Santa Teresa: ruas Fonseca Guimarães, Filadélfia e Triunfo

27 março 2012 | 2 comentários

Poderia ser um belo de um condomínio fechado, mas, para a nossa sorte, esse conjunto de ruas em Santa Teresa é aberto ao público.


A bifurcação das ruas Filadélfia (à esquerda) e Fonseca Guimarães, em Santa Teresa, na zona central do Rio. A casa rosa ao fundo fica na Rua Paschoal Carlos Magno.

por Pedro Paulo Bastos

O Largo do Guimarães em um sábado ensolarado oferece uma sensação bastante estrangeira ao carioca que passeia por Santa Teresa. A movimentação intensa, agora sem os tão queridos bondes, é formada por gente de cabelo louro quase branco, acompanhado de olhos muito claros, pele avermelhada, pochetes, câmeras fotográficas potentíssimas presas ao pescoço e aqueles pocket books de turismo no Rio nas mãos. Os bares da Rua Paschoal Carlos Magno já fervilham às onze da manhã, e a predominância gringa fica ainda mais evidente. Como a rua é estreita e o vai-e-vem é grande, lembra à beça aquelas cidades cenográficas do Projac, lotada de figurantes em cena de novela. A diferença é que ali se trata de um bairro real.


Bem ao lado do Bar do Mineiro, um dos locais gastronômicos mais simbólicos de Santa Teresa, uma igreja imponente e bastante velha chama a atenção dos não-moradores e de suas respectivas câmeras. É a Paróquia Episcopal Anglicana São Paulo Apóstolo, construída no início do século passado. Poderia ter uma aparência melhor, embora seu aspecto velho contribua ainda mais para o charme meio rústico do bairro. E foi justamente ao lado, na sua esquina, onde me embrenhei para percorrer mais um conjunto de ruas: as agradabilíssimas Fonseca Guimarães, Filadélfia e Triunfo.

Para acessá-las, só há uma entrada para automóveis, controlada por uma cancela nas imediações da Rua Fonseca Guimarães com a Paschoal Carlos Magno. Geralmente sou questionado quando ultrapasso ruas com cancela, ainda quando porto a câmera na mão. Em Santa Teresa não fui barrado, mas quase fui xingado por um morador ao me ver enquadrando o prédio onde morava em uma das minhas fotos. Fico triste quando desconfiam de mim ou me limitam quando fotografo, mas compreendo a preocupação. Só me resta a lamentação de ainda vivermos numa cidade onde a violência é um fato. Nesse caso, toda prevenção é pouca, mas não vou deixar de fazer esse trabalho pois o considero de utilidade pública. Um dia, num futuro distante, pretendo reunir todo esse meu “acervo fotográfico” de ruas, que venho acumulando desde 2009, para disponibilizá-lo de alguma forma para estudos, pesquisas e afins.

Esse conjunto de ruas em Santa Teresa poderia muito bem ser um condomínio fechado. Como vocês podem ver no mapa, tem o formato de um círculo, só um acesso, apesar de eu ter encontrado uma trilha em forma de escadas mais adiante, na Rua Filadélfia. Essa, aliás, começa numa bifurcação com a Fonseca Guimarães, que no seu primeiro trecho é mais vazia de residências, com a relevância de encontrar-se ali a lateral da Paróquia Episcopal Anglicana São Paulo Apóstolo. A Rua Filadélfia, em um primeiro panorama, é de subida, com chão em paralelepípedo, gramado já crescidinho, e um paredão de pedra que remete em muito às ruas antigas da cidade. Lembrei demais da Ladeira da Misericórdia, no Centro, acesso para o já inexistente Morro do Castelo. Essa imagem é única na minha memória, desde os tempos de escola. O Morro do Castelo é minha referência em Rio Antigo.


O pequeno e simpático edifício amarelo é uma exceção na Rua Filadélfia, constituída por casinhas e casarões. No seu encontro com a Rua Triunfo, um mirante, de onde se pode ver parte do bairro.

A Rua Filadélfia não é muito extensa, mas é loteada de casas espaçosas e pequenos edifícios. Um dos detalhes que chama a atenção são as janelas inferiores, dos pisos abaixo do nível da rua, algo não muito comum na arquitetura contemporânea. Muitas das fachadas têm cores vivas e fortes, como um edifício amarelo e uma casinha vermelha, com detalhes em ciano. Não posso esquecer de mencionar o verdão “aguado” de um casarão na esquina com a Rua Fonseca Guimarães, também bastante apreciável. No encontro da Filadélfia com a Triunfo há uma espécie de mirante, de onde é possível observar boa parte da colina onde está Santa Teresa e o ir-e-vir dos microônibus, que agora substituem totalmente os bondes. O mirante é rodeado por um jardim de pequenos vasos de cactos. Muito bacana.

