Rua dos Oitis, Gávea

09 maio 2013 | deixe seu comentário (0)

Enquanto à noite o Baixo Gávea se transforma em um dos locais mais boêmios da cidade, eu fui passear pela Rua dos Oitis logo em seu momento do dia mais calmo: a manhã.


Braseiro. Restaurante tradicional na Gávea, ele fica na esquina da Praça Santos Dumont com a Rua dos Oitis.

por Pedro Paulo Bastos

Quando cruzei a Praça Santos Dumont na última terça-feira 7, o chafariz no centro daquele espaço ajardinado ainda não estava em funcionamento nem mesmo as crianças das escolas municipais ali perto faziam algazarra pelas calçadas da Gávea. A esquina da praça com a Rua dos Oitis pouco lembrava a intensa badalação que tem em determinados dias da semana – é um dos locais mais boêmios da zona sul. Os restaurantes Hipódromo e o Braseiro, vizinhos da Rua dos Oitis e amistosamente rivais de público, iniciavam suas atividades do dia timidamente, sem a grande aglomeração de clientes que lhes é particular. A partir do encontro com a Rua José Roberto de Macedo Soares, a Rua dos Oitis apresentava-se em uma reta de árvores de diferentes tamanhos e modelagens margeadas por residências. De comércio por ali, ou melhor, de restaurante, o único sobrevivente é o restaurante Sushimar. O cheiro dos peixinhos crus chegava à calçada da Rua dos Oitis. Não sei se era um bom ou mau sinal, mas que me abriu o apetite, ah, isso sim.

De bairro operário à bairro preferido de arquitetos e moderninhos, a Gávea tem toda uma energia cativante dos bairros pequenos e aconchegantes, e o melhor, sem perder a sua identidade. Ao longo da Rua dos Oitis isso pode ser comprovado: é um dos poucos lugares da zona sul onde as casas originais foram preservadas, mesmo as menos sofisticadas. Grande maioria, é claro, porque já se levanta muito prédio por lá. Inclusive, ali próximo da Rua dos Oitis é possível ver os resquícios de uma antiga vila operária, que na verdade nunca chegou a se concretizar de fato por questões políticas, segundo o livro “150 anos de subúrbio carioca” (Lamparina editora; Editora da UFF), um compilado de pequenos artigos de diferentes autores organizados por Márcio Piñon de Oliveira e Nelson da Nóbrega Fernandes. As escolas Júlio de Castilhos e Manuel Cícero são um exemplo deste marco histórico. Ao mesmo tempo que essa preservação toda é fantástica, também mostra-se curioso o fato de ser uma das regiões mais caras da cidade sem que ofereça um luxo associado a esses valores estratosféricos. A geografia carioca influencia muito mais nestas questões do que o espaço urbano em si.


O trecho boêmio. Até o encontro com a Rua José Roberto de Macedo Soares, a Rua dos Oitis concentra simbólicos estabelecimentos comerciais, como alguns restaurantes, uma banca de jornal e drogaria
.


Caráter residencial. Calçadas espaçosas e ajardinadas são passeio para as residências de lá. Poucos os edifícios que são altos.

Simplicidade deveria ser o sobrenome da Rua dos Oitis. Uma casinha detonada ganha cores fortes e um muro é criteriosamente grafitado, já tornando-se um atrativo à parte. Ou então uma reles janela de madeira, que ganha uma mãozinha de tinta em vermelho forte, contrastando com o branco de sua fachada. Ou então um muro rosa, pertencente a uma escola de ballet. Ou o mais jocoso – fofinho, na linguagem feminina – dos detalhes nunca antes visto por mim em uma rua: um boneco grande do personagem belga Tintim bisbilhotando o movimento da Rua dos Oitis através de um janelão de vidro. Milu, o fox terrier de pêlo branco, é claro, não podia estar longe de seu dono. Esse ambiente divertido, compartilhado com os olhos do público, pertence ao escritório do arquiteto Chicô Gouvêa, que é fascinado pelo personagem. A fachada da casa é toda composta de amarelo, laranja e branco, o que comprova a proposta despojada do imóvel.

A impessoalidade que comumente os edifícios têm – um sem-fim de apartamentos, muita reserva -, por alguma razão não fazia parte do contexto da Rua dos Oitis. Pelo menos naquela manhã. Percebi uma interação muito forte de alguns moradores, do alto de suas janelas, com quem vinha passando pela rua. Até porque muitos são edifícios não tão altos, com poucos pavimentos, alguns dispõem de varandas, então a aproximação com o espaço da rua é maior. Vendedores ambulantes ou aquelas kombis no estilo “compro-tudo”, anunciando-se em megafones que deixam a voz do locutor meio esganiçada, passavam tranquilamente ao longo da rua. Cena rara de se ver em uma rua da zona sul. Pelas calçadas o movimento era baixo, embora quem passasse ali tivesse toda uma identidade muito bem marcada: a babá negra uniformizada com uma criança lourinha à tiracolo; um casal de senhores, bengala numa mão e a outra dada à esposa; jovens bonitos, de aparência cosmopolita; uma atriz jovem de telenovelas, em companhia de um amigo.


