Um dia na cola de Thalita Rebouças

09 setembro 2011 | 6 comentários

Nesta quarta (7), a reportagem de Veja Rio viveu o sonho de muitas garotas: passamos um dia inteirinho na cola da escritora Thalita Rebouças, que está lançando Era Uma Vez Minha Primeira Vez, seu décimo segundo livro, e comemorando a marca de um milhão de exemplares vendidos. Em plena correria de Bienal, a fofa deixou a gente grudar nela e segui-la por todos os cantos da feira. Entre gritos histéricos, perrengues, choradeira (das fãs e da própria Thalita), foram mais de sete horas – do momento em que ela chegou até a hora em que foi embora – acompanhando tudo bem de perto, inclusive situações de bastidores a que ninguém mais teve acesso. Veja agora tudo o que a gente viu e ouviu na maratona Thalita. Preparem-se: tem coisa até de deixar o queixo cair, como a fã que tentou subornar a equipe da escritora com sete reais por um autógrafo.

11h. Thalita já estava a postos na sala dos autores, nervosa, esperando o grande momento de responder as perguntas das fãs no evento Conexão Jovem. “Hoje você vai bater recorde. A fila de autógrafos está dando voltas!”, informaram logo de cara. A escritora estava tão agitada acenando pela janela, pulando, jogando beijos e lendo os tuites das fãs (“Olha que fofo esse: ‘Tha, já estou aqui na Bienal, muito nervosa’. Ai, eu também, amiga!”, respondeu em voz alta) que não conseguiu comer nada. E olha que os quitutes à disposição, como croissants, mini sanduíches e bolinho de nozes, eram irresistíveis.

Thalita acena para as fãs da janela da Sala dos Autores

11h40. Entra um desesperado na sala avisando que já iam começar a distribuir as senhas para a sessão de autógrafos, marcada só para às 14h, porque não estava dando mais para conter a ansiedade das meninas. Do outro lado da sala, Thalita posava para a foto de um jornal – “Ai, peraí, tira outra porque essa não ficou boa!”. Sim, mulheres são exigentes, até as mais lindas como a Thalita. Do alto de seus 36 anos com a meiguice de 18, sapatos pink maravilhosos que fizeram o maior sucesso (Louboutin, meninas!) e trajando um vestidinho preto Diane Von Furstenberg gracioso e comportado, mas que fez muito marmanjo babar, ela estava deslumbrante para sua palestra de estreia na Bienal do Livro. “Agora até os meninos gostam de mim!”, disse, contente. Sabe a Barbie, aquela boneca bonita, bem vestida e sempre alegre, que carrega um sorriso estampado naturalmente no rosto? É a Thalita.

O look fashion de Thalita Rebouças na Bienal do Livro

12h05. Ao deixarmos a sala dos autores em direção ao auditório Dinah Queiroz, bombardeio de flashes e gritos: “Thalitaaaa!”, “Sai da frente!”, “Aiii, não empurra!” “Tira essa foto direito!”. Uma mulher com carrinho de bebê berrava e chorava porque não tinha conseguido senha para a palestra. Tamanha confusão não é para qualquer um, só para os fofos. E isso sem falar nas cantadas… “Nossa, bonita mesmo, hein?”, disse um pai ali no meio da bagunça. A autora tentou parar, falar, fotografar com as fãs, mas logo seu fiel escudeiro Cal, marido e super companheiro para todas as horas, lembrou do horário apertado. De repente, Thalita sumiu. O cordão de seguranças havia se fechado em volta dela. Corremos atrás dos homens de preto, pegamos um atalho secreto e chegamos, enfim, ao auditório, onde estavam presentes mais de 400 pessoas.

12h10. A primeira pergunta sorteada foi: “O que você já quis ser quando crescesse?”. “Muita coisa! Quis ser astronauta para ter um foguete e sair voando; dona de boate, porque eu não queria ter hora para parar de me divertir; dançarina do Trio Los Angeles, e dona de um shopping que já tinha até nome: Cafonérrimo”, respondeu. Foram mais de 10 perguntas até o final do bate-papo, todas respondidas com a maior atenção e, o mais impressionante, com a mesma empolgação desde o início (vocês se lembram que ela estava sem café da manhã, né?).

