Ocupai os muros da cidade: o Wallpeople volta ao Rio!

11 maio 2013 | deixe seu comentário (0)

Projeto de arte colaborativa nascido em Barcelona aportará no Rio pela 3ª vez com a temática “Music Edition”


Barcelona. Detalhe do muro ocupado em Barcelona, em 2011, sob a temática “O que é a felicidade?”.

por Pedro Paulo Bastos

Em grandes metrópoles como o Rio de Janeiro é muito difícil andar por aí e não se deparar com espaços públicos de lazer vazios com muralhas abandonadas. Muitas das vezes estes locais podem ser extremamente movimentados pelos afazeres do dia-a-dia, ou por serem zonas de passagens importantes, embora sejam pouco “presenciados” de fato. Com base nesse panorama é que o Wallpeople, um projeto de arte colaborativa nascido em Barcelona há quatro anos, tem como razão de existência a reivindicação do espaço público como meio de expressão e de interação cidadã através da arte. Nada mais justo que aplicarmos esta proposta pelas ruas do Rio!

O Wallpeople tem tido sua edição carioca nos últimos dois anos e cada vez mais ganhando adeptos em mais de quarenta cidades do mundo. Criado pela dupla de publicitários, o espanhol David Marcos e o mexicano Pablo Quijano, o Wallpeople se baseia em organizar exposições coletivas em espaços urbanos, onde qualquer um possa exibir suas próprias obras der arte. O projeto promove uma oportunidade para todos aqueles que têm algo a mostrar para o mundo e que dificilmente conseguiriam tal feito em uma galeria ou em um museu. Eis que surge a materialização do Wallpeople: a ocupação de um muro abandonado da cidade com obras de arte minhas, suas, nossas, deles, delas… Qualquer um pode participar, independente de ser artista ou não. Expressão é a palavra-chave do projeto!

É com grande honra que o As Ruas do Rio virou um dos veículos oficiais de divulgação do evento aqui no Rio (em São Paulo, é o pessoal do Choco la Design), que vai acontecer no próximo sábado 1 DE JUNHO, a partir das 14 horas, na Tijuca (ver localização exata mais abaixo). A temática se chamará “Music Edition” neste ano; o participante deverá reinterpretar uma música em um formato artístico da sua escolha: ilustração, fotografia, texto, pintura, colagem, lona… Pode ser um tributo a um artista, a um concerto, a um momento musical particular que você tenha tido, seu tipo musical favorito, origens musicais, e por aí vai.


Exemplos. O tema Music Edition incursionará o Wallpeople no mundo da música. Use a criatividade e traga materiais artísticos próprios que tenham a ver com o mundo musical. Ocuparemos um muro abandonado com diferentes amostras de trabalhos artísticos que tenham a ver com música.

Já do ponto de vista geográfico, a ideia de dar vida ao Wallpeople na Tijuca é justamente a proposta de levarmos eventos artísticos de qualidade – e gratuitos – para regiões do Rio nem sempre englobadas por este circuito, geralmente restrito entre a Lapa e a zona sul. Escolhemos a Tijuca por ser um bairro de simbólica representatividade urbana na cidade e com vários aparatos culturais nem sempre estimados pelos cariocas, como o Teatro Ziembinski, por exemplo, que fica bem ao lado do muro em que iremos ocupar. Temos o apoio também da galera do Norte Comum, que é uma rede de articulação cujo objetivo é restabelecer meios de circulação e expressão cultural entre os bairros da zona norte do Rio de Janeiro.

Para mais informações sobre o Wallpeople: Music Edition no próximo sábado 1 de Junho, acompanhe as informações e os formatos artísticos que serão aceitos na página do evento no Facebook: http://goo.gl/DjsMk. Vá lá e confirme sua participação!