Já poderia ter comentado logo no início dessa postagem sobre as luminárias públicas, mas preferi incluí-las no meu roteiro pela Rua Triunfo. Sim, não estou falando destes postes cinzentos horrorosos que temos por aí, mas sim de luminárias clássicas. Em dezembro, quando rodei pela região da Rua Cruz Lima, no Flamengo, achei a base original de um antigo poste, dos tempos do Estado da Guanabara. A parte superior, no entanto, fora modificada por modelos mais atuais. Depois descobri que esses postes estão em mais lugares do que eu imaginava, como Catete, Tijuca, Maracanã, Botafogo… A diferença é que em Santa Teresa a luminária também está intacta, o que é um barato. No ambiente charmoso e histórico da Rua Triunfo, esse detalhe faz toda a diferença.


Acima, algumas das residências da Rua Triunfo, cheia de cores vibrantes. Na imagem à direita é possível avistar a luminária comentada anteriormente.


A pousada Castelinho 38 funciona numa casa de estilo eclético, com fortes inspiração militar medieval. Ao lado, residência com janelinhas inferiores. 


Acredito que essa região do bairro seja uma das partes mais nobres, porque é incrível como os imóveis são antigos, bem conservados e com fins residenciais. Na Lapa, por exemplo, onde se vêem muitas casas e prédios do mesmo porte, a energia parece estar meio apagadinha, pouco alegre, apesar de estar sofrendo uma série de intervenções que a estão revitalizando. A Rua Triunfo é viva, bucólica, mas, ao mesmo tempo, com alta penetrabilidade solar. Os quintais são arborizados, os gatos circulam pelas calçadas, pulando de grade em grade, e poucas vozes são ecoadas pelo silêncio infinito que ali impera. Até mesmo o Castelinho 38, uma charmosa pousada instalada num casarão de estilo eclético, que realmente lembra um castelo, e que supostamente deveria ter um movimentado mais agitado, é, nas aparências, de uma calmaria só.

Mais uma curva e voltamos à Rua Fonseca Guimarães, por onde iniciei a caminhada. Essa curva é um verdadeiro recanto verde; muitas árvores e um coqueiro bonitão, na entrada simpática do edifício rosa situado no terreno estreito entre os dois logradouros. O melhor mesmo desse trecho é o casarão lindo que fica logo no início da Fonseca Guimarães. O gradil verde que a cerca é mais decorativo que protetor. Muitas palmeiras, janelas grandes, porta arredondada e piso impecável. A fachada é elegante e discreta. Fantástico que tenhamos algo tão bem conservado e dessa “categoria” aqui no Rio.

O panorama da Rua Fonseca Guimarães tem elementos parecidos com os das ruas vizinhas. Ela é margeada por um novo paredão de pedra, que sustenta as casas da Rua Triunfo. Do outro lado, uma selva de árvores e plantas, contempladas pelas mesmas luminárias públicas originais. As casas baixinhas permitem uma visão mais abrangente dos morros verdinhos de Santa Teresa e suas casas coloridas espaçadas entre um punhado de árvores e outro. O sobrado rosa, onde funciona uma lojinha meio brechó na Rua Paschoal Carlos Magno, bem em frente à Rua Fonseca Guimarães, indica que dei a volta completa. De novo a entrada da Rua Filadélfia, de novo a cancela. Minha impressão? Santa Teresa é, definitivamente, o bairro que mais define a essência carioca. Eu acho…


O número 55 da Rua Fonseca Guimarães é um verdadeiro monumento; tem um estilo neogótico, em meio a um terreno amplo e arborizado. Já o restante da rua é formado por casas menos glamurosas, mas não menos aprazíveis.  

Vou colocar mais fotos da ruas Filadélfia, Triunfo e Fonseca Guimarães na página do As Ruas do Rio no Facebook. Curte lá para ver!

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Adaptações climáticas

15 março 2012 | 2 comentários

As alternativas de cidades canadenses para fugir do frio das ruas. E, nós, no verão carioca, temos como fugir do calor nas atividades do dia-a-dia?


