Avenida Fleming, Barra da Tijuca

20 abril 2013 | 1 comentário

Fora do eixo badalado da Barra, a Avenida Fleming se diferencia por condições climáticas amenas e residências menos chamativas do que se costuma ver pelo bairro


Córrego. Panorama da Avenida Fleming, na região da Barrinha, com o córrego que vem desde o Alto da Boa Vista.

por Pedro Paulo Bastos

Cheguei à Avenida Fleming por volta das 9 da manhã de um sábado, com os pêlos do braço bastante ouriçados diante da sensível diferença térmica dali com as imediações da Praça Desembargador Araújo Jorge, reduto de tradicionais restaurantes de frutos do mar da região antiga da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, mais conhecida como Barrinha. É nessa praça onde está todo o comércio desta microrregião, como se fosse o centro de uma cidadezinha do interior, além dos pontos dos poucos ônibus que transitam por este recanto da Barra. Para chegar à Avenida Fleming - nome dado em homenagem ao prestigiado sir Alexandre Fleming, britânico que descobriu a penicilina -, segui duas quadras ao longo da Estrada do Joá, que começa na praça, e entrei à direita. Caminhei até o seu final, o que me custou mais umas três quadras.

O final da Avenida Fleming é formado pela Praça Professor Velho da Silva, uma simpática praça em rotatória com árvores suntuosas e brinquedos antigos bem cuidados. Antes mesmo de iniciar oficialmente a minha expedição com a câmera, saquei imediatamente a blusa de flanela da mochila e a vesti. E eis a razão da mudança de temperatura: a Avenida Fleming parece mais uma floresta do que uma rua. Colada ao Alto da Boa Vista, a umidade do local era curiosamente sentida pelo corpo, mesmo que a Praça Desembargador Araújo Jorge estivesse a poucos metros dali sob uma sensação térmica bastante distinta. O caráter arbóreo da praça mal deixava refletir os feixes de luz natural por lá. Ficavam retidos entre os galhos e o diminuto espaço entre as folhas, proporcionando aquele visual sombrio, gélido para um dia de outono carioca. Por um momento me arrependi de não ter levado repelente para mosquitos.


A praça. A Praça Professor Velho da Silva fica na confluência da Estrada do Sorimã, da Avenida Fleming e da Rua Professor Ferreira da Rosa
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Elementos naturais. Raízes grossas e sobressalentes ficam sobre um córrego ruidoso de água gelada, compondo o cenário da praça.

Descansei por uns instantes num dos banquinhos gelados de cimento da Praça Professor Velho da Silva para checar o ambiente, ver quem o frequentava, a forma como se relacionavam com aquele espaço. Não havia ninguém com exceção de um casal em trajes esportivos. Se a falta de convivência “humana” me fez falta naquele espaço, por outro notei a quantidade de flora presente. Aos olhos do leigo, tudo é “árvore”. Sim, tudo é árvore! No entanto, observe bem aquela ali, as tonalidades de marrom sobrepostas no seu tronco, ou então a grossura dos galhos daquela lá. E as raízes sobressalentes desta outra? Entendi imediatamente o porquê dos cartazes espalhados ao longo da Barrinha contra a Escola Suíço-Brasileira, instalada ali perto, na Estrada do Joá: acusam-na de desmatar parte destas árvores para que outro prédio da escola seja levantado.

“Esses são os macaquinhos. Eles ficam trepados por aí para roubar os ovos dos passarinhos”, avisou-me uma cinquentenária moradora da Estrada do Sorimã após um berro contínuo, quase ensurdecedor e muito bem orquestrado dos micos.

 

“Esses são os macaquinhos. Eles ficam trepados por aí para roubar os ovos dos passarinhos”, avisou-me uma cinquentenária moradora da Estrada do Sorimã após um berro contínuo, quase ensurdecedor e muito bem orquestrado dos micos. Estávamos comentando sobre a vizinhança e a tranquilidade do lugar diante do córrego ruidoso que passa por baixo da Praça Professor Velho da Silva. No declive, a queda d’água parecia a de uma verdadeira cachoeira – a trilha sonora perfeita para um descanso merecido de fim de semana metido em alguma rede confortável. Esse mesmo córrego vai sendo escoado ao longo da Avenida Fleming, perdendo sua força de acordo com o aplanamento da rua.


Paisagismo. Nas margens do córrego, uma série de plantas ornamentais compõem o cenário sofisticado, e ao mesmo tempo simplório, da Avenida Fleming
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O córrego. O plano inclinado de acesso ao córrego coberto por musgos. Ao lado, a simpática ponte de madeira com a cadeia de montanhas ao fundo.

