Entrevista com Vera Gimenez
11 julho 2011 | 4 comentáriosVera Gimenez: “A mulher de César não precisa ser séria, ela precisa
aparentar”
Mãe de Luciana Gimenez e avó de Lucas Jagger diz que não mede esforços para
defender a prole e que as mulheres de hoje podem até ser direitas,mas que
todas são como Natalie Lamoure, em Insensato Coração: “Querem casar e
arrumar um homem sério, mas se vestem de forma vulgar”
Ser mãe da Luciana Gimenez e avó do Lucas Jagger. O que isso muda na sua
vida?
Não muda nada, é a consequência normal da vida. Isso me deixa feliz, ser
avó de duas criaturas lindas, do Lucas Maurice e agora do pequeno Lorenzo
Gabriel.
Você tem contato com Mick Jagger?
Eventualmente, ele quase não vem ao Brasil. Não sou amiga dele, a gente se
encontra raramente quando ele visita o filho, mas o Lucas fica muito com
ele fora do Brasil.
Como é seu relacionamento com a Luciana?
Normal… brigamos como toda mãe e filha. Somos duas pessoas de
personalidade forte.
Você chama a atenção dela? Por que?
A Luciana não tem mais idade para eu chamar a atenção dela, mas eu às
vezes falo coisas que ela não curte, que ela reclama por eu ter falado.
Mas ela é assim: eu falo, ela fica furiosa, mas depois reflete e pode
acabar chegando a uma conclusão que bata com o que eu disse.
Já se viu em alguma situação constrangedora por conta dela?
Já. Várias vezes vi gente chamando minha filha de p… ou coisa assim.
Nessas horas eu saio a luta, discuto, defendo em qualquer lugar, seja no
twitter ou facebook.
As pessoas falam isso?
Agora não falam muito porque a Luciana conseguiu mostrar o seu valor, a
posição dela. Ela é uma pessoa bem equilibrada… Hoje falam menos, mas
falam, principalmente no twitter. E quando falam e eu vejo, sou obrigada a
brigar, a mãe defendendo os pintinhos…
Você já cometeu algum mico social?
Vários. Sou capaz de falar na cara da pessoa o que eu não gosto. Sou
polêmica, aquele tipo que você ama ou deixa. Não sou uma pessoa que faz
charme quando não estou a fim de fazer. Além disso sou extremamente
política, fiz parte dos movimentos estudantis que revindicou mudanças, fiz
parte de uma geração que fez alguma coisa. Não consigo ver problemas como
os bueiros e a Light querendo pagar milhões sem discutir nada com a gente,
com a população. Tinham que descontar esses milhões das contas da gente.
Esses são os meus micos, mas já cai também. Aliás, em um evento social
cair é o maior mico que uma pessoa pode pagar. Eu eu cai numa festa na
casa da Beth Klabin. Eu estava casada com o Jece e tinha acabado de chegar
ao Rio. A casa da Beth era o top do top e na hora de sair eu escorreguei
no mármore e fui deslizando até qua se a porta. Foi pavoroso.
Seus filhos são politizados como você?
Minha filha está numa posição que não pode ter nenhuma opinião política,
pois está casada com o dono de uma emissora de televisão… Já meu filho,
faz parte de uma geração que eu considero aérea, morna, sem opinião. Ele
tem 30 anos e faz parte do mundo da fantasia. Nenhum dos dois são
politizados… A geração do meu neto, das crianças que nasceram a partir
de 1990, é que vai mudar o mundo. Meu neto é aquele tipo que quando vai
escovar os dentes ele abre a torneira, molha a escova, enche o copo d’água
e fecha a torneira falando a água do mundo vai acabar… É um outro tipo
de visão do mundo, mais global.
Você é uma pessoa que se preocupa com essas questões sócio-ambientais? O
que te preocupa mais?
Acho que as pessoas podem festejar e devem, mas hoje você pode reciclar o
lixo e fazer uma série de coisa s simples para melhorar o mundo. No meu dia
a dia eu separo lixo, embora no meu prédio não tenha reciclagem. Procuro
fazer as coisas mais certas possíveis. Mas, acho que o que falta no mundo
é etica. Vê esses políticos? Eles roubam na cara de pau. Isso me assusta,
o nosso país tem sido espoliado desde os portugueses… e continuamos a
ser espoliados por nós mesmos, pelos políticos que elegemos. Eu sei em
quem votei para deputado, vereador e duvido que muita gente saiba… É
nesse sentido que eu tento ser ética.Quando você faz 60 anos, quem vai
dizer que você é p…, que você é feia, que você é qualquer coisa. A Dercy
Gonçalves falava isso, depois de certa idade você está acima do bem e do
mal.
Quais os seus planos futuros?
Estou procurando emprego, quero voltar a trabalhar… Queria muito fazer
uma peça, não to muito interessada em TV. Quero fazer uma comedia, que é
um gênero que eu adoro…
O que faz no seu dia a dia?
Eu acordo tarde, porque fico até duas da manhã acordada… Depois eu vou
malhar e cuido da minha saúde. Vejo TV, leio muito, saio com os amigos e
cuido dos três gatos vira-latas e dos dois cachorros que tenho.
Tem alguma causa que você defenda?
Eu luto pelos animais. As pessoas maltratam muito eles, por isso eu tento
ajudar as sociedades protetoras com doações.
Você acha que a mulher ainda sofre com críticas a respeito da sua moral?
O que esta acontecendo é o seguinte: eu acho que as meninas estão com uma
síndrome que eu acho horrorosa, você olha para uma garota, ela pode ser
direita, mas esta vestida que nem uma p…, aparecendo a calcinha. Existe
um exagero enorme em matéria do corpo, as mulheres têm que estar lindas,
maravilhosas e todas de pernas de fora. Eu adoro a Debora Secco em
Insensato Coração e o personagem dela fala isso. Ela não é p…, tanto que
ela não queria sair com um homem casado, ela queria um homem sério, ela
queria casar, queria ter filhos e no entanto a roupa dela é vulgar, de uma
p… chique, mas de p… As mulheres sofrem esse tipo de preconceito. Saem
na noite e os homens não tem um pingo de respeito. As próprias mulheres
não impõem respeito. Eu sou da geração que abriu as portas para transar,
trepar… eu dei muito, trasei muito, mas a questao não é essa, a mulher
pode fazer isso tudo, mas precisa se valorizar. Existe um ditado que diz:
a mulher de Cesar não precisa ser séria, ela precisa aparentar.