Detalhes. O personagem Tintim observa todo o movimento da Rua dos Oitis de forma atenta com seu fox terrier, enquanto casas geminadas muito bem tratadas representam o caráter operário da Gávea no século passado
.


Vistas. O Corcovado é avistado graças ao gabarito limitado da rua, preenchida por muitas casas ao longo de sua extensão.

O mais legal de se caminhar por uma rua de gabarito limitado é poder observar o desenho do Maciço da Tijuca, que é muito bonito visto desta região da Gávea. Se o Cristo Redentor dá as suas costas à Rua dos Oitis, o que não o deixa menos bonito, o contorno do Corcovado, por sua vez, fica bem mais em evidência do que na orla da Baía de Guanabara. E acaba que esse gabarito limitado vai se representando em outros tipos de imóveis interessantes, como uma série de casas geminadas, já nas proximidades da Rua das Acácias, e uma vila bem charmosa no número 52, adornada por uma alta palmeira. As janelas que dão diretamente para a rua são exemplos de um Rio que ficou para trás, já que hoje vivemos enclausurados entre grades, portões, subportões, e muitos outros aparatos de separação (e proteção) do espaço público com o privado. Na Rua dos Oitis são muitas as janelas que ainda convivem com a rua.


Outros detalhes. Flor brota de uma árvore “pelada”; ao lado, um dos únicos imóveis modernosos da rua.

A arborização abundante – afinal, é a rua “dos Oitis” – perfura as calçadas, descompõe a estrutura dos canteiros e invade a própria, e excessiva, fiação da rua, loteada de pequenas mudinhas espalhadas por ela, de onde ainda pende uma antiga lamparina. Uma senhora não dava conta de varrer a calçada que, de minuto em minuto, via encher-se de folhas a cada passagem de vento. As árvores de lá proporcionam sombras confortáveis, ainda mais no outono. Se por aqui as folhas não costumam ficar alaranjadas, pelo menos temos o privilégio de sentir o sol embrenhando-se pelos espaços vazios entre os galhos e folhas e, assim, refletindo-se sobre a calçada. Em alguns trechos da Rua dos Oitis a cobertura de folhas é tão densa que o ambiente parece sombrio em plena manhã. Não é à toa que uma simples ida à rua transforma-se em um programa dos mais agradáveis para os que moram pelas redondezas. Mesmo com toda a mercantilização dos espaços urbanos da zona sul nestes últimos anos, a Rua dos Oitis, pelo menos, ainda conserva um certo laço de intimidade com o pedestre. Penso que isso é graças à preservação de suas raízes, não só a das árvores centenárias, mas as comerciais, familiares e sociais também.

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Praça Paris, Glória

31 março 2013 | deixe seu comentário (0)

Na confluência do Centro com a zona sul está ela… a Praça Paris! Mais policiada, mais frequentada, e como sempre, linda!


Rio da Belle Époque. Inspirada nos jardins clássicos franceses, a Praça Paris é um dos resquícios do plano urbanista de Alfred Agache, que pretendia tornar a cidade em uma Paris da América do Sul.

por Pedro Paulo Bastos

Li recentemente no jornal a opinião de algum urbanista apontando o fato de que, no Rio, as praças – e seus paisagismos – não foram projetadas para suportar o tipo climático dos trópicos; insistiam em reproduzir um modelo europeu que muita das vezes não colaborava para amenizar as temperaturas cruéis do nosso verão, por exemplo. Era essa mais ou menos a ideia. E obviamente a Praça Paris não poderia ter deixado de ser citada como uma das melhores referências para tal.

Passo diariamente pela região. Novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, março. Sol escaldante. Observo a Praça Paris de longe, com suas aleias, sua perfeição geométrica, o chafariz que jorra água em meio ao voo rasante das aves que circulam entre a Baía de Guanabara e a parte aterrada da cidade. A vontade de se passear num parque tão lindo como esse em pleno verão foi anulada diversas vezes. O bom observador ratificava o que fora dito anteriormente pelo urbanista, de que os espaços verdes da cidade não eram tão amigáveis assim para os dias escaldantes. A Praça Paris é definitivamente um lugar pensado para os dias frios.

Finalmente o verão acabou – para a tristeza de alguns, felicidade minha –, e, aproveitando que as estações andam mais bem definidas do que nunca aqui pelo Rio, o outono tem nos brindado temperaturas mais amenas, dias meio londrinos, menos bafo quente. Blusas de flanela já podem ser usadas numa boa. Assim como um passeio pela Praça Paris, na confluência do Centro com o início da zona sul. A expedição, postergada tantas vezes, se sobrepôs aos meus planos de ir à Vila Valqueire, na zona oeste, especialmente para o As Ruas do Rio. A manhã nublada de sábado estava perfeita para me inflitrar por essa Versalhes carioca.