13h. O fã clube oficial da escritora revelou uma grande surpresa ao final da palestra, em homenagem ao milhão de exemplares vendidos pela autora: meninos e meninas usando camisetas comemorativas levantaram placas que formavam uma frase bastante usada por Thalita: “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”. Emocionada, ela chorou litros e tentou, em vão, se recompor para os fotógrafos. “Vocês vão mesmo me fotografar com essa cara de sapo?”. Por fim, recebeu os presentes das fãs (camisetas, bichos de pelúcia e sabe Deus mais o que) e agradeceu o carinho dos leitores: “Tenho o maior orgulho de escrever para vocês, e é o que eu vou continuar fazendo até ficar velhinha gagá. Espero que vocês não enjoem de mim tão cedo!”.

Depois da homenagem, Thalita abraça as fãs no palco

13h10. Nova correria com quatro seguranças ainda maiores até a sala de autores. Lá, ela soltou o choro que havia engolido na frente de todo mundo. “Vocês viram que lindo? Nunca imaginei uma homenagem dessas para mim! Essas meninas são demais!”, disse com as pernas bambas de tanta emoção, amparada pelo marido para não cair. “Você merece, meu amor”, ele afagou os cabelos da escritora. A essa altura, toda a equipe já estava chorando junto.

13h20. Thalita correu para o banheiro e saiu recomposta, maquiagem refeita e equilíbrio restaurado para começar a bateria de entrevistas e novas fotos. Os jornalistas aguardavam ansiosos. “No ano que vem vou batalhar pela carreira internacional. Já estou com agente na Espanha. Depois, por que não China e Japão?”. Com toda aquela energia no ar, Thalita jogou na mesa o desejo de conquistar o mundo.

Na Sala de Autores: Thalita chorando enquanto abre os presentes que ganhou das fãs

13h30. Papo encerrado, a escritora engoliu uma saladinha de feijão fradinho com bacalhau – e mais nada (por isso que é magra!). Ainda parou para atender uma fã com deficiência visual antes de dar as últimas garfadas. “A gente precisa tomar o maior cuidado. O que tem de menina fingindo ser cega de verdade só para furar fila e conseguir um autógrafo dela!”, comentou Cal.

O almocinho básico da Thalita: salada de feijão fradinho com bacalhau

14h. Depois de escovar os dentes (atender as fãs com bafo não dá!), era hora de encarar nova correria: dessa vez até o estande da editora Rocco, para a sessão de autógrafos. A muvuca estava ainda pior. “Não chamem minhas fãs de muvuca!”, brigou Thalita antes de sumir novamente no cordão de seguranças em meio a gritos e flashes ainda mais ousados.

A correria por um atalho secreto antes de Thalita sumir no cardão da segurança

14h05. A escritora começou a distribuir os autógrafos firme e forte, sobre o salto e sob o calor, em pé mesmo – cadeira é só para os fracos. Em volta, sete pessoas cuidando da fila e da segurança. Na mesinha de apoio, bottons para dar de agradinho para as fãs, dois copos d’água, lencinhos para enxugar o suor e não brilhar na foto, e dois batons, um Lancôme e outro Givenchy (fina!), para carimbar um beijo nos livros – “Minha boca fica toda ressecada!”. Quem não conseguiu pegar uma das 230 senhas para chegar pertinho da Thalita se aglomerava em volta do estande para tentar ao menos uma foto com a escritora. Os gritos chamando por ela vinham de todos os lados. Como um peru tonto, ela tentava, entre um autógrafo e outro, atender quem estava de fora e posava para os flashes, que chegavam de todos os lados. Mas, para os que estendiam os livros tentando a sorte de um autógrafo, ela se desculpava: “Gente, não posso! O pessoal que pegou senha vai me matar e matar vocês também se eu fizer isso. Imagina a tragédia…”.