A margem do córrego é loteada de plantas e flores ornamentais, provavelmente inseridas ali pelos moradores da Avenida Fleming, o que constitui um belo projeto paisagístico; simples, porém integrado com a natureza ao redor. A parede entre o córrego e a via é coberta por uma camada de musgo num verde bem vivo, além de pétalas despedaçadas pelo vento. Há um gramado também ao longo do canteiro central, por vezes utilizado como banheiro canino. Aliás, isso era algo que eu gostaria de comentar. Fico sempre impressionado e amaravilhado com ruas lindas e tranquilas como a Avenida Fleming, embora seja sempre por elas onde surgem cachorros sem dono decididos a bisbilhotar o que você está fazendo. Desta vez, veio correndo em minha direção um vira-lata preto, logo na descida da praça. Mantive a postura ereta, mas ele era dócil demais para fazer qualquer coisa comigo. Ignorou-me, indo de encontro agora a um Samoieda branco aparentemente abandonado. Depois daquele episódio na Rua Filgueiras Lima, adquiri certo pânico por aparições caninas pelas ruas do Rio.

Diferindo do padrão da Barra da Tijuca, em que as residências tomam proporções estéticas pra lá de “miamianescas”, as casas da Avenida Fleming têm um estilo bastante simplório, beirando o “roceiro” em alguns trechos. As casas mais confortáveis, sob o ponto de vista do pedestre, são identificadas por aquelas de muros mais altos dotados de paisagismo vertical, com a cobertura de plantas por toda a extensão do paredão. Não se ouve absolutamente nada de dentro delas – a vizinhança pareceu-me muito silenciosa. Mesmo o córrego, principal fornecedor de ruídos, vai se aquietando em direção à Estrada do Joá.


Residências. Fugindo ao padrão de luxo ostentado pela Barra da Tijuca, a maioria das casas na Avenida Fleming são pouco chamativas, recriando um clima de “roça” em plena cidade grande
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Perto do Joá. O prédio modernoso da Work Able e o cruzamento da Fleming com a Vitor Konder

Fora do eixo residencial, um elemento que destoa do ambiente  é um edifício modernoso onde funciona a agência de marketing Work Able, na esquina com a Avenida Vítor Konder, mostrando indícios de que a preservação das características genuínas da Avenida Fleming não está lá muito rígida. O mesmo para as casas de festa que pululam até o início da rua. Nesta altura, o córrego apresenta uma água muito clarinha, incrivelmente limpa, num jocoso contraste com as suas margens mal cuidadas, repletas de seixos, lixos de várias espécies e restos de oferendas. Uma pena, se você não vislumbrar o jogo de montanhas ao fundo, agora muito mais visível do que na Praça Professor Velho da Silva. A paisagem é de tirar o fôlego, o morro todo verdinho, a rocha visivelmente úmida. Prato cheio para as construtoras, se elas pudessem intervir ali com espigões, é claro, só que não podem. Alívio! Mas até quando?

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Avenida Gastão Sengés

16 abril 2012 | 3 comentários

Conheça mais da rua com paisagismo impecável no coração da Barra


Essa é a Avenida Gastão Sengés, na Barra da Tijuca, que conta com poucos prédios e pouco movimento, mas com muitos jardins, palmeiras, entre outras espécies de plantas e flores

por Pedro Paulo Bastos


Não tem jeito. A Barra da Tijuca, na zona oeste, é realmente uma cidade à parte. Essa semana mesmo saiu uma reportagem fictícia-piadista, do portal Sensacionalista, do Multishow, com a manchete: “Barra da Tijuca é decretada oficialmente outro país” (vale a pena ler, é divertido). Não digo isso exatamente pelo fato de ser um bairro mais luxuoso e sem favelas por perto, o que não é comum por aqui, mas sim pelo ponto de vista mais estrutural. É incrível como o desenho das ruas é diferente do resto da cidade. Eu vivo na parte “velha” do Rio de Janeiro, onde todas as ruas são estreitas para o padrão das grandes urbes. Logo, para um apaixonado por ruas como eu, fico sempre embasbacado em ver como a Barra é toda planejadinha (para o automóvel, diga-se de passagem), cheia de pistas largas, canteiros centrais, retornos, tudo direitinho… Enfim, tudo o que uma cidade grande altamente rodoviarista necessita para fluir.