Na Urca, 29 de fevereiro de 2012, temperatura beirando os 40 graus Celsius. Em Montreal, 2 de março de 2012, com 53 graus a menos do que na paisagem ao lado.

por Pedro Paulo Bastos

Início desse mês de março sofri um baita de um choque térmico. Morador do Rio de Janeiro, saí um pouco da nossa querida cidade, que beirava os usuais 40 graus Celsius, todo ensopado em suor. Fui direto para a gélida Montreal, no Canadá, que nesse fim de inverno contava com temperaturas mais brandas, ao redor dos 13 graus negativos. Respirei gelo, atolei a bota de couro em montanhas de neve, tive os lábios ressecados, as mãos roxas quando expostas ao vento… Sofrimentos à parte em férias mais do que merecidas, ganhei a oportunidade de conhecer outros contextos de urbanismo, coisas que eu valorizo à beça em apreciar quando viajo.

Não existem muitos fatores urbanísticos em comum entre Montreal (ou Toronto, que também visitei) e o Rio de Janeiro. São estruturas diferentes de cidades, com dinâmicas peculiares, influência de culturas distintas, nível de segurança pública e estabilidade econômica também muito divergentes… Porém, em uma coisa, sim, somos iguais às cidades do Canadá previamente citadas: contamos com extremidades climáticas. Eles com um inverno bem rigoroso, e nós com um verão de matar se não fosse a bênção de termos uma orla com praias paradisíacas tão extensa quanto a carioca.

Há quem diga que o inverno extremo é menos suportável do que o verão na mesma proporção, embora eu acredite que isso seja muito relativo. Depende da resistência (e do humor) de cada um. Mesmo assim, é inegável dizer que ambas versões climáticas oferecem desconfortos, que podem ocasionar problemas de saúde, inclusive. Nesse ponto, as cidades canadenses saem na frente do Rio de Janeiro por oferecerem uma estrutura que bloqueia o cidadão do tão cruel inverno de lá, que são as “cidades” subterrâneas, ou, do jeito literal, “down towns”.

A calefação está para eles como o ar condicionado deveria estar para nós, principalmente no transporte público. Como seria impossível fazer com que as ruas de Montreal e Toronto contassem com esse tipo de aquecimento, a alternativa foi construir verdadeiras cidades subterrâneas - pequenos shoppings, na verdade, que ganharam tais funções posteriormente -, que se interconectam como se fossem ruas. Nem sempre imitam o desenho das ruas oficiais, embore conte com uma sinalização que adverte o pedestre sobre a localização exata dele em relação à superfície. O negócio é tão bem integrado que no Path, em Toronto, há escadas que só não te levam às ruas, mas já a alguns determinados edifícios empresariais, hotéis e shoppings. Ou seja, não há a necessidade de entrar em contato com a ventania e a neve lá em cima; você pode fazer seu percurso debaixo da terra, subir umas escadinhas e já estar dentro do seu local de trabalho. É uma grande integração dos caminhos públicos com os domínios privados, sem falar na conectividade que as estações de metrô e os terminais rodoviários e ferroviários têm com a área aquecida.


A entrada para o Path, como é chamado o “down town” em Toronto, pode ser acessada por uma simples escadaria do metrô. Ao lado, relógio marca 42 graus aqui no Rio, em dezembro de 2011: como se proteger?

Não vou comparar o Rio com Toronto, porque como já falei, são países e culturas diferentes, ainda mais no que tange à questão financeira. Só queria fazer uma observação para o certo descaso que existe em relação ao nosso verão escaldante. Valoriza-se muito o nosso calor relacionado ao lazer, ou seja, de ir para a praia, tomar banho de cachoeira no Horto ou na floresta, ir ao clube, pegar um bronze, prática de esportes, enfim… Um sem-fim de atividades ao ar livre. Mas a grande verdade é que no nosso dia-a-dia, em ir estudar, ir ao supermercado a pé, se vestir adequadamente para o trabalho, que geralmente requer roupas menos folgadas, é uma tarefa bastante desgastante, em todos os sentidos. Não há nenhum suporte na estrutura urbana da cidade que proteja o carioca do calor nas nossas atividades corriqueiras. Quem se salva é o metrô, que apesar dos pesares, ainda tem um ar condicionado considerável, mas não atende a todos os bairros. Os ônibus, no entanto, são predominantemente quentes - mesmo os frescões, que inacreditavelmente circulam mais em maio, junho e julho, do que em dezembro e janeiro. Que coisa, não?

