Tempo de ajuste

06 maio 2013 | deixe seu comentário (0)

Frederico Júdice

 

Conforme adiantou a matéria da jornalista Sofia Cerqueira, na VEJA Rio, em junho de 2012 –  http://vejario.abril.com.br/edicao-da-semana/mercado-imobiliario-rio-689786.shtml – o mercado imobiliário da cidade não tem passado por dias tão felizes como os vividos no primeiro semestre de 2011. “ Antes o comprador via um apartamento e queria assinar a papelada ainda no elevador”, conta Frederico Júdice, representante da imobiliária americana Christie´s, que completa: “A cidade passa por um ajuste normal e quem investiu, sem negociar, em uma propriedade nesse período, ainda vai ter que esperar um tempo para conseguir ver o imóvel chegar ao patamar que foi pago naquela época”.

Passado esse período de euforia,  uma queda entre 10 e 15% vem sendo observada em toda a cidade. A região mais afetada é a Barra da Tijuca, que segundo especialistas está com o mercado mais atravancado do que a Zona Sul. No entanto, os ricos estrangeiros ainda buscam um lugar em nosso paraíso. É o caso dos atores Mônica Bellucci e Vicent Cassel. O casal tem sido assunto em um pacato condomínio de São Conrado. Segundo moradores da região, os estrelados teriam comprado, por alguns milhões, uma casa ali. A ordem é de sigilo total e muros dignos de um forte vem sendo levantados dia após dia.

 

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Rio de Janeiro: Abençoado por Deus e esquecido pela TAM

01 maio 2013 | 6 comentários

 

Não é de hoje que o carioca sofre com os problemas das cias aéreas brasileiras e aeroportos que ocupam espaço na cidade. Seja no Galeão ou no Santos Dumont, a todo instante uma novidade é apresentada. Em 2007, quando recebemos os Jogos Pan Americanos, tivemos um reforma voadora nas estruturas do espaço que leva o nome do pai da aviação. Tudo feito às pressas e com inúmeros problemas evidenciados apenas um ano depois da conclusão das obras, quando teve que ser parcialmente interditado para uma nova reforma nas pistas. Mesmo com todo o dinheiro gasto, o local mais importante não tinha recebido a atenção devida . As pistas não tinham as ranhuras para colaborar no atrito gerado pela aterrissagem dos aviões.

O Santos Dumont, então, perdeu todos os vôos para o abandonado Galeão, restando apenas a ponte aérea Rio – São Paulo, que por sinal tem a fama de ser a terceira rota mais movimentada do mundo.

No dia 2 de outubro de 2009, a cidade maravilhosa foi anunciada cidade olímpica para 2016. O que para o pensamento coletivo significava que o Rio, finalmente, iria receber estrutura em seus aeroportos, estradas e para o transporte  público. Afinal de contas, além das Olimpíadas temos a primeira viagem internacional do novo Papa para a Jornada da Juventude, Copa das Confederações e Copa do Mundo. Isso sem falar na agenda normal da cidade que é tida como destino que vende o Brasil internacionalmente – em 2012 entraram 1.164.187 visitantes de outros países na capital fluminense. Um acréscimo de 11,4% em relação aos números de 2011.

Pelo visto essa agenda não abriu aos olhos da cia aérea mais chilena que o Brasil tem: a Tam. A cidade olímpica  vem sendo tratada como grupo de acesso e gradativamente perde rotas clássicas como: Paris e Frankfurt – que deixarão de operar em agosto desse ano. Isso sem falar em Miami que de São Paulo sai um 777 novinho em folha e do Rio um capenga 767-300, com poltronas quebradas, aeronave suja e serviço de categoria infinitamente inferior. A dica que fica é a ouvida nos corredores da cidade americana da Flórida. A Lan, ou melhor, LaTam,  visa apenas o lucro deixando de lado a função real do transporte público em um país civilizado: atender ao  brasileiro.