Na Barra, até mesmo as ruas residenciais têm porte de avenida grande. Um exemplo é a Avenida Gastão Sengés, onde fui fotografar no sábado, sob um sol de rachar. Ela fica nos fundos do Barra Garden Shopping. Sua entrada é loteada de canteiros centrais bem arrumados, um paisagismo digno de revista. As palmeiras só não são mais altas que os espigões modernosos da rua, cada qual bem afastado um do outro. Eis uma diferença da parte “velha” do Rio, onde todos os edifícios colam-se uns aos outros, formando aquele corredor de prédios típico da Rua Barata Ribeiro. Na Barra eles ficam mais afastados pois estão dentro de condomínios, com mil e um aparatos de lazer, sem mencionar as garagens à ceu aberto.


Com canteiro central impecável, a Avenida Gastão Sengés tem porte de avenida com grande fluxo de trânsito, mas ela é calminha à beça. À direita, a entrada para o condomínio Jardim Ibiza.


O shopping Home Facilities Center concentra lojas pequenas de conveniência, de importância regional.

Na Gastão Sengés, entretanto, a atração principal mesmo é o canteiro central, como eu já havia comentado. Eu imagino que eles sejam mantidos por iniciativa privada, porque, não querendo falar mal, mas já falando, a Prefeitura do Rio, até onde minha experiência permite dizer, não tem muito essa capacidade de cuidar, com esmero, dos jardins urbanos. Quem é carioca sabe. Adiciona-se a isso a questão da educação também das pessoas em preservar ou não, e aí nesse ponto eu imagino que na Barra as pessoas sejam mais conscientes. É só ver como são bonitinhos e bem cuidados os jardins da Avenida Gastão Sengés. Vi muitos tipos de flores e plantas diferentes por lá, todas bem posicionadas. Um belo trabalho de paisagismo, de verdade.

O perfil de pedestres pela Avenida Gastão Sengés era praticamente o mesmo: quase todos com algum tipo de prática esportivas. Bicicleta, corrida, patins, skate. Tinha também os praieiros, é claro, figurinhas carimbadas pelos bairros da orla em dias abafados como esses últimos. A exceção populacional consistia em poucos gatos pingados, como eu, de máquina na mão, abordado pelo menos umas três vezes. “Você é paparazzi?”, perguntou um gaiato, aos berros, quando me viu do outro lado da calçada. Em outro trecho da rua, se aproximou uma moça, com sua filha pequena. “Que legal, você é fotógrafo?”. Respondi que, profissionalmente, não… “Ah tá, é que meu sonho é fazer um book“. Sorri. Já nos jardins perto da Rua Rosalina Brand, uma outra moça, dessa vez loira, bonita e despretensiosamente bem vestida, se abraçava às árvores e às flores enquanto um amigo a fotografava com a câmera do celular. A graça ali foi confirmar o que eu já tinha achado – os jardins da Gastão Sengés realmente são lindos, dignos de fotografias.


O estilo dos prédios da Avenida Gastão Sengés é modernoso, assim como é a Barra da Tijuca, de urbanização mais recente do que o resto da cidade. A proximidade com a praia e o ambiente bucólico favorece a prática de atividades físicas e a despretensão ao vestir-se.


Novamente os jardins da avenida, em dois momentos. Ali há uma variedade respeitável de espécies vegetais, todas bem posicionadas, algo não muito comum para as ruas do Rio.

Desculpem-me os barrenses, sei que vocês não aguentam mais ouvir essa piadinha dos anos 90, quando se falava que a Barra era a Miami do Rio, os Estados Unidos na América do Sul, que a Barra era uma “Beverly Rio’s”… Desculpa mesmo, mas não tem como não dizer o quão americanizado o bairro de vocês é. O estilo é legal, mas… os nomes dos lugares também incorporam esse american way of life. Além do Barra Garden Shopping, nas proximidades, com nome bem longe da língua portuguesa, encontra-se também por ali o Home Facilities Center. Assim mesmo, em inglês – Home Facilities Center. É uma espécie de shopping-galeria com lojinhas de apelo regional, compras de última hora e lanches. Até o estilo arquitetônico é americanizado, nem parece que você está no Rio de Janeiro. Mas… Home Facilities Center, assim, mesmo?!?! Pior que se isso fosse traduzido e implantado em português haveria gente dizendo que é “brega”. Já pensou um Centro de Facilidades para o Lar escrito no letreiro o impacto esquisito que provocaria? A questão é que não há nada mais cafona do que usar palavras e frases em inglês em território brasileiro assim, desnecessariamente. Opinião minha. Não sou radical, muito menos antiamericano, embora me considere um grande defensor do nosso idioma. Momento desabafo, pessoal, voltamos à nossa programação normal!