Montar uma rede subterrânea no Rio de Janeiro seria complicado, custoso e burocrático. É só ver os problemas que temos com a construção do metrô na zona sul, embora seja menos difícil fazer escavações nas zonas norte e oeste, onde a circulação de ar é menos notada. Enfim, só queria fazer essa observação e alertar que o nosso verão é tão rigoroso quanto o inverno canadense – e os invernos de muitos outros países no hemisfério norte. Prover estruturas como as cidades subterrâneas, sejam aquecidas, como no Canadá, ou refrigeradas, como poderiam ser aqui, não vejo como luxo, mas sim como uma necessidade. É qualidade de vida. E um belíssimo exemplo de planejamento urbano.

Acho que um dia o Rio ainda chega nesse estágio!
Veja mais: “Rio passa por onda de calor histórico e tem sensação térmica maior que a do Deserto do Saara” (09/02/2010).


O Path, em Toronto. As lojas subterrâneas são originárias do início do século 20, mas a conexão em rede das galerias foi só idealizada pelos planejadores urbanos na década de 60. (Imagem: Web Urbanist)

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COMENTÁRIO ADICIONADO EM 17/03/2012:

O leitor Eduardo, que mora em Toronto, comentou aqui no blog e fez um contraponto em relação ao assunto das cidades subterrâneas por lá. De fato uma visão de um morador confrontada com a minha experiência como turista, o que lhe dá muito mais créditos. De qualquer forma, não deixa de ser uma ideia interessante para o Rio, ainda que com restrições, como o Path:

‘A “cidade subterrânea” de Toronto, onde já moro há 8 anos (vim para o Canadá em 88), tem um uso e popularidade bem restritos. Para começar, ela fica no setor financeiro-empresarial – ou seja, não abrange nem 10% da área da cidade. É realmete ótima para quem trabalha lá, como eu trabalhei por uns quatro anos. Mas não pensem que, chegado o inverno, os habitantes de Toronto se enfiam no subterrâneo e nunca mais saem. Tem lojas, sim, mas principalmente de serviços básicos como farmácias, lojas de bebidas, praças de alimentação, de telefones celulares, mercados de comida. Durante a semana realmente está bem movimentada no horário comercial dos dias úteis. Porém, nos outros horários e nos fins-de-semana, é uma cidade subterrânea fantasma. Mal ou bem, os torontonianos dão a cara ao frio e ao vento e saem mesmo com temperaturas gélidas para fazer filas em cinemas, esperar o restaurante abrir na hora do brunch, pegar ônibus ou bonde. Não conheço ninguém que busque ou se dedique a opções de lazer na cidade subterrânea – até mesmo porque quase não as há.’

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Rua Roquete Pinto

03 março 2012 | 7 comentários

Zona sul não é só um mar de prédios em meio a um trânsito caótico. A Rua Roquete Pinto, na Urca, prova o contrário.


Nada muito vertical, sombra, árvores, e um vistaço para o Pão de Açúcar. Eis a Rua Roquete Pinto, na Urca, que exala um gostoso clima de interior.

por Pedro Paulo Bastos

Se Jô Penteado vivesse em 2012, a emblemática personagem de Christiane Torloni na novela “A gata comeu” (1985) não circularia mais pelas ruas da Urca, na zona sul. Provavelmente a TV Globo teria recriado o bairro como parte de sua cidade cenográfica no Projac, deixando os mais saudosistas, como eu, na mão. Afinal, as novelas atuais quase não são mais gravadas em áreas externas públicas, tornando as produções mais antigas em grandes fontes de pesquisa e de observação no que tange às modificações urbanas ao longo do tempo. (Dica: dê uma assistida na novela “Barriga de Aluguel”, transmitida pelo Canal Viva. Tem muita cena gravada em Copacabana, de onde se vê a pintura beeeem antiga dos ônibus, além de linhas que nem existem mais!)

A novela em questão é mais velha do que eu (nasci três anos depois), mas lembro-me de tê-la assistido na reprise há pouco tempo e achava um barato que a história fosse gravada na Urca, bairro que lhes trago hoje em fotos. Personagens que caminhavam pelas ruas, as crianças que se encontravam em uma das pracinhas, a cena final em que Jô e Fábio estão sentados na mureta… Todas essas cenas estão eternizadas, sendo impossível ir à Urca sem resgatar “A gata comeu”.