Retomada. Embora ainda associada ao período de violência urbana que assolou a cidade há poucas décadas, a Praça Paris tem voltado a receber visitantes em busca de sossego e reflexão
.


Os detalhes. O mobiliário urbano do início do século XX ainda resiste na Praça Paris, assim como as esculturas; ao fundo, o monumento ao Almirante Barroso e a Igreja do Outeiro da Glória.

Contrariando a ideia de que a Praça Paris só tem cracudo, fui recepcionado por uma guarda municipal, que me orientou a prender a bicicleta em uma das grades que cercam o espaço, já que eles ainda não dispõem de bicicletário. A primeira impressão é o vislumbre. Olhar a Praça Paris da janela de um veículo em movimento é uma coisa; olhá-la enquanto parte integrante do seu projeto – afinal, a praça foi moldada para receber visitantes, não? – gera uma admiração diferente de qualquer outra perspectiva, que custa a se adaptar aos olhos. Ao mesmo tempo tão limitada em bulevares geométricos, a segunda impressão que se tem é a de imensidão. E a certeza de que o Rio é, sem dúvidas, uma cidade agraciada. Mesmo com um projeto pouco funcional, fantasioso, parte de um plano que nunca fora executado (o Agache), ainda assim a praça consegue ser esplendorosa e fortemente conectada com os elementos ao seu redor. O convívio com os espigões do Centro, que se reflete na paisagem avistada do lago da Praça Paris, é genial.

“Não à toa que, nessa fase bem policiada, ela esteja sendo retomada aos poucos pelos pedestres. Não são tão numerosos quanto os que redescobriram o Parque do Flamengo, mas é um público cativo.”

 

Antes de dar continuidade, preciso dizer que chamei o projeto de “fantasioso” porque ele faz com que você se sinta num conto de fadas. Pelo menos assim eu me senti. Há brasileiros que viajam para a Europa e voltam encantados com tudo o que viram: as cores, os detalhes românticos, a perfeição. A Praça Paris é um pedacinho da Europa no eixo central do Rio. Não à toa que, nessa fase bem policiada, ela esteja sendo retomada aos poucos pelos pedestres. Não são tão numerosos quanto os que redescobriram o Parque do Flamengo, mas é um público cativo. Vê-se que frequentam ali com alguma assiduidade. É o cara que aproveita a aura do lugar para ler um livro ou escrever o trecho de um romance cujo qual nunca obteve inspiração; é a mulher que abraça as árvores, essa fonte de boas energias; são os cãezinhos que passeiam presos em coleiras; é o casal que, em trajes de ginástica, corre ao redor dos jardins; é o grupo de jovens antenados acomodado pelo gramado com câmeras fotográficas, roupas estilosas e papos-cabeça, recriando uma imagem típica dos parques de Buenos Aires.


Passeio para outono. O início do outono marca a temporada de visita aos jardins geométricos da praça, loteado de esculturas
. Na imagem à direita, os espigões do Centro do Rio, ao fundo.


O parque da Glória. À esquerda, os edifícios da Rua da Glória; em seguida, o jogo de águas no lago da Praça Paris.

A igreja do Outeiro da Glória está nas redondezas e, contrapondo-se aos espigões do Centro, também convive com a paisagem que se avista desde a Praça Paris. São dois lugares românticos, em minha opinião – a praça e a igreja. Um casal apaixonado pode caminhar pelos passeios da Praça Paris de mãos dadas e, diante de majestuoso cenário, perceber que os problemas às vezes são menores do que costumamos acreditar. Se o seu amor evolui e chega ao matrimônio, o casal pode se dirigir ao plano inclinado -  serviço gratuito! – da Rua do Russel e alcançar o topo do Outeiro, vazio de turistas e de cariocas. Tomam assento e observam de longe a Praça Paris, seus arbustos modelados e passagens bem delineadas. Se a religião for uma questão importante, entra-se na tradicional igreja. Se não, o espetáculo das águas jorradas no lago da Praça Paris já celebra todas as possibilidades do amor. Parece uma sinfonia silenciosa, seja apreciada do alto do Outeiro ou por entre as grades da Avenida Beira Mar.

A Praça Paris é um lugar de amor. Amor à namorada, à natureza, à cidade, amor-próprio.