E vamos combinar… Qual seria a intenção do Chile no Brasil, se não o de ganhar dinheiro? Cabe a nós repudiarmos esse ato e passarmos a viajar em cias de outros países, que nos valorizem de fato.

 

 

 

 

Projetor do 767-300. As poltronas  não contam com monitores individuais.

 

Detalhe do chão sujo e do carpete descolando. 767-300 do vôo Rio-Miami

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Planeta miss

08 abril 2013 | deixe seu comentário (0)

 

Miss Mundo sendo entrevistada

 

Fui convidado para ser um dos julgadores do concurso Miss Brasil World, que aconteceu nesse fim de semana, no resort Portobello, em Mangaratiba. Como sou curioso, resolvi aceitar e ver como funciona esse tipo de avaliação. Quando falamos de competições desse gênero,  logo lembramos de Vera Fisher, Marta Rocha e Adalgisa Colombo.

 

Chegando ao local do evento, me deparo com as misses e os misters  – isso mesmo, misters, também – andando para cima e para baixo com suas faixas  do tipo Mr. Acre, Miss Santa Catarina e assim vai. Não sei se era uma obrigação imposta pela  organização, para que todos pudessem ser facilmente identificados, mas que era engraçado, isso era. Imagina só: tomar café com a Miss Paraíba e conversar a Miss São Paulo. Enriquecedor? Poderia ser, mas as conversas só giravam em torno dos próprios concursos ou sobre drenagens, produtos de beleza, etc… Um universo paralelo.

 

Uma jornalista engraçadinha resolveu fazer umas perguntinhas para as concorrentes. Juntou um punhado delas, ligou a câmera e começou a entrevistar. “Quem é o nosso vice-presidente da república? Qual a raiz quadrada de 81?” As respostas, claro, eram sempre as mesmas, não me lembro, não sei. O ápice foi quando ela, a repórter , perguntou: “Qual a próxima cidade sede da olimpíada?” A Miss, linda e loira – que por questões éticas não vou identificar – respondeu: “Não me lembro.”  Também , vamos lá, não é a função delas saber esse tipo de coisa. Ou é?

 

Começado o tão falado concurso, me sento ao lado da Miss Mundo, a chinesa Wenxia Yu, famosa miss que foi barrada por ter vindo para o Brasil sem visto no dia primeiro de abril e teve que dar meia volta e buscar no consulado brasileiro em Londres,  uma autorização. Tentei conversar e perguntar algo para a bela moça, que volta e meia ajeitava sua coroa de pedras. A tentativa foi em vão. A chinesinha só falava duas palavras em inglês e a todo instante dava o famoso tchauzinho, com o braço grudado ao dorso.  

 

Lá pelas tantas, depois do desfile de biquíni e de gala, chegou a hora de votar. A chinesa queria, porque queria, votar em uma menina que já havia sido desclassificada na semi-final. Ela queria votar na Miss Ilha Grande. E  para explicar que ela não poderia votar na moça que usou o vestido de cristais? Não falava inglês, português, espanhol e nem francês… Até que uma santa alma emprestou um telefone com várias fotos das possíveis candidatas e a Madame Wenxia teve que escolher outra, mesmo a muito a contragosto.

Passado o momento da votação, a Miss Ilha dos Lobos, Sancler Frantz, de 21 anos, foi eleita a campeã. Fotos, fotos e muitas fotos. Mas, como ninguém é de ferro, as meninas foram comemorar. Mas engana-se quem acredita que elas brindaram com o champanhe que a situação pedia. Elas se reuniram, juntaram dinheiro, mas o que deu pra comprar foram algumas garrafas de cachaça Velho Barreiro. Na beira da piscina elas comemoraram, então, o fim do concurso e assim celebraram a vida de miss. O badalo durou até o sol raiar, com cenas que prefiro deixar cada um imaginar…

 

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Atual Miss Mundo é deportada no aeroporto do Rio de Janeiro