 

As cidades participantes até agora são:

 Barcelona · Madrid · Valencia · Bilbao · Santander · Gijón · Córdoba · León · Málaga · Palma de Mallorca · Lisboa · Porto · Funchal · Roma · Dublin · Budapeste · Amsterdã · Berlim · Belgrado · Zagreb · Rijeka · Istambul · Nova York · Miami · Cidade do México · Guadalajara · Monterrey · Buenos Aires · Rosario · Corrientes · Rio de Janeiro · São Paulo · Santiago do Chile · Lima · Quito · Guayaquil · Bogotá · Medellín · Barranquilla · San Juan Porto Rico · Caracas · Maracay · Panamá · Santo Domingo · Cochabamba


Wallpeople Rio. Detalhe do muro do Wallpeople carioca, que aconteceu na Tijuca em 2012 sob a temática “Express Yourself”.


Criatividade a mil. Os participantes do Wallpeople Rio em 2012 levaram trabalhos pra lá de criativos. Dispusemos também lápis de cera coloridos e folhas de papel para quem quisesse criar ou montar algo na hora. Várias ideias bacanas vieram à tona.


Material. Detalhe dos materiais artísticos que pintaram no nosso muro ano passado. Após a foto oficial do muro completo, os participantes puderam trocar entre si estes materiais.


Localização. Na Tijuca, ocuparemos um muro extenso grafitado, de uso público, numa praça nem sempre utilizada pela população, nem sempre bem preservada pela prefeitura.

Local: Esquina da Avenida Heitor Beltrão com a Rua Alzira Brandão, na Tijuca

Referências: Bem próximo do Teatro Ziembinski e a poucos metros da estação São Francisco Xavier do metrô. Fácil de chegar e sair para quem more no centro, zonas norte, sul ou oeste.

Dia e Horário: 1/06/13 (sábado), 14 horas – 18 horas. Precisamos da luz do sol para dar vida ao Wallpeople. Em caso de chuva, avisaremos nosso posicionamento na página do evento no Facebook: http://goo.gl/9VHrE.

Contato: rio@wallpeople.org. Ou pela página do evento no Facebook!

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A revitalização das rotatórias do Grajaú

06 outubro 2012 | 2 comentários


As novas rotatórias ajardinadas nos cruzamentos internos do Grajaú.

por Pedro Paulo Bastos

A fim de harmonizar o trânsito nas ruas internas do bairro do Grajaú, na zona norte, foram instaladas cerca de sete rotatórias nos cruzamentos da Avenida Júlio Furtado. A medida induz à uma diminuição da velocidade dos veículos que circulam por tais ruas residenciais, e, consequentemente, uma maior valorização aos pedestres e ciclistas, que já têm prioridade no trânsito nessa parte do bairro regulamentada pela CET-Rio.

O que eu gostaria de apontaraqui (e comemorar!), em relação às rotatórias, é que elas surgiram como simples sinalizações asfálticas. Logo em seguida, ganharam um acimentado feio de aproximadamente 25 centímetros de altura, que destoava totalmente do clima bucólico do Grajaú, cheio de árvores e jardins. Era um peixe fora d’água. Eis então que as rotatórias foram finalmente remodeladas com um pequeno canteiro circular e a pintura em amarelo nas bordas, que as tornou mais atraentes. A rotatória que fica no cruzamento com a Rua Marechal Jofre, por exemplo, foi agraciada pela arte de rua com a inclusão de divertidos elefantes cor-de-rosa na parede da sua borda. São esses pequenos detalhes que fazem toda a diferença na beleza das nossas ruas!

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Rua do Catumbi

04 setembro 2012 | 3 comentários

Welcome to Catumbi! Um singelo passeio pela rua principal do bairro que todo mundo acha que se limita a um viaduto.


Vista para o Santuário Paróquia Nossa Senhora da Salette, no Catumbi, com a divertida placa criada pelo grupo de intervenção urbana Coletivo Filé de Peixe, em junho passado.

por Pedro Paulo Bastos

Uma moça me observava risonha. Ela arrumava as bananas e laranjas da sua pequena vendinha, em frente ao Cemitério São Francisco de Paula, enquanto eu enquadrava com a câmera uma paisagem ao longe. “É o Cristo”, falamos os dois juntos, eu com exclamação, ela, interrogação. Conversamos rapidamente sobre os melhores ângulos para se avistar o Corcovado naquela região. Discutimos, também, o alcance do zoom da máquina. Despedimo-nos com um ”até logo” e voltei para o (meu) fantástico mundo das ruas do Rio. Observei o meu entorno em uma espécie de 360 graus - agora, sob outra perspectiva, a de um pedestre, e não mais a de um passageiro de algum ônibus ou automóvel. O Catumbi é um daqueles locais que chamamos de “zona de passagem”. De tão minúsculo diz-se que mal existe, que é sem vida. Percebi que não… não mesmo.

