Os sub-bairros cariocas (última parte)

02 agosto 2011 | 4 comentários
por Pedro Paulo Bastos

Uma das áreas mais recentes da cidade, a Barra da Tijuca, na orla da Zona Oeste, promoveu a criação de diversas subáreas próprias e muito peculiares. Assim como o próprio bairro que lhes contém, já que a estrutura da Barra é toda voltada para grandiosos condomínios. Essas subáreas têm um estilo quase feudal, de acesso limitado, pois são originários desses mesmos condomínios. Eles se situam ao longo da Avenida das Américas. Alguns ostentam nomes em inglês, outros se baseiam em referências já tradicionalmente cariocas. São eles: Barramares, Novo Leblon, Santa Mônica Jardins, Península, Alphaville e Cidade Jardim.

Já o trecho menos automobilístico da Barra, isto é, a porção de ruas imediata ao encontro das avenidas que vêm da Zona Sul, apresenta sub-bairros menos fechados, embora quase tão luxuosos quanto os da highway Avenida das Américas. Exemplo mais famoso, que vai ganhar estação de metrô em breve, o Jardim Oceânico, nas intermediações da Praça Professor José Bernardino e São Perpétuo. Ao lado, o Tijucamar, na região da Avenida Olegário Maciel; e a Barrinha, a parte mais antiga do bairro, nos arredores da Praça Desembargador Araújo Jorge.

 

Condomínio Santa Mônica Jardins: feudos ou sub-bairros na Barra da Tijuca?


Se o Rio possuísse regiões que quisessem tornar-se independentes, essas, talvez, seriam as que formam os bairros da Zona Oeste “continental”. Bangu, Realengo, Campo Grande, Santa Cruz… são bairros extensos e populosos, e de grande crescimento também. Pelo menos essa é a aposta. A distância em relação ao Centro do Rio é tão grande que alguns dos seus sub-bairros são conhecidos como… Centro. “Centro” de Campo Grande é bem batido, todos já ouviram falar alguma vez. Soa estranho, mas extremamente necessário para fragmentar (no sentido de classificar) áreas de acordo com seu grau de desenvolvimento e de concentração de serviços. Veja um mapa da Zona Oeste e seremos obrigados a concordar que sub-bairro nessa parte da cidade é regra, não excepcionalidade.

Um caso curioso de Campo Grande é de que há uma lei, promulgada em 1968 no governo Negrão de Lima, determinando o reconhecimento do bairro como cidade, embora não tenha vingado:

“Lei número 1.627, de 14 de junho de 1968, projeto do deputado Frederico Trotta. O governo do estado da Guanabara, faço saber, que a assembléia legislativa do estado da Guanabara aprovou o projeto de lei número 181 de 1967 e eu promulgo, de acordo com o artigo 26, 3°, da constituição do estado, a seguinte lei:  

Art. 1° – É reconhecida como “Cidade” a localidade de Campo Grande, passando a denominar-se Cidade de Campo Grande.

Art. 2° – Esta Lei entrará em vigor, na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 14 de Junho de 1968 – 80° da república e 9° do estado da Guanabara. Francisco Negrão de Lima, Álvaro Americano, Arnaldo Salgado Mascarenhas, Gonzaga da Gama Filho, Althemar Dutra de Castilho, Humberto Braga, Cotrin Neto, Raymundo de Paula Soares, Hildebrando Monteiro Marinho, Luiz de França Oliveira, Augusto do Amaral Peixoto, Dirceu de Oliveira e Silva, Victor de Oliveira Pinheiro e Lecy Neves.”

Campo Grande, além do Centro, tem uma média de 69 sub-bairros, entre eles o Adriana, Diana, Vila Rudicéa, Oiticica e Novo Horizonte. Santa Margarida parece ser o maior e mais afamado, tendo recebido esse nome por causa de um certo Barão de Santa Margarida, nobre de poucas aparições nas bibliografias do gênero. Além disso, Mallet, em Realengo, é famoso. Em Bangu, temos Jabour, Guilherme da Silveira, Catiri, além da Vila Kennedy, referência norte-americana no Rio onde grande parte dos moradores mais antigos veio da Favela Praia do Pinto, no Leblon.

