Sábado de protesto em Ipanema
22 outubro 2011 | 3 comentáriosA Praça Nossa Senhora da Paz virou ponto de encontro para moradores contra a futura estação de metrô do local

“Não queremos metrô”: assim gritavam, em coro, os moradores e simpatizantes do manifesto na manhã deste sábado, 22.
por Pedro Paulo Bastos
Aproveitando o embalo da postagem anterior, aconteceu na manhã desse sábado um protesto na Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, contra a estação de metrô que se construirá no local como expansão da Linha Um para a Barra. O evento foi liderado pelo Projeto de Segurança de Ipanema, que é um movimento voluntário criado pelos próprios moradores para preservar os valores tradicionais do bairro.
Ocorreu distribuição de panfletos, abaixo-assinado, “abraço” coletivo ao monumento central da praça e a presença de muitas equipes de reportagem. O encontro, no entanto, não foi agraciado com a adesão de muitos participantes, contrariando o percentual declarado pelo PSI de que 91,37% da população de Ipanema não tem posição favorável em relação à estação Nossa Senhora da Paz. O perfil de quem estava por lá era, majoritariamente, de mulheres e idosos, fortalecendo o argumento defendido pelo grupo de que a praça é um espaço de lazer para a terceira idade.
Eu sou contra a construção da estação do metrô considerando o fato de que defendo a preservação da linha original, licitada em 1998, pelo Humaitá e Jardim Botânico. Porém, como não há nada mais a mudar – o Estado já mostrou-se irredutível quanto a manter tal traçado para 2015 -, mostro-me favorável à construção de uma parada na Praça Nossa Senhora da Paz.

Manifestantes consideram o tombamento da praça como uma das razões para que não se intervenha por lá com as obras do metrô.
As associações de moradores oficiais e não-oficiais têm um papel muito importante na luta pela preservação dos bairros e na defesa dos seus interesses. O problema é saber o limite entre interesse individual e coletivo, levando-se em conta diversos critérios de avaliação. Ipanema, além de residencial, é um bairro turístico, comercial e, por que não, empresarial. É gerador de empregos, um centro financeiro periférico. O metrô ali pode realmente não atender preferencialmente aos moradores, mas vai oferecer uma maior comodidade às pessoas que, de alguma forma, são ligadas à Ipanema. Pessoas que prestam serviços ao comércio e aos consultórios médicos do bairro; pessoas que curtem a praia e que também querem aproveitá-la; outras, inclusive, que se deslocam em busca de boas opções gastronômicas. Turistas, então, que facilidade para eles! Enfim, toda uma variedade de pessoas que contribui para o destaque de Ipanema como lugar badalado e financeiramente ativo.
Segundo o governo estadual, “a opinião de algumas poucas pessoas sobre uma obra que beneficiará milhares de usuários diariamente não representa a vontade da população do Rio de Janeiro”. E é verdade. Lutar pelos interesses do bairro não pode confundir-se com a ideia de que os moradores sejam donos dele. O papel dos moradores de Ipanema deve ser o de cobrar detalhes do projeto, como se realizará e como resultará. De que maneira serão preservadas as árvores, o mobiliário público, os monumentos. O que será feito para minimizar o impacto ambiental. Quais as medidas para conter possíveis desordens urbanas. São atitudes mais cabíveis no momento e a população de Ipanema tem força e apelo para tais exigências.
“Para as pessoas que trabalham aqui e chegam de metrô, ou para aqueles que têm dificuldade de locomoção, ainda teremos o ônibus de integração. Este presta um ótimo serviço em menos de cinco minutos“, diz um dos panfletos entregue no evento. A questão é que, após a finalização do trecho General Osório-Gávea, o metrô na superfície deixa de existir, pois não faria mais sentido. E os ônibus convencionais (ainda) não são integrados ao transporte metroviário.
asruasdorio.contato@gmail.com

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