As histórias sobre o lugar são as piores possíveis. Arrastão, tiroteio no Morro da Coroa, gente morta sobre a calçada, cracudos debaixo do elevado que conecta o Túnel Santa Bárbara. O receio em circular por ali, para quem é de fora, é um pouco mais acentuado diante da “má fama” que tanto nos leva a pensar negativamente. Entretanto, a minha impressão como pedestre na Rua do Catumbi fora a melhor possível. De tão soleado que estava a manhã, iluminação recorrente desses dias agradáveis de inverno atípico aqui no Rio, tudo parecia estar mais alegre com o colorido dos letreiros e azulejos, que ficavam ainda mais em evidência. A surpresa foi em ver a quantidade de pessoas circulando pela Rua do Catumbi. Parecia uma feira a céu aberto, com gente pra lá e pra cá, cumprimentos, celebrações, papos de portão, outros “até logos”. Quase o Divino da novela das oito.


Pequena vendinha de frutas em frente ao cemitério São Francisco de Paula, que é rodeado também por floriculturas, uma praça cercada, e o Corcovado.


O Morro da Coroa, ao fundo da imagem à esquerda, com o final do Elevado 31 de Março, e uma placa de trânsito.

Algo interessante de se observar foi o contraste entre o aspecto do cemitério São Francisco de Paula, que, naturalmente, abriga sofrimento e tristeza, e a energia totalmente diferente do seu espaço externo. No Caju, por exemplo, ou nos arredores do cemitério São João Batista, a impressão que se tem é a de que todas as ruas do entorno se afundam no mesmo baixo-astral. Nem mesmo os lançamentos imobiliários voltados para a classe média parecem acabar com aquela energia, no caso de Botafogo. Tudo tão cinza, monótono, melancólico. No Catumbi, pelo menos naquele momento, o que estava morto do lado da necrópole parecia se transformar em vida, sob uma potência gigantesca, nas relações sociais do bairro.

Eu ♥ Catumbi

Volta e meia, nos contos e romances clássicos, de autores como Machado de Assis ou Aluísio Azevedo, o “esquecido” Catumbi é citado como moradia de algum barão ou comerciante influente daquele Rio de outrora. No entanto, sua evolução urbana não fora acompanhada nem preservada. Seu caráter histórico não foi convertido em um viés mais turístico. Mesmo assim, algumas recentes intervenções urbanas parecem ter resgatado um pouco da auto-estima perdida – ou, pelo menos, não tão evidenciada. Quem entra na Rua do Catumbi através da alça de acesso que vem da Rua Doutor Ladgen logo se depara com uma placa bastante inusitada. “Welcome to Catumbi“. Assim, em inglês mesmo. As compreensões diante daquilo são infinitas. Certa vez um amigo me comentou que parecia uma saudação de “boas-vindas” aos gringos que, por acaso, aparecessem ali em jipes, como se estivessem num safári. Na minha exploração, encontrei outras pequenas intervenções, não tão nítidas, que exaltavam amor e carinho ao bairro, como o “Eu ♥ Catumbi”. Não é possível que haja sarcasmo nisso. É apenas a devolução de um pouco de fantasia e humor a um bairro muito maltratado pelas obras viárias paupérrimas em planejamento.


Ponto de ônibus antigo na Rua do Catumbi, no modelo dos que existiam em todo o Rio até a década de 90. Ao lado, o comércio predominante da Rua do Catumbi, como madeireiras e vidraçarias, que funcionam dentro de antigas residências.


Outro exemplo de imóvel antigo na esquina com a Rua Valença, onde funciona um bar que, em frente, conta com um belo de um ipê rosa.