 

Em uma cidade onde é grande o indíce de favelização, muitos locais conseguiram sua emancipação seja pela sua proporcionalidade dentro do espaço geográfico carioca ou por sua fama, muitas das vezes ruim. Exemplos de favelas e comunidades carentes que tornaram-se sub-bairros são o Rio das Pedras, em Jacarepaguá; o Jardim Batan, em Realengo; a Vila Vintém, em Padre Miguel; a Cruzada São Sebastião (foto ao lado), no Leblon; Tavares Bastos, no Catete; Jacarezinho, no Jacaré; Chácara Del Castilho, em Del Castilho, entre outros.

Algumas favelas tornaram-se bairros legítimos, como é o caso da Rocinha e do Vidigal, ambas na Zona Sul, e os complexos do Alemão (badaladíssimo, tem até teleférico agora!) e da Maré, no subúrbio carioca.

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Os sub-bairros cariocas (parte 3/4)

29 julho 2011 | 2 comentários
por Pedro Paulo Bastos

A extensa e livre malha rodoviária da Zona Norte e áreas suburbanas acaba por exigir um maior detalhamento na nomeação das regiões. As ruas são muito interligadas, nas quatro direções (norte, sul, leste e oeste), bem nos moldes das ruas de São Paulo. Tem estrutura diferente da Zona Sul, onde se consegue diferenciar um bairro do outro em função do desenho das cadeias montanhosas e do limite com o oceano.

O Grajaú e o Engenho Novo, apesar de limítrofes, são bairros muito distintos, seja no nível socioeconômico como no paisagístico. O pedaço que divide os dois bairros é (ou foi) conhecido como sub-bairro da Consolação, uma informação pouco divulgada. Em alguns mapas ainda é possível encontrar essa nomenclatura. Próximo dali, o encontro das ruas Aquidabã e Maranhão, no Lins de Vasconcelos, faz parte do sub-bairro da Boca do Mato. Nome esquisito, parece barra pesada, mas não é. De fato existia um mato naquele local, sem contar que também foi berço da Escola de Samba Aprendizes de Boca do Mato, do sambista Martinho da Vila. Já para os lados do Engenho de Dentro, o cruzamento das ruas Dias da Cruz e Adolfo Bergamini é conhecido como Chave de Ouro, nome de um bloco de carnaval que saía por ali toda quarta-feira de cinzas até meados da década de 1970.

Um exemplo recente de sub-bairro que tornou-se bairro legítimo na Zona Norte é o Vasco da Gama, entre São Cristóvão e Benfica. Acho que estimulado pela ideia de acrescentar-se bairros à cidade com o nome de times cariocas de futebol (leia-se Flamengo, Botafogo e Bangu, entre outros) que o Vasco da Gama foi emancipado em 1998. Hoje ele aparece nos mapas oficias e compreende as ruas no entorno do estádio de São Januário.

Algumas outras referências de sub-bairros na Zona Norte: Magno, em Madureira, provavelmente o entorno da estação de trem que leva o nome de Magno; Triagem, em Benfica, perto de onde está sede da Rede Record Rio; Fazenda Botafogo, nas margens da Avenida Brasil e dos bairros de Acari, Barros Filho e Costa Barros; Parque Anchieta e Mariópolis, em Anchieta, mais comumente conhecida pela lina 624 (Mariópolis-Praça da Bandeira). Um exemplo interessante é do sub-bairro Portugal Pequeno, em Marechal Hermes. Hoje em dia não existe mais, embora apareça representado nos mapas do início do século XX. Talvez tenha se formado por lá uma colônia portuguesa mais concentrada do que no resto da cidade.

A Ilha e Jacarepaguá são outras duas regiões muito complexas merecedoras da nossa atenção. A Ilha do Governador, na verdade, não é um bairro, mas sim uma região administrativa, que abriga bairros legítimos como o Jardim Guanabara, Galeão, Portuguesa, Bancários, entre outros.