02 abril 2013 | 3 comentários

Miss mundo 2012, a chinesa Wenxia Yu chegou na noite desta segunda-feira, 1 de abril, ao Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, mas não pode entrar no Brasil. Sem visto, ela foi deportada para Londres  e tentará em tempo recorde conseguir a permissão para voltar ao país à tempo do concurso Miss Brasil World 2013, que acontecerá no hotel Portobello Resort, em Mangaratiba, no fim dessa semana. Com o imprevisto, todas as recepções preparadas para recebê-la foram por água abaixo. O colunista angrense Andrei Lara, que tinha fretado um helicóptero para passear com a moça amanhã, precisará encontrar outra finalidade para o transporte . “Não sei o que vou fazer com esse helicóptero”, disse desolado.

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A cúpula

18 março 2013 | 3 comentários

Recentemente ajudei a engordar as estatísticas do grande número de brasileiros que passam as férias nos Estados Unidos. Passeando por uma grande loja de decoração, vi uma cúpula que seria perfeita para a nova casa da minha mãe. Mandei a foto por e-mail e ela adorou, dizendo que nos últimos três meses havia rodado pelo comércio daqui, atrás de um modelo daquele tipo, e nada. E pedido de mãe, que filho não atende? Decidi, então, que levaria o objeto.

Tudo pago, embrulhado, veio então a dúvida: como levar uma cúpula na minha mala? Pensei, pensei… Despacho em uma caixa ou mando pelo correio? Como iria ainda viajar por alguns dias e trocar de hotel , achei que a melhor forma seria mandar por uma transportadora. O objeto custou aproximados cem reais e por isso estaria dentro dos limites da lei. Pedi na recepção do hotel, então, uma transportadora para levar àquela caixa enorme, porém leve e de conteúdo frágil. Em terras americanas, tudo foi fácil. Na própria recepção fizeram o preenchimento de todos os papéis e, com a nota fiscal, enviei para o Brasil.

Terminadas as minhas férias, depois de duas semanas, retornei ao Brasil e quando chego em casa, nada de cúpula. Fiquei tenso… o que falar para a minha mãe, agora? Pouco tempo depois recebo uma ligação do aeroporto de Viracopos, em Campinas. Um funcionário dizia que o objeto estava no despacho, mas precisavam do meu CPF para que pudessem efetuar a entrega. Passei o número, mas depois disso recebo uma carta solicitando que mandasse, por e-mail, mais informações sobre o produto. Foram muitas trocas de e-mail até que passadas três semanas recebo a sonhada cúpula com uma surpresa: deveria pagar no ato da entrega, em dinheiro, uma taxa de mais de 130 reais ou então o produto voltaria para o aeroporto. Isso, sem contar aquele valor da entrega que havia pago nos Estados Unidos e que já tinha sido debitado do meu cartão.

Com calma, mas indignado, depois de pagar fui ver o que era aquela taxa – 60% de imposto de importação, 15% de ICMS do valor declarado, um valor de 16 dólares para a Infraero, outros 10 dólares por pesquisa de CPF (Ué? Não fui eu quem mandou por e-mail meu CPF?) e mais 1% para o Fundo de combate à pobreza e desigualdades sociais. Pensei eu cá com os meus botões: a cúpula triplicou de preço se somar tudo com o transporte e impostos. Às vezes , não entendemos , com isso, porque os nossos produtos são tão caros. E porque um celular, por exemplo, custa exatamente três vezes mais barato lá fora. Achamos, com isso, que nossos lojistas estão ganhando rios de dinheiro e que estamos sendo enganados, mas na realidade pagamos essa pilha de impostos para ruas esburacadas, lixo jogado nas esquinas e uma saúde pública de péssima qualidade.

Uma lição eu aprendi com a cúpula da minha mãe. Descobri novas taxas, impostos e decididamente vou valorizar ainda mais os nossos comerciantes.

 

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