O encontro da Avenida Gastão Sengés com a Rua Rosalina Brand e a Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, onde está o canal da Lagoa de Marapendi.

A nossa rua de hoje desemboca lá na Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, que margeia a Lagoa de Marapendi. O que posso dizer para vocês, com muita sinceridade, é que esse trechinho é um dos lugares mais bonitos aqui do Rio no que diz respeito ao espaço urbano. Além dos jardins lindos, como vocês podem ver pelas imagens, essa avenida, a Prefeito Dulcídio Cardoso, comporta uma ciclovia compartilhada, com muitas árvores e ainda mais jardins! O diferencial ali, imbatível, fica por conta da lagoa, que nesse trecho é estreita, mais parecendo um canal. Uma pequena e simpática ponte verde conduz pedestres, devidamente autorizados, a embarcar no barquinho que os transportará à outra porção de terra da Barra da Tijuca, separada pelo canal. É neste outro lado onde está a Avenida Sernambetiba (atual Avenida Lúcio Costa, mas ninguém lembra…), a praia e a parte sul do Oceano Atlântico. O Leblon que se cuide, mas de luxo a Barra entende bem.

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Pelas streets da Barra

23 dezembro 2011 | 6 comentários

A incrível arte de ser pedestre no bairro mais americanizado do Rio

“Essa taxa precisa ser paga no HSBC.
A agência mais próxima é a do Barra Shopping.
Uns dez, quinze minutos de caminhada”.

Eu tinha esquecido de pagar uma das taxas para o visto no escritório do despachante oficial do consulado canadense. O aviso da simpática funcionária de lá deixou-me levemente atordoado. Não pelo fato de ter de desembolsar mais uma grana, mas sim porque eu sou pedestre e estava na Barra da Tijuca. E não era no Jardim Oceânico, onde tudo se pode fazer a pé. Era a Avenida das Américas. Fim da primavera, início do verão.

Fazer o quê? Só me resta andar até lá, e rápido, porque depois eu vou ter de voltar para entregar o comprovamente de pagamento. Não ocorreu-me em nenhum momento tomar um ônibus. Do número 3500, minha localização, já conseguia avistar o grande centro comercial, ofuscado por letreiros do Wal Mart e do futuro Village Mall. Assim, em inglês mesmo, o nome do novo shopping voltado para a classe AAA no Rio prestes a inaugurar.

Desafiei esse bairro automobilizado e fui a pé. Fiz pouco caso do calor e das distâncias geográficas. Falei para mim mesmo “que eu podia”. Se caminho tranquilamente da Praia de Botafogo até o Humaitá, e do Maracanã até a Praça Saens Peña, qual o problema em percorrer, no máximo, three blocks na Barra?

A Barra é barra pesada para pedestres na Avenida das Américas. O visual moderno que os motoristas tem das janelas dos seus carros climatizados destoa totalmente da minha perspectiva enquanto andarilho. Sem árvores nas calçadas, de tamanho desproporcional em relação à grandiosidade da highway citada, a sensação é a de estar sozinho no mundo. No verão, a de um camelo no deserto. Veículos de todos os portes ultrapassam você sem cerimônia, sem cumplicidade. Só não vão mais rápido porque o traffic da Barra anda mais slow do que nunca. Mas ainda é possível ter a sorte de encontrar um ou outro mortal perdido por ali, tão ensopado quanto você.

Caminhar na Avenida das Américas pode equivaler também à diminuição da expectativa de vida. Engole-se fumaça e poeira sem querer querendo, como diria o Chavo del Ocho. Sem falar no risco em atravessar uma de suas esquinas. Numa delas, quase alcançando o parking lot do Barra Shopping, não há semáforo. O ângulo da rua, aliás, já é todo preparado para facilitar a manutenção da velocidade dos veículos ao cair para a direita. Arrisque-se e tente a sorte. Do outro lado, pelo menos, tem um guardinha com apito orquestrando a nossa locomoção. Sim, a nossa. Não a deles. Laughs.

OK, cheguei ao Barra Shopping. E agora, cadê o HSBC? Pausa para digressão: o Barra Shopping é um dos meus shoppings preferidos aqui no Rio pelo seu tamanho e variability comercial. Encontram-se desde as lojas mais populares até as mais sofisticadas, e um sem fim de salas de cinema. É quase uma cidade, deveria ganhar um título de região administrativa independente à da Barra. Até uma espécie de metrô suspenso circulava por lá na década de 90, quem lembra disso? Pois bem, o gigantismo daquele lugar, sua principal qualidade, pode ser também um defeito dos brabos. Como encontrar um HSBC em meio a esse mar de lojas com tempo tão exíguo???