O mesmo caso é Jacarepaguá, que também é uma região administrativa, só que, ao mesmo tempo, também um bairro, pois é delimitado oficialmente nas representações cartográficas da Prefeitura. No entanto, tal delimitação compreende poucas áreas urbanas, como a que está ao redor do Autódromo de Jacarepaguá e a comunidade de Rio das Pedras, e muitas áreas rochosas e florestadas, como a dos parques Estadual da Pedra Branca e o Nacional da Tijuca. Sendo assim, Freguesia, Taquara, Anil, Cidade de Deus, Pechincha, também são bairros legítimos, que se situam ao redor de Jacarepaguá, e por isso nomeamos esta área de região de Jacarepaguá, embora seja errado dizer que tais bairros citados sejam sub-bairros do mesmo.


Reprodução do mapa oficial do Instituto Pereira Passos com os devidos topônimos: o bairro de Jacarepaguá e os bairros da Freguesia, Praça Seca, Tanque, Taquara, Anil, entre outros, representados como bairros legítimos.

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Os sub-bairros cariocas (parte 2/4)

26 julho 2011 | 4 comentários
por Pedro Paulo Bastos

O especial começa tratando dos sub-bairros do Centro, Zona Sul e Tijuca. Acompanhe!

 

Na região do Centro, o exemplo mais clássico é o da Lapa. Depois de um longo período no ostracismo, esta subárea do Centro se reergueu no início da década passada com investimentos comerciais e de reurbanização. Todo esse conjunto de fatores tornou a Lapa em uma localidade mais independente, dotada de serviços próprios e de referência turística. Mesmo assim, o conjunto de ruas formado pela Mem de Sá, Riachuelo e Joaquim Silva ainda continua fazendo parte do Centro. * O prefeito Eduardo Paes aprovou a Lei nº 5.407, de 17 DE MAIO DE 2012, que transforma o sub-bairro da Lapa em bairro oficial do Rio de Janeiro, com a inclusão de ruas do Centro e do Bairro de Fátima. Mais informações na postagem Lapa, o mais novo bairro do Rio, de 20/05/2012.

Lapa, Centro do Rio
Aplica-se aí a mesma teoria para o Bairro de Fátima, sub-bairro bem perto da Lapa. O Bairro de Fátima, aliás, é curioso, pois ele tende ao desaparecimento. Pelo menos na minha percepção, já não se menciona tanto essa área da Rua Riachuelo próximo à André Cavalcanti e Avenida Nossa Senhora de Fátima como o dito cujo, e sim como uma expansão da Lapa, inclusive nos anúncios dos novos empreendimentos imobiliários da região. Nem mesmo se menciona o Bairro de Fátima em placas de trânsito; uma pena, pois é um lugar bem bonitinho no meio da muvuca que é o Centro.

Decepcionando às convicções de muitos, a Cinelândia, por mais que pretenda ser, não é um sub-bairro. Ela é apenas um apelido dado à Praça Floriano e ao seu entorno em função da quantidade relevante de cinemas que existiam por lá em meados do século passado. Falando em meados do século passado, eu fico babando pelas fotos da Cinelândia lá pela década de 1950. Que lugar charmoso…

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Talvez aqui estejam os exemplos mais famosos devido ao fato desta parte da cidade estar sempre em evidência. Como já havia citado anteriormente, o final das ruas Pacheco Leão e Lopes Quintas, conhecido como Horto, faz parte do bairro do Jardim Botânico, embora seja um lugar de aspecto e atrações bem particulares que poderiam muito bem torná-lo um local segregado.

Arpoador: bairro ou sub-bairro?

Já mais ao sudeste da Zona Sul aparece o Arpoador, entre Copacabana e Ipanema. A minha lógica explicativa para este caso é a de que, na verdade, o pedaço da praia de Ipanema margeado pela Avenida Francisco Bhering é que se chama Arpoador. Com a badalação do lugar e o apelo turístico, ruas próximas à esta praia, como a Francisco Otaviano e Joaquim Nabuco, acabaram por receber também a denominação de Arpoador – até mesmo pela incerteza de se afirmar onde Copacabana termina e Ipanema começa. Para evitar discórdias!, a fronteira Copa-Ipa acaba sendo apelidada de Arpoador. Entretanto, na minha opinião, acredito que Arpoador não seja um sub-bairro.