O tal do maltrato é refletido no estado de conservação das casas, edifícios e praças na rua. Nas transversais da Rua do Catumbi, como as ruas Valença, José Bernardino e do Chichorro, é possível estar em contato com imóveis seculares bastante simpáticos mas parcialmente destruídos pela ação do tempo e do descaso. A abertura do Túnel Santa Bárbara, em meados do século XX,  embora vantajosa para a política rodoviarista, exterminou a essência residencial do Catumbi. Além da população marginalizada que ocupa as encostas, toda a originalidade dali parece estar contrariada. Como mostra o saudoso professor Maurício de Abreu em seu livro Evolução Urbana do Rio de Janeiro (IPP), “formas morfológicas antigas podem ser chamadas a realizar funções totalmente distintas daquelas para as quais foram criadas”. Essa frase poderia se encaixar em qualquer contexto urbano degradado, mas na Rua do Catumbi é mais encaixável diante do seu caráter, até então, exclusivamente residencial. Pelo menos se vê uma reinvenção de um espaço que precisou se adaptar às agruras da cidade grande. Da época áurea – não me refiro à elite, mas sim às belezas -, o que restam mesmo são algumas poucas lindas árvores, como o ipê rosa em frente à Rua Valença.


Os dois elementos mais chamativos da rua: o Santuário Paróquia Nossa Senhora da Salette e os Arcos da Apoteose.

Duas outras coisas chamam muita a  atenção na Rua do Catumbi. Primeiro, os Arcos da Apoteose, parte do sambódromo, que fica logo em frente. Segundo, o Santuário Paróquia Nossa Senhora da Salette, fundado em 1914. De estilo gótico, ele tem uma torre bastante extensa, podendo ser vista de muitos cantos de Santa Teresa, Rio Comprido e do próprio elevado do Túnel Santa Bárbara. Não é tão comum que eu goste de igrejas. Mas essa, particularmente, me deixou bastante agraciado. Talvez pelo seu aspecto magrinho, estreitinho. Acredito que possa ter sido também pelo fato de que eu o vi tantas vezes ao longo da minha vida, bem de longe, e só agora é que tive a oportunidade de confrontá-lo. A influência saletina é tanta pela Rua do Catumbi que seu nome pipoca em diversos nomes de estabelecimentos comerciais. Farmácia, vidraçaria, mercadinho…

Letreiro antigo: FUNERÁRIA

Falando em nomes de estabelecimentos, é interessante observar os seus letreiros. Se por um lado há uma crítica ferrenha às faixas coloridas impressas em gráficas, por projetarem uma maior poluição visual, o que dizer então dos antigos letreiros de plástico caindo aos pedaços? Na Rua do Catumbi, essa mistura de tipografias e informações fica bem evidenciada. Sintetiza bastante a falta de renovação do comércio local e a de compromisso – ou valor – com a estética visual. Não muito longe dali, na Rua Frei Caneca, há letreiros bastante antigos que sempre me comovem de certa forma. Fico ainda mais em êxtase ao notar, por exemplo, os algarismos que compõem o número do telefone da loja ao lado do seu nome. É possível medir a idade deles através da quantidade de dígitos do prefixo. Foi a partir de junho de 2001 que o Rio foi contemplado com o acréscimo de um “2″ ou um ”3″ no início da sequência. No Catumbi, o melhor exemplo é o de uma portinhola onde funciona uma agência funerária. O prefixo 293 esta lá, cuidadosamente adaptado.

Quer ver mais fotos da Rua do Catumbi? 

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A Zona Portuária já começa a ter sua paisagem modificada

27 julho 2012 | 9 comentários

Intervenções paisagísticas no Porto já estão a todo vapor; o antigo Cais do Valongo é a principal atração


Transeuntes empolgados com os novos canteiros loteados de buquês de flores coloridas na Praça Jardim Morro do Valongo.

por Pedro Paulo Bastos

Ainda há muitas pessoas que acham a revitalização da Zona Portuária uma falácia, ou simplesmente algo longe de acontecer de acordo com o tempo prometido pela prefeitura. Eu sou daqueles empolgados, que torcem pela recuperação de áreas urbanas degradadas, mas que também tem um pezinho atrás diante de tanta propaganda. Já sabia através dos jornais que as obras tinham começado, porém, como não tenho o costume de circular por aquela região, não tinha ideia de como muitas ruas da Saúde já estavam diferentes desde a última vez, em que subi o Morro da Conceição (crônica do dia 4/10/2011, relembre aqui).

