Ela não era tão magra, tinha uma beleza selvagem, era uma beleza
brasileira, tinha a ver com os trópicos… Era a Xuxa ou Luiza e eu achei
que Luiza tinha um corpo escultural, tinha um corpo daquilo que eu queria
lançar. Eu não gostava da Xuxa. A Luiza era diferente, tinha o corpo cheio
e a mulher brasileira podia sonhar em usar aquilo que ela usava… Se eu
escolhece uma mulher mag érrima, on de qualquer roupa cai bem, não teria o
mesmo impacto, o desejo de consumo não seria tão grande.
Hoje em dia as celebridades lotam as passarelas nas semanas de moda. O que
é celebridade pra você?
Na minha época, celebridade eram os intelectuais. Hoje elas saem dos
Realities shows. Mas a gente tem que acompanhar a evolução. O mundo sempre
foi dos originais. Do século passado até hoje, quem se sobressaiu foi quem
fez diferente.
Nos seus desfiles na Dijon as mulheres de top less eram a sensação. Você
acha que de um tempo pra cá houve uma exploração maior da imagem feminina?
Acho que sim, hoje é até um pouco exagerada demais, mas acho que tudo isso
vai acabar… tudo isso é cíclico. Tudo que chega nos limites, volta, se
recicla… Nada se cria, tudo se copia, diz o ditado, não é? A gente vai
chegar numa época que isso vai ser normal, vai deixar de ser novidade e
en tão, have rá um retorno. Isso é a moda.