Ask for information é sempre a melhor opção, em qualquer lugar. Porém, diante da quantidade de corredores, escadas, níveis e conexões do Barra Shopping, as coordenadas podem ser inúteis. O jeito é sair à procura. Glorioso que sou, encontrei: fica próximo às Lojas Americanas, ao lado de uma das saídas para o estacionamento – anota a referência! Meu encontro com o HSBC só não foi cem por cento perfeito porque eu tinha esquecido de sacar dinheiro, isso depois de já ter pego a senha para atendimento. Banco do Brasil, where are you? Mas isso aí já não foi culpa da dimensionalidade da Barra, e sim minha. Deixa pra lá.

Resolvi meus problemas e voltei ao Edifício Londres, a pé de novo, enfrentando os mesmos perrengues e sacrifícios da primeira viagem. Tratando-se de que era hora do almoço, por incrível que pareça eu acabei voltando ao Barra Shopping para comer alguma coisa. Pela Avenida das Américas, no meu lado da calçada, só havia a pizzaria Mamma Jamma, original do Jardim Botânico, e às moscas.

Gosto de grandes emoções. Precisava me bronzear também, afinal, não vou à praia há um bom tempo. E desde que comecei a trabalhar, quase não passeio mais pela Barra. Let’s do it now!

Nesse segundo tempo, eu me embrenhei para os lados do New York City Center. Relembrei todos meus últimos momentos na cidade de mesmo nome, com a estátua da liberdade e a cadeia de restaurantes Applebee’s. Contudo, o momento mais divertido mesmo foi na volta para casa, na pista sentido zona sul da Avenida das Américas. Na esquina da Rua Zoila de Abreu Teixeira, uma placa de trânsito, inusitada, sinaliza: Union Church, à direita.

E ainda dizem que a Barra da Tijuca é um bairro sem identidade.
—-

Feliz natal, pessoal!

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O metrô que o Rio precisa

20 julho 2011 | 5 comentários

Governo persiste com metrô por Ipanema e Leblon e história em quadrinhos explica os efeitos deste projeto


por Pedro Paulo Bastos

A expansão da Linha Quatro do Metrô continua com sua polêmica. Mesmo com todas as manifestações de associações de moradores da Barra e da Zona Sul – incluindo aí as discussões intensas em fóruns de internet -, o Governo do Estado manterá mesmo o novo traçado que interligará a Zona Sul à Barra via Ipanema e Leblon, e não mais pelo Jardim Botânico, de acordo com o projeto licitado em 1998.

O Secretário Estadual de Transportes do Rio, Júlio Lopes, admite que a Linha Quatro não será uma extensão da Linha Um. É como se fosse então, pois os trens da estação Saens Peña seguirão direto para a Barra, onde, a partir da General Osório, o trecho mudará de nomenclatura, passando a chamar-se Linha Quatro. Baseando-se no fato de que a maior demanda é de passageiros que embarcam em estações rumam ao Centro, a Linha Dois é dependente da Linha Um, bem como a Linha Quatro será no futuro.

A justificativa para a implantação do metrô por Ipanema e Leblon é a de que “mais usuários serão atendidos”. Não considero prudente a ideia de que “atender a mais gente” seja algo importante nessas condições. Agregar mais pessoas é interessante, obrigatório e até lógico quando se constroem novas linhas a fim de atender outras áreas da cidade, criando-se mecanismos de troca entre uma linha e outra. O que estão fazendo é meter toda a população do Rio numa mesma linha, que irá da Pavuna à Barra. Não há trem moderno nem intervalo de 1 minuto que sustente. Se o intervalo fosse reduzido para adequar o número de passageiros que temos hoje, talvez o problema pudesse ser melhorado. A questão é que estender o metrô à Barra significa adicionar mais pessoas em uma mesma linha. O crescimento é proporcional: diminui-se o intervalo de tempo, mas aumenta-se o número de pessoas. Vai continuar lotado do mesmo jeito.

Muitas pessoas ainda não entendem bem os efeitos de uma expansão do metrô através da Linha Um. Visitando o blog Metrô do Rio, escrito pelo Miguel Gonzalez, encontrei o genial panfleto “O Metrô que o Rio precisa“, todo desenhado em quadrinhos. Esqueci de perguntar ao Miguel se foi ele quem fez as ilustrações – autor desconhecido, por enquanto. Além de divertido, é educativo. Todos os cariocas deveriam ter a noção do que será o Metrô.

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