A tradicional Praça Mauá, no início da Avenida Rio Branco, está toda repleta de tapumes e cercas. Depois de anos no ostracismo, junto ao fim da paisagem sombria proporcionada pelo Elevado da Perimetral, ela é uma das grandes promessas para a nova Zona Portuária, por todo o seu simbolismo. Seguindo pela Rua Sacadura Cabral, a principal via do bairro da Saúde, as calçadas, até então esburacadas e desniveladas, estão recebendo nova roupagem. Surgem crateras do chão, de onde operários trabalham no encaixe de lajotas cinzas e, ao mesmo tempo, funcionários da Cedae cuidam das tubulações de água. Nas esquinas, a adaptação para cadeirantes e carrinhos de bebê já se vê na implantação de rampas. Afinal, a Zona Portuária será praticamente um bairro novo. Nada mais sensato que todo tipo de inclusão social e de medidas sustentáveis sejam trabalhadas por lá.


Na Rua Sacadura Cabral, as calçadas já apresentam sinais de padronização, com a inclusão de pequenos quadrados para árvores e gramados. Ao lado, o Largo São Francisco da Prainha todo coberto por tapumes.


A descoberta do antigo Cais do Valongo é uma das atrações já abertas ao público na Zona Portuária, que conta com lixeiras padronizadas, diferentes das laranjonas que costumamos ver nos outros bairros.

Virando à direita na Avenida Barão de Teffé, com a descoberta do antigo Cais do Valongo, todas as árvores e os canteiros que existiam ali foram removidos para dar espaço a novos canteiros loteados de buquês de flores coloridas. Pausa para o momento exclamação: é impressionante!!!!! O que foi feito não teve nada de criativo, é válido dizer, a questão é que em nenhum outro lugar do Rio se enfeitou de forma tão cuidadosa canteiros assim, cheinhos de flores. Lindo demais! O panorama de palmeiras e árvores secas junto do antigo Hotel Barão de Teffé confere uma paisagem única a um local carente de intervenções paisagísticas. Considerem essa pequena e humilde postagem como uma introdução ao que ainda pretendo mostrar aqui da Zona Portuária. As fotos foram rápidas, assim como a minha excursão por ali, já que vinha de outra parte do Centro onde fiz fotos para mais uma rua a ser catalogada aqui no blog.

Um último comentário a acrescentar é em relação à preservação da Zona Portuária no que tange ao seu caráter mais cultural, já que o espacial, como se vê, está indo de vento em popa. Bem se sabe que ali é um berço da cultura negra, do samba, do popular. É bacana ver o Cais do Valongo, por exemplo, sendo redescoberto e exposto ao público, assim como o Jardim Suspenso do Valongo. É primordial que o empresariado colabore com o Estado no investimento em serviços e entretenimento. Mas é muito importante também que as pessoas que fazem parte dessa região continuem pertencendo a ela. Não sou muito a favor de que a lei do mercado impere nas histórias dos moradores para com seus bairros. Todos sabem que a Zona Portuária tem a pretensão de se tornar uma das áreas mais caras do Rio de Janeiro; no entanto, é justamente ali onde se concentram algumas das classes mais desfavorecidas da cidade. É necessário harmonizar os dois lados da moeda para fugirmos do modelo de revitalização do prefeito Pereira Passos, no início do século passado, que modificou o Centro às custas dos pobres. O “seu povo”, se assim posso dizer, merece fazer parte dessa nova fase da Zona Portuária.

 

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Wallpeople Rio de Janeiro foi um sucesso!