14h10. “Bate a foto direito!”, uma fã repreendeu a avó, nervosa, na hora em que estava pegando o autógrafo da “ídala”. “Estou aqui desde as oito da manhã com a minha neta e ela ainda briga comigo, pode?”. Não pode, vovó, mas entenda que a Thalita desperta tantas emoções quanto um galã do seu tempo. É como se ela fosse um Frank Sinatra de saia e sem o olho azul, entende? Todo mundo chega perto chorando de tanto nervosismo e sai sorrindo de alegria.

A sortuda que ganhou o primeiro autógrafo

14h20. “Depois te conto como foi o jogo do Fluminense, viu?”, uma fã disse feliz, se despedindo com o autógrafo garantido. “Ai, conta sim, avisa lá no meu Twitter!”, respondeu Thalita, tricolor roxa. “Outro dia me perguntaram para qual jogador do Flu eu mandaria o meu ‘fala sério’. Do jeito que o time tá, eu nem sei. Só sei que quero o Conca de volta!”, comentou ali com a equipe.

14h30. Um pai se aproxima para reclamar e tirar satisfação. “Estão furando fila! Eu e minha filha estamos há três horas esperando e nossa vez nunca chega, só brota mais gente”. Uma pessoa da equipe tenta acalmar os ânimos. “Administração de filas deveria ser matéria de faculdade”, suspirou Cal, também fotógrafo oficial da amada. Enquanto isso, a gritaria continuava rolando solta. “Thalitaaaa! Vira para cá para eu conseguir pelo menos tirar uma foto sua! Ou até para isso preciso de senha?”. Ui! Adolescentes ácidas.

Thalita jogando beijo para a multidão: ela tenta agradar todo mundo

14h40. “Ai, estou passando mal de tão nervosa!”. A exclamação, pasmem, veio de uma mãe que, assim como a filha, também curte as histórias de Thalita Rebouças. A fã balzaquiana, que chorava mais do que muita menina novinha, também ganhou autógrafo, beijo, bottons e, claro, foto ao lado da escritora. “Ainda bem que ela é celebridade só nesses casos. Não é como uma Paola Oliveira que nem consegue andar no shopping, ou na rua”, respirou Cal, aliviado.

14h50. Uma garota lança um grito tão potente quanto o barulho da turbina de um avião direto no ouvido de uma mocinha do estande que ajudava a bloquear a entrada de penetras sem senha. “Se você me deixar entrar, eu prometo que paro de gritar”. A reportagem não conseguiu apurar se a pobre coitada ficou surda após o evento, mas o fato é que penetra algum entrou na festa.

Na mesa de autófragos da Thalita: bottons, lencinhos, dois batons para beijar os livros e copos d'água

15h. Em um mergulho lindíssimo, um possível parente do nadador Cesar Cielo foi ao chão com a máquina fotográfica para capturar o melhor ângulo da filha com a Thalita. Rendeu até susto e gritinhos de quem estava por perto. Da arte de transformar pais em ‘paiparazzos’…

15h20. “Tem gente sem senha dizendo que vai conseguir um autógrafo da Thalita de qualquer jeito, porque vai começar a chorar e ela vai ficar com pena”, avisou uma garotinha, toda esperta. “Não se preocupe, a gente não tem coração. Só entra quem tiver senha”, disparou outra mocinha do estande. Quase ao mesmo tempo, uma adolescente berrou, aos prantos: “Thalitaaaa! Me expulsaram da fila!”. Preocupada, a escritora queria saber se aquilo era verdade. Cal, com seus olhos de águia, enxergou a tentativa de golpe da jovem e mandou a esposa seguir adiante com os autógrafos, sem se preocupar.

16h30. O cansaço deu seus primeiros sinais de vida. Apesar de atender cada menina (e menino) com o mesmo carinho, atenção e sorriso sincero, foi preciso apelar a um remedinho contra dor de cabeça. Mas os gritos em volta continuam… “Quer parar, meu amor? Você está bem?”, perguntou Cal preocupado. “Se eu estou bem? Estou ótima! Olha quanta gente aqui para me ver!”, devolveu Thalita. 