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Rua Gorceix, Ipanema

17 março 2013 | 2 comentários

Bem-vindo à Rua Gorceix, a charmosa via de Ipanema que poucos conhecem


Colada ao Cantagalo. A Rua Gorceix fica entre as ruas Alberto de Campos e Almirante Saddock de Sá, na zona sul.

por Pedro Paulo Bastos

Nascido em 1842, Claude Henri Gorceix era francês de Saint-Denis des Murs e bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas pela Escola Normal Superior de Paris. Veio para o Brasil em 1874, como professor de geologia, mineralogia, física e química, tendo falecido em 1919. Sua relação com Ipanema, na zona sul do Rio, não se sabe muito bem com exceção de uma: a de emprestar seu sobrenome a uma das simpáticas ruas do bairro.

Não só pelo nome pomposo diante de certo fetiche que grande parte dos brasileiros tem por sobrenomes estrangeiros, a Rua Gorceix se diferencia de muitas outras ruas da cidade por dois motivos: em primeiro lugar, numa macroescala, está localizada na região mais cobiçada do Rio; em segundo, numa microescala, está situada em posição ainda mais privilegiada no contexto da própria região cobiçada em que se insere. Ipanema é um bairro de vias longas e essenciais para escoar o trânsito entre o Leblon, a oeste, a Lagoa, ao norte, Copacabana, a leste, e a praia, ao sul. A Gorceix, então, contrariando essa organização espacial, é uma figura pequenina no mapa, colada ao Morro do Cantagalo, no fim das ruas Alberto de Campos e Almirante Saddock de Sá. Completamente residencial. Nada de carros, nada de buzinas. Saiam pra lá!

“Numa microescala, [a Rua Gorceix] está situada em posição ainda mais privilegiada no contexto da própria região cobiçada em que se insere”

 

Mesmo com a baixa rotatividade de automóveis pela rua, um suspiro – ou uma crítica – não poderia passar em branco. O emparelhamento de carros estacionados é excessivo. Pode soar ingênuo da minha parte fazer este tipo de observação, ou até mesmo estar reclamando de uma situação complicada de ser revertida, que é a questão do transporte. Infelizmente a quantidade de carros pelas ruas, em movimento ou não, é absurda. Mesmo as ruas mais tranquilas e aconchegantes, como a Gorceix, são vítimas deste mal. Não pude deixar de imaginar como seria a Gorceix sem os carros, com o desenho das calçadas livre ao campo visual. Os jardins à mostra, a facilidade de locomoção do pedestre e dos carrinhos de bebê, o contorno da esquina possível de ser visto através de um ponto equidistante…


Alberto de Campos. Os prédios luxuosos na esquina com a Alberto de Campos
. Na outra ponta, este aspecto se inverte.


Gorceix. O edifício antigo azul e branco se destaca na rua pelo estilo simpático. Ao lado, detalhe das flores diminutas.


Saddock de Sá. No término da Rua Gorceix, as casas são mais comuns do que os prédios inicialmente mostrados. A arborização é mais intensa, com galhos longos que ajudam a formar um teto de folhas e sombras para os pedestres.

Os edifícios da Rua Gorceix são bonitos e luxuosos, embora não tenham nenhum diferencial que possa qualificar a rua como pitoresca ou algum adjetivo sinônimo. Levo em consideração que, em geral, essas ruas pequenininhas são sempre mais divertidas em termos de arquitetura do que as de mais movimento. Elas têm um caráter natural de ”cantinho”. O grande atrativo mesmo de lá é a preservação de algumas casas ainda habitadas por famílias, o que é coisa rara na zona sul. Se o leitor for caminhar pela Rua Nascimento Silva ou pela Rua Redentor, decerto se deparará com imóveis deste tipo, mas a maioria (se não todos) destinados a usos comerciais. Na Rua Gorceix, as casas têm aquele jeito singelo, de pouca imponência, onde o luxo é justamente essa simplicidade com uma leve pitada vintage. Seria injusto não citar o pequeno edifício do número 14, que mais parece uma casa de boneca com seus azulejos imitando losangos entre as janelas de madeira azulada com varandinhas na mesma cor.  

Observei um número considerável de ciclistas passando pela Rua Gorceix nessa manhã de sábado. Eles vêm da Alberto de Campos, viram à esquerda na Gorceix e seguem de novo à esquerda pela Rua Almirante Saddock de Sá. Como a Gorceix liga nada a lugar nenhum – isto é, não é via de escape –, interpeto que passem ali apenas pelo prazer de se estar em um recanto de Ipanema longe da Ipanema midiática e dos turistas, que é cheia de bares e cafés da moda e de idiomas em conflito a cada conversa emitida aos ventos. É como numa ligação cruzada; ouve-se de tudo, porém entende-se muito pouco.

Na esquina com a Rua Almirante Saddock de Sá, a calçada estava úmida e cheirava a sabão em pó. Um pouco de água escorria pelo meio-fio sob a sombra das suntuosas árvores da rua vizinha. O cheiro de limpeza é sempre confortante. Ao longo da Gorceix, no entanto, não tenho como afirmar se era pela velocidade em que as bicicletas andavam por ali, distinta a do ritmo do pedestre, ou se isso emanava do próprio pedestre – só sei que a Rua Gorceix cheirava a filtro solar. Aquele tipo de fragrância gostosa de respirar, que nos remete a saúde, vida, natureza. Numa localização esplendorosa como essa, não me restam dúvidas de que a energia da Rua Gorceix é das melhores.  