Quem também não é sub-bairro é o Largo do Machado, como muitos acreditam ser. Ele é o nome de um logradouro, ou seja, a praça, chamada de Largo. Por estar na confluência de três bairros totalmente heterogêneos – Laranjeiras, Catete e Flamengo -, fica difícil de definir a qual bairro pertence o Largo do Machado. As placas-pirulito informam que o Largo do Machado é do Catete; inclusive se forem analisados os mapas oficiais, é possível perceber que ele realmente está mais para o Catete do que para os bairros vizinhos. Mesmo assim, o Largo do Machado tem uma vida tão própria que acaba sendo melhor acreditarmos que ele é um Estado à parte mesmo!

Outros sub-bairros da Zona Sul

Jardim Pernambuco e Alto Leblon – são ruas “de aclive” do Leblon, que ficam às margens da Avenida Visconde de Albuquerque. O primeiro é formado quase que exclusivamente por casas, enquanto o segundo concentra edifícios.

Bairro Peixoto – está localizado no alto das ruas Siqueira Campos e Figueiredo Magalhães, entre a Tonelero e o Túnel Velho, em Copacabana.

Mundo Novo – é um dos lugares menos famosos da Zona Sul. Suba a Rua Assunção, em Botafogo, e será possível deparar-se com casas de luxo, de classe-média e até mesmo mais pobres, envoltas num clima bem de subúrbio. Esse é o Morro Mundo Novo, com vista espetacular para o Pão de Açúcar. Tem acesso também pela Rua Cardoso Júnior, em Laranjeiras.

Jardim Laranjeiras – esse foi programado para ser um sub-bairro onde está hoje a Rua General Glicério. Até a década de 40 foi terreno de uma fábrica têxtil, desativada em função do início da valorização dos terrenos na Zona Sul. Hoje em dia, a vizinhança da General Glicério está bem incorporada ao bairro de Laranjeiras, deixando de lado o título de Jardim, embora a praça de mesmo nome, no local, eternize o que pretendeu ser o projeto.

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Diz a lenda que é preciso ser um tijucano para entender a geografia do bairro que lhe oferece tal gentílico. Devido à larga extensão da Tijuca, fez-se necessário que pelo menos algumas áreas recebessem denominação própria, não só para facilitar a sua localização bem como para destacar sua identidade. A região mais particular da Tijuca é aquela onde o Maciço da Tijuca começa a se estreitar, formando um vale, na altura da Rua Marechal Trompowski. Justamente por essa aproximação sufocadora do verde com o meio urbano é que essa área começou a ser conhecida como o sub-bairro da Muda*, porque ali a temperatura mudava em relação ao resto do bairro. Mais adiante, quase na entrada do Alto da Boa Vista, outro sub-bairro, a Usina, já que havia uma usina térmica por lá nos primórdios.

Eu não estou certo se a Muda e a Usina chegaram ser bairros independentes no passado, pois sempre são citados em livros de história do Rio de Janeiro e em mapas antigos, principalmente a Usina. O que se sabe é que foram localidades bastante aristocráticas na Zona Norte, decaindo após o domínio do tráfico nas favelas do entorno, já recuperadas pelas UPPs. Mesmo que entregues à extinção, Muda e Usina ainda são sub-bairros lembrados em linhas de ônibus como a 413 (Muda-Jardim de Alah) e 415 (Usina-Leblon).

Já mais para as bandas de Vila Isabel, aparece a Aldeia Campista, outro sub-bairro da região, terra de Nelson Rodrigues. Forma o quadrilátero das ruas Maxwell, Amaral, Barão de Mesquita e Pereira Nunes.

Largo São Camilo de Lellis, no sub-bairro da Usina.