17 junho 2012 | 1 comentário

O evento de arte urbana internacional, sediado em Barcelona, teve sua edição carioca no sábado (16), na Tijuca


O Wallpeople Rio de Janeiro revitalizou uma das praças abandonadas ao longo da Avenida Heitor Beltrão, na Tijuca.

por Pedro Paulo Bastos

Ao longo das últimas três semanas anunciei no final de cada postagem aqui no As Ruas do Rio sobre o Wallpeople. Ele é um evento que acontece anualmente em diferentes cidades ao redor do mundo, tendo se originado em Barcelona, em 2009, sob a égide da dupla de amigos publicitários Pablo Quijano e David Marcos. A proposta do Wallpeople é intervir em um muro abandonado no espaço urbano com quaisquer tipos de artes: fotografias, pinturas, colagens, caricaturas, poesias, origamis, roupas, frases, post-its. Uma forma de construir uma espécie de galeria de arte a céu aberto, reunindo pessoas com interesses afins, independente do sexo, religião, etnia, idade ou classe social. Em tempos de relacionamentos puramente virtuais, o Wallpeople congrega pessoas fisicamente no espaço público.


O tema universal para as edições de 2012 do Wallpeople foi “Express Yourself” que,
em bom português, significa autoexpressão. (Fotos: Flávia Fafiães)


A colagem do material trazido por cada um começou por volta das 15h30.
(Última foto: Flávia Fafiães)

Esse ano, 2012, eu tive a oportunidade de coordenar junto de um grupo de amigos a edição carioca do Wallpeople, que por pouco ficou fora do circuito brasileiro, já que o Rio de Janeiro foi a única cidade a abrigar o evento! Estava previsto para acontecer simultaneamente com as outras cidades, no último dia 9 de junho, data oficial do Wallpeople em 2012, mas, por causa do mau tempo que assolou a cidade nesse fim de semana, transferimos excepcionalmente o evento para ontem, dia 16.

Ele aconteceu numa das praças subutilizadas ao longo da Avenida Heitor Beltrão, na Tijuca, resultantes das obras do metrô no bairro na década de 70. A proposta de fazer o Wallpeople na Tijuca foi, não só por questões afetivas, mas também uma maneira de contemplar a região com eventos culturais de qualidade, já que quase tudo acontece sempre pelas bandas da zona sul e, mais recentemente, na Lapa. A ideia deu certo à beça: o Wallpeople Rio de Janeiro contou com cerca de 80 participantes de diferentes bairros da cidade, inclusive gente da região metropolitana e serrana. Famílias estiveram por lá, casais, estudantes, fotógrafos, cinegrafistas, crianças! Até mesmo outras nacionalidades estiveram presentes por lá, como um grupo de mexicanos, argentinos e portugueses que estão morando na cidade maravilhosa.

A sinalização pelas ruas no entorno da estação São Francisco Xavier do metrô começou cedo, por volta das 13 horas. Pouco a pouco, as pessoas foram chegando à praça, que fica na esquina da Rua Alzira Brandão. A colagem do logotipo central do Wallpeople deu a largada para que cada um colasse ao muro grafitado suas obras artísticas, sendo o tema desse ano “Express Yourself”, isto é, autoexpressão, em português. Já prestes a escurecer, era possível ver imagens incríveis – desenhos muito bem feitos e bolados, frases de impacto, um vestidinho todo bem trabalhado e cheio de referências, fotografias expressivas, poesias, cartoons. Após a tomada da foto do muro completo, os participantes trocaram entre si as coisas que mais tinham gostado, promovendo, dessa forma, interação e criação de novas amizades.


O evento aconteceu em mais de 30 cidades ao redor do mundo no último dia 9 de junho, e, no Rio,
ontem, 16, devido ao mau tempo de semana passada. (Foto da esquerda: Flávia Fafiães)


Mais do Wallpeople Rio de Janeiro, na Tijuca: gente talentosa, profissionais ou não, expondo materiais
artísticos de alta qualidade. (Foto da esquerda: Flavia Fafiães)

A repercussão do evento foi a melhor possível pelas redes sociais. Quem foi, gostou; quem não pode ir, provavelmente irá na próxima edição. O Wallpeople, no contexto do Rio de Janeiro, foi mais uma prova de que somos uma cidade versátil o suficiente para promover eventos de alto nível qualitativo, congregando pessoas de grande talento, para uma reunião simples, sadia e, principalmente, cidadã. A pracinha, antes abandonada, se encheu de vida conosco.


O muro antes de receber as colagens para o Wallpeople. Créditos à Flávia Fafiães.

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