Dez cliques das ruas do Rio em 2011

31 dezembro 2011 | 3 comentários

Adeus ano velho, feliz ano novo.

Aí vai uma retrospectiva das ruas retratadas por aqui nesse ano que acaba hoje!


 

 

 

24/01/11. A Rua Araguaia se firma como um dos vetores do crescimento imobiliário na zona oeste do Rio. São mais e mais condomínios voltados para a classe média e média-alta. Os terrenos estão muito valorizados. Freguesia (Jacarepaguá), zona oeste.

Releia a publicação: Araguaia.

 

 

 

03/03/11. A leitura do livro “500 anos de subúrbio carioca” me forneceu um bom material para explorar as ruas de Marechal Hermes com outros olhos. O bairro, idealizado para moradias populares em 1910, tem casas padronizadas e um bulevar no estilo francês. Marechal Hermes, zona norte.

Releia a publicação: Marechal Hermes na contemporaneidade (partes 1 e 2).

  

  

  

 

23/03/11. Em um dos recantos mais agradáveis da zona sul, as calçadas da Rua General Glicério são quase uma passarela de jardins enormes, imponentes e bem cuidados. Sem falar nos prédios daqueles tempos áureos. Não é à toa que ali é chamado de Jardim Laranjeiras. Laranjeiras, zona sul.

Releia a publicação: “(…) o bairro das Laranjeiras, satisfeito, sorri…” .

 

 

 

18/04/11. Domingo de sol, meados do outono, dezenas de cariocas desembarcam na estação de trem de São Cristóvão para um dia de lazer na Quinta da Boa Vista. Muitas crianças, piqueniques, bicicletas e formigas. São Cristóvão, zona norte.

Releia a publicação: À beira da Quinta.

 

 

 

 

14/06/11. Subi a Rua Engenheiro Marques Porto, no Humaitá, descendo a Bogari, chegando à Fonte da Saudade. Esse conjuntinho de ruas dá um clima bem interiorano ao bairro da Lagoa. Eis o post de inauguração do As Ruas do Rio no site da Veja Rio! Humaitá e Lagoa, zona sul.

Releia a publicação: Humaitá? Lagoa? Onde estou??.

 

 

 

 

 

22/06/11. O atardecer em um dos pontos mais empresariais do Centro da cidade pode ser mais poético do que parece, em meio a um vai-e-vém de pessoas e ônibus lotados. Centro do Rio.

Releia a publicação: Centro do Rio, 17 horas e 30 minutos.

 

 

 

 

05/08/11. O edifício Ipú, essa beleza da imagem ao lado, é apenas mais uma das joias arquitetônicas pertencentes à tradicional Rua do Russel e à Praça Luiz de Camões. É lá onde está o Hotel Glória, atualmente em reforma. Glória, zona sul.

Releia a publicação: Tempos de Glória.

 

 

 

 

23/08/11. Imortalizado por Lima Barreto, o bairro de Todos os Santos recebeu minha visita no final de agosto, por onde passeei pela Rua José Bonifácio. Lá é um misto de casas bem das antigas convivendo com modernos condomínios residenciais. Uma remodelação paisagística do subúrbio de classe média. Todos os Santos, zona norte.

Releia a publicação: Todos os Santos.

 

 

27/10/11. Por vezes é quase incompreensível o ponto a que o preço dos imóveis em Ipanema alcançou em 2011. Também, pudera, é lá onde estão as ruas mais charmosas da cidade. Percorri a Rua Aníbal de Mendonça de ponta a ponta. Agora você vai entender porque R$ 1 milhão é pouco… Ipanema, zona sul.

Releia a publicação: Aníbal.

 

 

 

21/11/11. A Praça Afonso Vizeu, colada à entrada da Floresta da Tijuca, mostrou ser um belo local de passeio dominical. Além do parquinho para as crianças, tem um restaurante para os adultos ( o tradicional Bar da Pracinha) e o chafariz de Grandjean de Montigny. Alto da Boa Vista, zona norte.

Releia a publicação: É alto, tem boa vista e faz jus ao nome.

 

 

 

Recebam meus melhores votos para 2012!

Até logo…

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Avenida Rio Branco e o primeiro dia de BRS

30 dezembro 2011 | 2 comentários

No primeiro dia do Bus Rapid Service da Rio Branco, quem saiu ganhando… foram os carros, não os ônibus

 

Avenida Rio Branco com Rua Araújo Porto Alegre, que também recebeu faixa para o BRS: redução de linhas implementada ainda não é o suficiente.

 

De pouquinho em pouquinho as principais avenidas do Rio irão se reorganizando. Após a bem-sucedida abertura do BRS em Copacabana, Ipanema e Leblon, agora foi a vez do Centro em receber a faixa exclusiva para ônibus. Na semana passada, inauguraram a da Rua Primeiro de Março; hoje, a da Avenida Rio Branco, entre a Presidente Vargas e a Beira-Mar, incluindo a Rua Araújo Porto Alegre.