* OBS: A Suely Guimarães comentou aqui no blog e corrigiu a minha informação sobre a Muda. Diz ela que “a região da MUDA tem este nome porque era o local aonde acontecia a MUDANÇA da parelha dos cavalos que puxavam os bondes. A parelha que chegava na Muda já estava cansada e então era substituída por nova parelha para poder subir até o Alto da Boa Vista“. Já tinha lido isso e confirmo! Porém, é inegável que a temperatura muda ao chegar na Muda. Pelo menos devia mudar, quando era mais florestado…

 

 

 

 

 

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Os sub-bairros cariocas (parte 1/4)

25 julho 2011 | 2 comentários

Horto é bairro ou sub-bairro? E Usina? E Jardim Oceânico?


por Pedro Paulo Bastos


 

A análise minuciosa dos mapas sempre foi um grande passatempo para mim, desde pequeno. Sejam os do mundo ou os das ruas do Rio, me chama a atenção os desenhos dos limites de um determinado território, principalmente como ele se nomeia e como se relaciona com os territórios vizinhos. Têm aquelas situações também de uma área conter uma subárea, coisa muito comum aqui pelo Rio de Janeiro com os sub-bairros, que acabam por confundir a cabeça de nós, cariocas.

Diferentemente da cidade de São Paulo, por exemplo, que tem sua estrutura toda formada por distritos e bairros, ou bairros e sub-bairros, no Rio, essa quantidade de sub-áreas é pouca e de entendimento pouco claro e explicativo. Mesmo assim elas existem; algumas continuam populares, como a Lapa ou o Horto (no Centro e no Jardim Botânico), e outras quase em extinção, como a Chave de Ouro e a Boca do Mato (no Engenho de Dentro e no Lins de Vasconcelos). E a questão é justamente essa, muitas pessoas ainda não sabem diferenciar bem quem é o bairro e quem é o sub-bairro, ou até mesmo o que é um sub-bairro e como ele se delimita. Digo isso porque já ouvi pérolas do gênero: “Leme é sub-bairro de Copacabana?“. Para alguns pode parecer um questionamento idiota, mas, acredite, muitos ainda hesitam ao responder.


O mapa acima expõe os bairros oficiais da cidade do Rio. Observe que o topônimo Bairro Peixoto, por exemplo, não está aparente na lista acima visto que ele não é um bairro legítimo, mas sim uma área inserida dentro de Copacabana, que, por sua vez, encontra-se representada no mapa acima.

 

O que merece esclarecer-se de antemão é que os sub-bairros podem ser definidos como aqueles que, quando analisados em um mapa com as divisões por bairros, não aparecem ou não são delimitados cartograficamente. Um exemplo bem batido é o da Lapa*, que não aparece representado no mapa, porque é um sub-bairro do Centro, ou seja, uma pequena região deste bairro conhecido por Lapa. Outro conceito importante é o de topônimo, que significa “nome próprio para lugares“. Logo, o topônimo Lapa* (ou Horto, ou Bairro Peixoto…) pode, em geral, aparecer em representações cartográficas mais detalhadas, como os mapas de ruas, ou então em mapas mais ilustrativos, que não possuem escala e que estão focados mais na importância regional e turística do lugar do que em seus limites legais. Os sub-bairros não possuem uma delimitação territorial específica, mas englobam um conjunto de ruas, avenidas e/ou praças que passa a ser conhecido como um lugar X, que chamamos de sub-bairro.

Acho interessante que nós, cariocas (e vocês, de fora, apaixonados pelo Rio!), tenhamos esse entendimento da dimensão espacial carioca. Principalmente em relação aos sub-bairros, que envolvem uma série de fatores históricos geográficos, históricos e urbanísticos muito particulares pois, para que haja um sub-bairro, é porque algo no mínimo relevante criou-se ou ocorreu por ali para receber essa denominação. Este conjunto de posts vai ser uma releitura do mesmo que eu publiquei em Janeiro de 2010 no antigo endereço, incluindo, agora, mais informações acumuladas sobre os sub-bairros desde a última discussão.

Interessados, acompanhem-me!

* O prefeito Eduardo Paes aprovou a Lei nº 5.407, de 17 DE MAIO DE 2012, que transforma o sub-bairro da Lapa em bairro oficial do Rio de Janeiro, com a inclusão de ruas do Centro e do Bairro de Fátima. Mais informações na postagem Lapa, o mais novo bairro do Rio, de 20/05/2012.

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