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Rua Leite Leal e Rua Sebastião de Lacerda, Laranjeiras

07 fevereiro 2013 | deixe seu comentário (0)

Nos fundos da Rua das Laranjeiras, o charme de uma vizinhança cheia de detalhes para observar


Casas Casadas. Monumento arquitetônico neoclássico em Laranjeiras funcionava como residência multifamiliar; hoje é sede da Riofilme.

por Pedro Paulo Bastos

Por uma fração de segundos tive a impressão de estar em outro lugar que não fosse o Rio de Janeiro. Era o cruzamento da Rua das Laranjeiras com a Rua Leite Leal, onde estão localizadas as Casas Casadas, monumento arquitetônico neoclássico no bairro de Laranjeiras. A sua lateral se assemelha àqueles modelos de residências anglo-saxônicas, que se vêem muito em algumas ruas de Nova York, onde o acesso a cada apartamento é feito através de uma escada – às vezes longa, às vezes curta – que dá diretamente para a rua. Assim como esses modelos residenciais lá dos states, as Casas Casadas também foram originalmente um empreendimento imobiliário de estilo multifamiliar. Por sinal, elas são algo totalmente diferente do que comumente se criou na sua época, 1880, e do que restou nos dias de hoje, 2013. Pelo menos para mim, a ideia de residência multifamiliar sempre beira o imaginário do cortiço de Aluísio de Azevedo, ou então das casas geminadas dos bairros que tinham um caráter mais operário. Não foi à toa que me senti um estrangeiro ao deparar-me com tamanha rara beldade.
 
Quem gosta de imprevisibilidade no espaço urbano deveria fazer uma visita mais apurada por Laranjeiras, um dos mais antigos e tradicionais lugares da cidade do Rio. Mesmo inclusa no rol de bairros nobres – notoriamente os que estão na zona sul -, Laranjeiras surpreende por sua versatilidade, que pode fugir em muito ao estereótipo de “bairro nobre com comércio sofisticado”. A convivência de elementos opostos é bastante acentuada. Veja só: as Casas Casadas ali, cheias de pompa, nem um pouco medíocres, estavam acompanhadas de sacos de lixo abandonados pelas calçadas, à espera de alguém que as recolhesse. Moscas pousam e voam de acordo com os seus instintos. Do outro lado, uma oficina mecânica convive com um prédio de classe média. À primeira vista, poderia ser uma reles oficina mecânica, dessas que imaginamos mal-cheirosa e encardida, o que já bastaria para contrastar com a ideia de “prédio de classe média”. Todavia, um detalhe no topo da sua fachada chama a atenção para sinalizar de que não se trata de um imóvel ordinário: a nomenclatura kühn. O letreiro está acoplado ao prédio, é inerente à sua construção. Consequentemente, outros detalhes acabam ficando em evidência, como a simetria e inclusão das figuras geométricas. É uma fachada que tem estética. Seria um imóvel art déco? Será que houve uma mudança de funcionalidade ou ali já era predestinado para ser uma oficina mecânica? Divago em meio a tantas referências.


Adentrando. O gradeado das Casas Casadas, que, além das escadas, são seguidas por um jardim até o portão de entrada. Ao lado, a fachada da oficina mecânica com nomenclatura
kühn.


Os porões. Duas casas, frente à frente, estados de conservação opostos, ambas com porões.

A sucessão de contrastes prossegue ao longo da pequenina Rua Leite Leal. Uma antiga residência, aparentemente espaçosa e desocupada, mais vertical do que plana, com tijolos à mostra, encara uma outra igualmente contemporânea à sua época. Ela tem seus detalhes preservados e ainda muito bem caracterizados, a cor pastel já um pouco escurecida, mas com dependências nitidamente habitadas, cheias de vida. Um mesmo imóvel deste porte no Centro, berço das construções aqui no Rio, provavelmente já estaria fadado ao desmoronamento. Ambas têm porões. Seja no imóvel mais conservado ou no outro que deveria ganhar uma remodelagem, é incrível como as janelas de porões não perdem o seu caráter obscuro. Na do número 108, parecem dois olhos mal-assombrados prestes a despejar – ou te sugar para dentro de – todas as coisas pavorosas do universo. Se esse imóvel estivesse colado à pedreira que há no final da rua, onde está o condomínio Pomar das Laranjeiras, os elementos se complementariam para formar o cenário ideal de um filme de terror, desses com espíritos rebeldes, candelabros e uivos de lobos. Desculpem-me; dei asas à minha imaginação.
 
