Rua Professor Eurico Rabelo, Maracanã

Em meio às obras polêmicas do novo estádio do Maracanã, uma coisa de positiva, pelo menos, a população ganhou: a reurbanização do seu entorno. Estádio-monumento. A sofisticação do novo Maracanã tem influenciado a qualificação urbanística do parque no seu entorno. por Pedro Paulo Bastos Dezenas, talvez centenas, de corredores e passeadores em trajes desportivos dividem […]

Em meio às obras polêmicas do novo estádio do Maracanã, uma coisa de positiva, pelo menos, a população ganhou: a reurbanização do seu entorno.


Estádio-monumento. A sofisticação do novo Maracanã tem influenciado a qualificação urbanística do parque no seu entorno.

por Pedro Paulo Bastos

Dezenas, talvez centenas, de corredores e passeadores em trajes desportivos dividem uma mesma faixa sinuosa de asfalto albino de pigmentação vermelha com outras dezenas, quem sabe centenas, de ciclistas de todas as idades montados em bicicletas de todos os tipos. Ao redor, palmeiras ornamentam cada meandro da ciclovia sob o céu azulzinho do outono. Tal cena poderia ser a típica movimentação dominical do calçadão de Copacabana, mas não era. Eu estava, na verdade, circulando pelo novo entorno do estádio do Maracanã, na zona norte do Rio, que vem passando por um processo significativo de mudanças paisagísticas e funcionais em virtude da Copa e das Olimpíadas.

Há toda uma polêmica no que diz respeito ao resultado das obras no estádio, já que o Maracanã ganhou ares sofisticados, atendendo, agora, aos “padrões internacionais”, o que descaracterizou o antigo Maraca, que se gabava de ser o mais tradicional do mundo. Sem mencionar o alto custo dos ingressos derivado de toda essa modernização. Uma verdadeira arena esportiva high-tech! E lá se foi o apelo popular tão característico do Maracanã. E por pouco que não detonam o Museu do Índio e a Escola Municipal Friendenreich também! Este debate é caloroso e respeitável, só que, por outro lado, devo contar-lhes que, em meio a tal querela, uma coisa positiva e de caráter público conseguimos extrair disso tudo: a reurbanização do quadrilátero urbano do estádio.


Vista aérea da área que circunda o novo Maracanã, que está mais ajardinado e arborizado.


A configuração atual da Rua Professor Eurico Rabelo ainda está em fase de mutação: há diversos operários da Prefeitura trabalhando por lá, além de manifestações contrárias à Copa estampadas nas paredes e muros da região.

A Rua Professor Eurico Rabelo pertence a este conjunto de ruas que abraçam o Maracanã, junto à Rua Mata Machado e às avenidas Maracanã, Radial Oeste e Professor Manoel de Abreu. Ela simboliza a parte residencial das redondezas, uma rua que, sem dúvidas, deve estar com seus imóveis em processo contínuo de valorização graças à remodelagem do parque que margeia o estádio. Parque este, aliás, que além da similaridade com os ares salubres do calçadão da orla, exibe também um grande outro triunfo: a proeza de conseguir congregar, dia e noite, um movimento crescente de pessoas no entorno que, até então, era pra lá de lúgubre e inseguro.

As obras, contudo, ainda não foram finalizadas. A beleza emanada pela nova ciclovia e pelas árvores ornamentais ainda convive com uma série de deficiências que, se tudo der certo, serão remediadas a tempo da Copa. Ou, pelo menos, maquiadas. Falta sinalização adequada com o nome das ruas transversais, além de placas de sinalização viária que indiquem o caminho do motorista para Vila Isabel, Grajaú, Túnel Rebouças, Centro, Méier etc. Além disso, há uma grande diferença, por exemplo, entre a qualidade da calçada no lado residencial da Eurico Rabelo e na do estádio. Enquanto no primeiro o passeio de pedestres, por vezes, mostra-se esburacado e sem padronização, no outro, até iluminação subterrânea já colocaram! Tem um efeito bastante estético, com feixes de luz indiretos e incidentes sobre as palmeiras.


Especulação imobiliária: terrenos baldios e edifícios modernosos.


Por outro lado, casas antigas, assim como árvores, ainda convivem em meio aos elementos contemporâneos da rua.

A própria ciclovia sofisticou-se: o tal do asfalto albino de pigmentação avermelhada é, na verdade, uma resina importada da Espanha. Quem anda de bicicleta por lá aprovou, pois o impacto do pneu com o asfalto é notadamente amortecido por esse material, que facilita bastante a pedalagem. Porém, mesmo que a ciclovia seja um espaço exclusivo para bicicletas, ela é utilizada coletivamente por patinadores e skatistas também. Os skatistas – vale apontar – se concentram sob a passarela que integra o Maracanã à sua estação de metrô. Era ali onde havia a antiga pista de skate antes da reforma do parque. Sua extinção foi, inegavelmente, uma das grandes perdas para os praticantes de tal esporte. Por outro lado, era justamente ali o ponto mais vulnerável do antigo Maracanã, onde os casos de assaltos e abordagens sinistras eram mais recorrentes. Agora, é uma área livre e clareada, menos sombria.

Ainda é cedo para comentar sobre a especulação imobiliária na Rua Professor Eurico Rabelo e vizinhanças, embora já seja possível avistar alguns indícios de que o local está se modificando aos poucos. Em primeiro lugar, há uma particularidade paisagística dos imóveis de lá que é muito expressiva. Encontra-se de tudo, acredite, desde um edifício moderno com varandas, na esquina da Avenida Maracanã, passando por um terreno baldio e grafitado, junto à Rua Visconde de Itamarati, até sobrados e casas mais vetustas, os mais vulneráveis nesta ideologia da verticalização, concentradas entre as ruas Isidro de Figueiredo e Artur Menezes.


Nas proximidades do prédio da UERJ, a Coca-Cola está finalizando o seu novo imóvel na região.

Mas é na esquina com a Rua Conselheiro Olegário onde o suprassumo do imperialismo salta aos nossos olhos. O prédio, que se assemelha a um caixote de aproximadamente três pavimentos – por fora, não temos como saber –, tem a parte central da fachada coberta por uma elegante estrutura dourada de ferro, cujo contorno vai modelando pontos turísticos cariocas, como o Pão de Açúcar, os arcos da Lapa, o Corcovado e o Sambódromo. Ao seu lado, uma colossal garrafa vermelha engalana a lateral direita da edificação, do sopé ao cume. Em outras palavras, é a chegada da Coca-Cola ao Maracanã, embora ainda não se saiba ao certo que funcionalidade terá tal prédio. Um restaurante? Uma loja de souvenires da marca? Um escritório administrativo? Só sabemos que é o “Padrão Fifa” se instaurando, pouco a pouco, por lá.

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