
Miss Mundo sendo entrevistada
Fui convidado para ser um dos julgadores do concurso Miss Brasil World, que aconteceu nesse fim de semana, no resort Portobello, em Mangaratiba. Como sou curioso, resolvi aceitar e ver como funciona esse tipo de avaliação. Quando falamos de competições desse gênero, logo lembramos de Vera Fisher, Marta Rocha e Adalgisa Colombo.
Chegando ao local do evento, me deparo com as misses e os misters – isso mesmo, misters, também – andando para cima e para baixo com suas faixas do tipo Mr. Acre, Miss Santa Catarina e assim vai. Não sei se era uma obrigação imposta pela organização, para que todos pudessem ser facilmente identificados, mas que era engraçado, isso era. Imagina só: tomar café com a Miss Paraíba e conversar a Miss São Paulo. Enriquecedor? Poderia ser, mas as conversas só giravam em torno dos próprios concursos ou sobre drenagens, produtos de beleza, etc… Um universo paralelo.
Uma jornalista engraçadinha resolveu fazer umas perguntinhas para as concorrentes. Juntou um punhado delas, ligou a câmera e começou a entrevistar. “Quem é o nosso vice-presidente da república? Qual a raiz quadrada de 81?” As respostas, claro, eram sempre as mesmas, não me lembro, não sei. O ápice foi quando ela, a repórter , perguntou: “Qual a próxima cidade sede da olimpíada?” A Miss, linda e loira – que por questões éticas não vou identificar – respondeu: “Não me lembro.” Também , vamos lá, não é a função delas saber esse tipo de coisa. Ou é?
Começado o tão falado concurso, me sento ao lado da Miss Mundo, a chinesa Wenxia Yu, famosa miss que foi barrada por ter vindo para o Brasil sem visto no dia primeiro de abril e teve que dar meia volta e buscar no consulado brasileiro em Londres, uma autorização. Tentei conversar e perguntar algo para a bela moça, que volta e meia ajeitava sua coroa de pedras. A tentativa foi em vão. A chinesinha só falava duas palavras em inglês e a todo instante dava o famoso tchauzinho, com o braço grudado ao dorso.
Lá pelas tantas, depois do desfile de biquíni e de gala, chegou a hora de votar. A chinesa queria, porque queria, votar em uma menina que já havia sido desclassificada na semi-final. Ela queria votar na Miss Ilha Grande. E para explicar que ela não poderia votar na moça que usou o vestido de cristais? Não falava inglês, português, espanhol e nem francês… Até que uma santa alma emprestou um telefone com várias fotos das possíveis candidatas e a Madame Wenxia teve que escolher outra, mesmo a muito a contragosto.

Passado o momento da votação, a Miss Ilha dos Lobos, Sancler Frantz, de 21 anos, foi eleita a campeã. Fotos, fotos e muitas fotos. Mas, como ninguém é de ferro, as meninas foram comemorar. Mas engana-se quem acredita que elas brindaram com o champanhe que a situação pedia. Elas se reuniram, juntaram dinheiro, mas o que deu pra comprar foram algumas garrafas de cachaça Velho Barreiro. Na beira da piscina elas comemoraram, então, o fim do concurso e assim celebraram a vida de miss. O badalo durou até o sol raiar, com cenas que prefiro deixar cada um imaginar…