A Rua Leite Leal termina onde a tal da pedreira se encontra, e esse trecho final é protegido por uma cancela que, apesar da sua natureza intimidatória, reafirma, com uma singela placa, o direito da livre circulação de pessoas e automóveis pela rua. Ou seja, não é porque conseguiram a autorização da prefeitura para instalar uma cancela que aquele espaço agora é privatizado, regido por leis que não as públicas. Atitude espirituosa e pertinente, digna de cópia para outras ruas fechadas de outros bairros, que insistem no uso da arrogância para limitar o pedestre. É justamente ali, ao lado desta cancela, onde se inicia a Rua Sebastião de Lacerda, a rua-irmã à Leite Leal, que vai desembocar lá na Rua das Laranjeiras novamente. O casario amarelo, na esquina formada pelas duas ruas, chama a atenção pela sua majestuosidade - lá funciona a ONG Sociedade Brasileira para a Solidariedade (SBS) -, embora a grande verdade mesmo é que foi outra coisa que ofuscou a sua beleza tão logo eu adentrei a Rua Sebastião de Lacerda.


Flores. Gosto muito de flores e fiquei procurando por elas ao longo da Rua Leite Leal, como essa flor amarela e a orquídea branca
.


O trecho “cancelado”. A placa avisa que, apesar da cancela, o logradouro é público e, portanto, a circulação é livre. A Rua Leite Leal termina onde há a pedreira.


A rua-irmã. O casario amarelo, onde funciona a ONG Sociedade Brasileira para a Solidariedade, determina o início da Rua Sebastião de Lacerda, que, diferentemente da Leite Leal, tem vista para o Cristo.

Quanto mais rico seja um bairro, mais desenvolvido e organizado ele será, concordam? Entretanto, no Brasil como um todo, ainda sofremos de um mal bastante ultrapassado, peculiar tanto a bairros “ricos” como a  bairros “pobres”: a fiação aérea. É impressionante como na Rua Sebastião de Lacerda o emaranhado de fios dos postes resulta em algo tenebrosamente feio. O pobre do Cristo Redentor, com vista privilegiada para Laranjeiras, aparece aos nossos olhos de maneira sutilmente achavascada. Os fios surgem de geradores e, como que em ziguezague, vão cortando o espaço aéreo da rua. Uns pairam solitários pelas fachadas das casas, enquanto outros atuam em conjunto. Uns rígidos, outros mais frouxos. Infelizmente ainda não se tem previsão alguma de quando a fiação da cidade será toda subterrânea.

A Rua Sebastião de Lacerda é majoritariamente formada por casas, só que menos antigas do que as encontradas na Rua Leite Leal. Os imóveis ali não têm tanta afeição histórica quanto os do logradouro vizinho, o que não os torna desmerecedores de apreciação. No primeiro trecho, até um pouquinho antes da curva, elas seguem um padrão mais verticalizado, onde o térreo não está no mesmo nível que a rua. Já a partir do número 45, as residências são mais simples, estão junto à via, possuem apenas um pavimento e contam com portas que dão de cara para a área pública. Sim, não há muros nem cercas! As prevenções individuais se sustentam no gradeamento das janelas e portarias. As casinhas levam cores vibrantes e são margeadas por calçadas mais estreitinhas, recriando um panorama parecido ao da Rua Duque Estrada, na Gávea, que também tem um desenho sinuoso e uma sucessão de casas geminadas.


A rua dos fios. A maior concentração da fiarada está em frente a essa vila. Em seguida, o estilo das residências no trecho inicial da Sebastião de Lacerda.


Pitoresco. Os azulejos coloridos dão maior poesia à numeração das casas na via, que variam de estilos, como essas, próximas à curva, bastante integradas com o nível da rua.


Já nas Laranjeiras. Outros modelos residenciais com paisagismo sofisticado que deixam a dúvida se são apartamentos ou uma única casa, logo em frente aos grafites do Largo Maria Portugal.

Mesmo dispondo de uma fiação horripilante, a Rua Sebastião de Lacerda consegue ser discretamente poética. A vista para o Cristo conta muito, é claro – em um dos seus melhores ângulos, com os braços abertos diretamente para o bairro -, mas foi na numeração das casas onde encontrei a descontração que a rua precisava: os azulejos com bordas coloridas. Em uma parede encardida da rua, esse modelo de numeração era o elemento ideal para tornar a própria falta de pintura da parede em algo bonito. O que dizer então dos grafites? Estão por grande parte dos muros livres, com dizeres criativos e cartuns caprichados. O Largo Maria Portugal, a praça que conecta a Sebastião de Lacerda com a Rua das Laranjeiras, também é repleto de intervenções artísticas interessantes. Na verdade, ambas as ruas são repletas de intervenções artísticas, de todos os tipos e épocas, independente do trecho que se esteja percorrendo. Resumo da ópera: são ruas cheias de informação.