 

A aglomeração ao redor do estande da Editora Rocco: todos queriam tirar uma casquinha da escritora

 

16h45. Dor de cabeça resolvida, era hora de matar a fome. Mas nem pensar em sair dali para fazer um lanchinho. A escritora precisou se virar ali mesmo, atendendo as meninas de boca cheia enquanto saboreava mini folheados de palmito e jujubas coloridas. Para não correr o risco de sair na foto com o dente sujo, Thalita mudou a estratégia para as fotos: ao invés de sorrir, só fazia biquinho.

17h. Perdendo as esperanças de conseguir um autógrafo (e os escrúpulos), uma menina de mais ou menos 8 anos de idade tentou subornar a equipe da escritora. “Tenho sete reais aqui no meu bolso. Se eu te der, você me deixa passar?”, sugeriu a uma funcionária. A resposta foi, mais do que uma bronca, um discurso sobre a corrupção no país e sobre as pessoas que contribuem para que esta vergonha se perpetue no Brasil.

17h50. Chega a vez de uma menina que estava na fila com um cartaz para Thalita ganhar seu autógrafo. “Ei, peraí, você vai embora sem me dar o cartaz de presente?”, perguntou a escritora. “Ué, você quer?”, se surpreendeu a fã. “Claro! Eu guardo absolutamente tudo de vocês. Tenho duas gavetas lá em casa só de cartazes”, revelou.

Pose para a foto: fã entrega cartaz para Thalita

18h13. Uma garota trauxe um livro de Anne Rice para Thalita autografar. Oi? Como assim? “Eu autografo, mas não deixa a Anne ver, viu?”, brincou. A autora estrangeira era a próxima a autografar no estande da Rocco. “Coitada da Thalita ser confundida com aquela feiosa”, comentou alguém ali perto.

18h30. Thalita deu seu último autógrafo enquanto a equipe toda comemorava o fim das quase cinco horas de fila. “Por que vocês estão comemorando, seus doidos? Eu estou triste porque acabou!”. Chegava ao fim um dia para popstar nenhum colocar defeito. Agora, cá entre nós, ser celebridade não é para qualquer um, não. Haja fôlego e disposição!

Você aguentaria a maratona?

Tags: Publicado em: Bienal
Comentários
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  • Severino Rodrigues

    A Thalita arrasa e vocês do blog arrasaram também com essa cobertura. Sucesso!

  • Mayra

    Thalita é uma linda! Tenho um orgulho dessa mulher que não tá escrito, rs. Na próxima Bienal do Rio, à qual eu tenho que ir!, vou entrar na fila com as menininhas de 13 do alto dos meus, então, 21 anos. E feliz. E com orgulho! Achei conforto e dei muita risada com os livros dela quando precisei. Os anos se passaram e ela faz cada vez mais sucesso e continua a mesma fofa de sempre. Tem como não amar?

  • Bárbara Reis

    Ela merece tudo isso que está acontecendo. Adooooro os livros de Thalita e ainda mais quando ela escreve alguns acontecimentos parecidos com os meus :) Ela me entende, apesar da distância e a falta de contato! Meu primeiro contato com minha linda escritora foi dia 08.09.2011, nessa Bienal. Foi tudo lindo. Fiquei CINCO HORAS na fila esperando por ela e quando cheguei pertinho dela, não deu outra: sorriso de orelha a orelha :D Foram os melhores 5 minutos da minha vida! Eu a amo muito ♥

  • Carolina Lopes

    Bela matéria! divulguei em todas as minhas redes. Foi muito bem elaborada e por estar separada pelos horários, só faz com que a pessoa queira continuar lendo, mesmo. A Thalita é realmente um doce, já tive o prazer de conhecê-la. Parabéns! acho que vou postar até mesmo no meu blog. Beijocas!

  • Nathália Prazeres

    Nem sei o que falar! Amei a matéria .. pronto chorei! :') ahahaha, te amo! E amei fazer a homenagem! Estamos (eu e o fã-clube) muito felizes, você não tem noçãããão. Obrigada por tudo!

  • Mari Oliveira

    Que delicia de post, nossa, qtos detalhes, fotos tão fofas e tão espontâneas que foram... Amei!! Um beijo**