Não faz mais do que um mês em que estive por lá de bicicleta. Pedalando é mais fácil de desbravar o bairro do que a pé, pois mais ruas são percorridas em menos tempo. No caso da Urca, que é uma pequena aldeia urbana, el recorrido é quase imediato. Num desses passeios despretensiosos, acabo por selecionar futuras ruas a serem retratadas por aqui. E geralmente as ruas menorzinhas e mais escondidas costumam ser mais interessantes. Na Urca, todos os logradouros são bem expostos, ligando sempre as extremidades. Não tem rua escondida ou menos importante na minha opinião. É tudo bonitinho, linear e calmo. É escolher uma, fotografar e escrever.

Escolhi a Rua Roquete Pinto, uma simpática via que começa na Avenida João Luis Alves, com uma das mais belas paisagens cariocas, terminando nos fundos do morro do Pão de Açúcar. Nem preciso dizer mais nada; a localização é uma das mais cobiçadas da cidade. O grande bônus é que ali, apesar da cobiça já comentada, o mercado imobiliário não tem como expandir-se. Muito difícil alguma casa ser desapropriada, bem como um edifício ser levantado.


Duas esquinas: a primeira, com a Rua Almirante Gomes Pereira, onde pode-se ver uma bela residência em estilo suíço; a segunda, com a Avenida João Luis Alves, que tem uma vista já bastante autoexplicativa

O verdadeiro estereótipo das ruas na zona sul do Rio é formado por um mar de prédios com um fluxo intenso de veículos para lá e para cá. Na Rua Roquete Pinto a tranquilidade é tanta que pode-se caminhar até mesmo pelo meio da via, de ponta a ponta. Isso facilita a vida (e a infância saudável) das crianças, que não precisam brincar trancafiadas em um play, como aconteceria no bairro vizinho, Botafogo. Na Urca, brinca-se na rua. Bicicletas são bem comuns, tenha o ciclista dez ou cinquenta anos.

É importante dizer que a Rua Roquete Pinto, apesar da beleza rústica, tem um aspecto meio decadente também, mas que não chega nem um pouco a ser chocante. Funciona mais como uma prova de que o lugar é conservado, no sentido de não ter sofrido grandes interferências, tão comuns aos grandes centros. Nesse contexto que as memórias de “A gata comeu” ficam ainda mais realçadas… 1985 poderia ser hoje e não veríamos grande diferença.


A Praça Raul Guedes, com o edifício Uyrapurú ao fundo, é ponto de encontro de babás e crianças durante as manhãs. Ao lado, um exemplo de como todas as casas têm um detalhe em especial que as torna ainda mais bonitas.


Embelezada pelo edifício Uyrapurú, vê-se a Praça Raul Guedes que, nas manhãs, vira ponto de encontro de babás e crianças. O parquinho parece ser bem aproveitado e respeitado, já que o número de usuários é bem restrito aos moradores do entorno. A mesma praça é rodeada por casas também muito simpáticas. Se não estão bem conservadas como um todo, pelo menos em algum detalhe se destacam, seja por um pequeno vaso de flores na janela ou por algum outro tipo de arte.

A visão para o Pão de Açúcar e os cabos que transportam os bondinhos é bem exclusiva quando se caminha pela Rua Roquete Pinto. Cenário mais ou menos parecido poderá ser visto na zona norte, mais especificamente no bairro do Grajaú, dono de uma rocha bem grande e charmosa, o Pico do Papagaio. Definitivamente a natureza é o maior dos atrativos do Rio de Janeiro. Sem ela seríamos apenas mais uma cidade, e não “a” cidade que encanta tantos nativos e estrangeiros. Orgulho!

Diria que o trecho final da Rua Roquete Pinto é o mais bonito e florido, ali entre as ruas Cândido Gafrée e Manuel Niobei. Flores brotam inesperadamente pelos longos galhos das árvores, enquanto casas lindíssimas despertam a inveja do pedestre, que está só de passagem, e não de entrada. A tranquilidade é, mais uma vez, letal de tão boa e positiva. A certeza que a gente tem quando se sai dali é a de que, sim, o Rio tem seu próprio paraíso.


O último trecho da Rua Roquete Pinto: uma das residências, e o encontro dela com a Rua Manuel Niobei

Vou colocar mais fotos da Rua Roquete Pinto na página do As Ruas do Rio no Facebook. Curte lá para ver!

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