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Rua Aristides Espínola, Leblon

14 dezembro 2012 | 2 comentários

Em meio às obras do metrô no bairro mais badalado da cidade, o blog passeou pela Rua Aristides Espínola, uma das transversais do Leblon que não entrou no polêmico roteiro de interdições 


Praia do Leblon. A Rua Aristides Espínola é uma das ruas transversais da praia do Leblon, já na altura do Posto 12.

por Pedro Paulo Bastos

Eu reluto em escrever sobre o Leblon aqui pelo simples fato dele já ser um bairro pra lá de comentado e conhecido por todos nós. A minha ideia é sempre mostrar outras perspectivas da cidade, expor como o Rio de Janeiro vai muito mais além da zona sul e dos lugares tipicamente turísticos e mais ricos. No entanto, eu esbarro num problemão: é impossível falar de Rio e não citar, pelo menos uma vez, o Leblon. Não só porque é uma região que fica bastante em evidência, mas também porque é um bairro agraciado pela natureza que nós, cariocas e apaixonados pelo Rio, valorizamos tanto por aqui. O estardalhaço que se criou em torno do Leblon nesses últimos anos, impondo-o como o bairro idealizado pelo carioca, o bairro chique, o bairro da gastronomia e et cetera, atrapalhou um pouco a visão do Leblon na sua raíz, que é um lugar muito mais simples do que esse novo caráter consumista que se tem propagandeado por lá.

Mesmo com essa crítica, não dá para negar: que local lindo! Foi difícil escolher uma rua a ser percorrida; além do Leblon ser pequenininho, eu já tinha estado na Rua Carlos Góis em agosto de 2009, o que me fez achar interessante focar na outra ”ponta” do bairro. Esse conceito de “Leblon na sua raíz”, que não sei da onde tirei, para falar a verdade (desculpa se fui pretensioso), ficou tanto na minha cabeça que eu não tive dúvidas em escolher a Rua Aristides Espínola, uma das diversas transversais da praia. Por quê? Com toda essa onda de rotatividade de comércio que o Leblon é capaz de gerar com moda e tendências, é justamente na Aristides Espínola onde se concentram suas maiores referências “de raíz”: o restaurante Antiquarius, especialista e premiadíssimo em comida lusitana, desde 1977 no mesmo endereço, e a Pizzaria Guanabara, inaugurada em 1964, tradicionalíssima por lá (quiçá na cidade) e ponto de encontro para as mais variadas gerações do Leblon e arredores.


Localização privilegiada. O panorama da Rua Aristides Espínola visto através da Avenida Delfim Moreira. Logo na esquina há uma estação de bicicletas do sistema Bike Rio.


Na quadríssima. Em meio a prédios residenciais com janelões de vidro, está o restaurante Antiquarius, especializado em comida portuguesa.

Grupos e comunidades que compartilham imagens do Rio antigo têm pipocado nas redes sociais ultimamente. Muitas das fotos são de artistas desconhecidos, enquanto a grande maioria leva o selo “Augusto Malta” de qualidade. A verdade é que ver as imagens do Leblon antigo é como viajar no tempo e sentir uma dó do quão urbanóides nos tornamos. Mesmo quem nunca foi morador de lá consegue sentir aquela dosezinha de nostalgia do aspecto de povoado e das casinhas. O miolo do Leblon é totalmente verticalizado hoje em dia, e esse modelo se reflete em todas as suas ruas. Não seria diferente na Aristides Espínola. É sempre aquela mistura de prédios baixinhos dos anos 60 e aqueles modernosos espelhados da última década. Vê-se mais isso na quadra da praia. Mais para dentro, a Aristides Espínola dispõe de prédios mais decadentes, que, ou estão passando por um processo de remodelação, ou simplesmente fazem parte do grupo “arquitetura medíocre”. Isto é, construções sem grandes atrativos estéticos.

Na quadra entre as avenidas General San Martin e Ataulfo de Paiva, há um prédio bastante famoso, que provavelmente só se lembrará o cara que tem uma memória televisiva muito boa. No ano 2000 estreou uma novela no horário nobre da TV Globo chamada Laços de Família (de Manoel Carlos, o autor que só escreve tramas no Leblon). A protagonista era a atriz Vera Fischer, que vivia às turras com sua filha Camila, personagem de Carolina Dieckmann, que roubou-lhe o namorado garotão. Nesta época, ainda se gravavam cenas externas nas próprias ruas da cidade, e não em estúdios ou cidades cenográficas. Eis que o prédio onde a família morava era exatamente o do número 49 na Aristides Espínola. Era naquele corredor, entre a portaria imponente e o portão baixinho, que não chega a ter um metro de altura, onde os atores circulavam ora aos berros, ora com diálogos corriqueiros e intimistas. O edifício é uma graça, e os janelões extensos comprovam como os apartamentos das décadas passadas eram muito mais atrevidos em espaço do que os cubículos recém-lançados.


Memória televisiva. O edifício à esquerda foi usado como cenário para a telenovela Laços de Família, onde a personagem de Vera Fischer morava. Quem lembra?


Para se admirar. O mosaico com motivos marinhos na esquina da Avenida General San Martin e algumas das inúmeras orquídeas que enfeitam as árvores da Aristides Espínola.

Seria injusto eu não citar também o edifício de esquina com a Avenida General San Martin, onde, da sua parede de pedras, brota um elegante e colorido trabalho de mosaico. A figura retrata uma espécie de ambiente marinho, com peixes, pedras camufladas e um anzol. Foi um pouco difícil não parar para admirar; a sensação era quase a mesma de admirar alguma obra de arte em um museu. Os praieiros e descamisados passavam batido pela esquina, sem dar muita atenção ao conjunto de pastilhas. Das duas, uma: ou já se cansaram de ver aquilo ali, ou de fato são muito desligados e desinteressados nos detalhes bonitos das ruas. Situação parecida foi com a sucessão de orquídeas da Rua Aristides Espínola. Há pelo menos uma presa em cada árvore ao longo da rua, variando entre roxas e brancas. Um porteiro fitou-me curioso enquanto eu meneava a cabeça para o alto, observando-as. “Nunca viu uma, não?”, ele soltou em tom irônico. Já vi várias, e quanto mais repetidas avistar, mais feliz fico de perceber o quanto nossa flora é linda. Isso eu pensei; como resposta a ele, eu simplesmente sorri.

O cruzamento com a Avenida Ataulfo de Paiva bota os ares residenciais da Rua Aristides Espínola um pouco de lado. A sombra das árvores, as calçadas vazias e as cores sóbrias dos edifícios dão espaço a todos os elementos opostos. Cores vibrantes, letreiros chamativos, pouca sombra, movimentação de gente informalmente bem vestida, calçadas ocupadas por mesas e cadeiras. É a main street leblonina, numa alusão a um livro chamado “Remembering Main Street“, de Pat Ross, que eu comprei num sebo em Massachusetts no início de 2010. O livro fala sobre algumas cidades pequenas americanas, sobre a sua tranquilidade, tanto social quanto paisagística, e a forma como elas mudam esse caráter ao longo da sua rua principal, sempre nomeada de main street. O Leblon é bem assim – o seu mapa parece o de um vilarejo. A rua interna – no nosso caso, a Aristides Espínola -, por mais verticalizada que esteja, é calma e pouco badalada. Chega-se ao cruzamento dela com a Avenida Ataulfo de Paiva e a coisa parece ganhar vida de maneira abrupta. Tudo acontece ali, tudo está ali. Cafeína, Diagonal, Pizzaria Guanabara, BB Lanches, La Cigale, Toulon, Addict. Esses nomes você provavelmente já deve ter lido nas colunas sociais, nos catálogos de moda ou no guia de restaurantes da Veja Rio.


No cruzamento com a “main street”. A loja da Addict, ainda na Aristides Espínola, com sua vitrine impecável e estampas criativas, e a faixa de pedestres com vista para a Avenida Ataulfo de Paiva.


Na outra calçada. A calçada do bar e pizzaria Diagonal, exatamente no cruzamento com a Ataulfo de Paiva, à direita, e a vista parcial do bistrô afrancesado La Cigale, à esquerda.


Na quadra da Dias Ferreira. Novos edifícios residenciais (esses da foto estão bonitinhos, embora haja outros precisando de uma mão de tinta) e o simpático pinheiro, quase na esquina com a Rua Dias Ferreira, sem quaisquer adereços natalinos.

Diferentemente dos canteiros da Ataulfo de Paiva, que são mantidos por iniciativa privada e, logo, são mais bem elaborados e bonitos, os jardins da Rua Aristides Espínola são adaptados. A estrutura é a mesma que a do resto da cidade, com aquela barra de ferro enferrujada cercando-o; a diferença é o cuidado na apresentação. Na calçada da doceria Petits Fours, após o cruzamento com a Ataulfo, eles receberam um traçado sinuoso de pedras decorativas para jardins nas mais diferentes cores, texturas e tamanhos. Sem dúvida um belo e singelo projeto de paisagismo. Dali em diante, a impressão que tive foi a de que os elementos iam se repetindo; um mesmo panorama. Novamente: mais orquídeas, mais prédios antigos e novatos, mais canteiros. De diferente, apenas um simpático pinheiro, sem nenhum vestígio de enfeites de Natal em pleno dezembro! E assim a Rua Arístides Espínola termina, no encontro com a Rua Dias Ferreira, a mais nova efervescente rua do bairro, quase tão badalada quanto a Ataulfo de Paiva, igualmente cheia de restaurantes como no cruzamento anterior.

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