Apesar da retirada de 65 linhas de ônibus que trafegavam diariamente pela Rio Branco, o trânsito esteve  confuso na manhã de hoje por lá. Diferentemente de Copacabana, onde a faixa para veículos particulares é a que ficou sobrecarregada, na Rio Branco foi justamente o lado do BRS que “penou”. Muitos ônibus não conseguiram encostar nos seus respectivos pontos para embarque e desembarque de passageiros, tumultuando ainda mais a inauguração do BRS, ainda não muito bem aceita pelo carioca.

A grande questão do Centro e principalmente da Avenida Rio Branco é que são MUITOS ônibus. Demais. Se na Nossa Senhora de Copacabana houve um temor em reorganizar o trânsito, devido à quantidade exagerada no número de linhas, na Rio Branco será mais complicado ainda. O Centro recebe coletivos de todos os bairros do Rio, incluindo os da região metropolitana, que não são poucos – muito mais do que a Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Como fazer para que todos caibam na Rio Branco? Tarefa para mágico, mesmo com a redução, que está mostrando-se insuficiente.

Vale lembrar também que, em um ponto, devemos perdoar a dificuldade de fluidez do trânsito do Rio, que é a geografia da cidade. Espremido entre a Baía de Guanabara e colinas, o Centro não tem muitas opções de ruas e avenidas que escoem os veículos de maneira mais radial. Ora seguem fluxos únicos, como a Rio Branco, ora são estreitas demais até para o cruzamento de uma motocicleta.

Como sempre, a solução é investimento em transporte subterrâneo, não tem jeito, para toda a cidade e fora dela. E mais linhas de metrô em funcionamento no Centro, que se cruzem. Só nos resta aguardar e torcer para que um mínimo de problemas seja melhorado. Tomara!

O  horário de funcionamento do corredor da Rio Branco será das 6h às 21h, nos dias úteis; das 6h às 14h, aos sábados, não funcionando nos domingos e feriados

 

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Pelas streets da Barra

23 dezembro 2011 | 6 comentários

A incrível arte de ser pedestre no bairro mais americanizado do Rio

“Essa taxa precisa ser paga no HSBC.
A agência mais próxima é a do Barra Shopping.
Uns dez, quinze minutos de caminhada”.

Eu tinha esquecido de pagar uma das taxas para o visto no escritório do despachante oficial do consulado canadense. O aviso da simpática funcionária de lá deixou-me levemente atordoado. Não pelo fato de ter de desembolsar mais uma grana, mas sim porque eu sou pedestre e estava na Barra da Tijuca. E não era no Jardim Oceânico, onde tudo se pode fazer a pé. Era a Avenida das Américas. Fim da primavera, início do verão.

Fazer o quê? Só me resta andar até lá, e rápido, porque depois eu vou ter de voltar para entregar o comprovamente de pagamento. Não ocorreu-me em nenhum momento tomar um ônibus. Do número 3500, minha localização, já conseguia avistar o grande centro comercial, ofuscado por letreiros do Wal Mart e do futuro Village Mall. Assim, em inglês mesmo, o nome do novo shopping voltado para a classe AAA no Rio prestes a inaugurar.

Desafiei esse bairro automobilizado e fui a pé. Fiz pouco caso do calor e das distâncias geográficas. Falei para mim mesmo “que eu podia”. Se caminho tranquilamente da Praia de Botafogo até o Humaitá, e do Maracanã até a Praça Saens Peña, qual o problema em percorrer, no máximo, three blocks na Barra?

A Barra é barra pesada para pedestres na Avenida das Américas. O visual moderno que os motoristas tem das janelas dos seus carros climatizados destoa totalmente da minha perspectiva enquanto andarilho. Sem árvores nas calçadas, de tamanho desproporcional em relação à grandiosidade da highway citada, a sensação é a de estar sozinho no mundo. No verão, a de um camelo no deserto. Veículos de todos os portes ultrapassam você sem cerimônia, sem cumplicidade. Só não vão mais rápido porque o traffic da Barra anda mais slow do que nunca. Mas ainda é possível ter a sorte de encontrar um ou outro mortal perdido por ali, tão ensopado quanto você.

Caminhar na Avenida das Américas pode equivaler também à diminuição da expectativa de vida. Engole-se fumaça e poeira sem querer querendo, como diria o Chavo del Ocho. Sem falar no risco em atravessar uma de suas esquinas. Numa delas, quase alcançando o parking lot do Barra Shopping, não há semáforo. O ângulo da rua, aliás, já é todo preparado para facilitar a manutenção da velocidade dos veículos ao cair para a direita. Arrisque-se e tente a sorte. Do outro lado, pelo menos, tem um guardinha com apito orquestrando a nossa locomoção. Sim, a nossa. Não a deles. Laughs.

OK, cheguei ao Barra Shopping. E agora, cadê o HSBC? Pausa para digressão: o Barra Shopping é um dos meus shoppings preferidos aqui no Rio pelo seu tamanho e variability comercial. Encontram-se desde as lojas mais populares até as mais sofisticadas, e um sem fim de salas de cinema. É quase uma cidade, deveria ganhar um título de região administrativa independente à da Barra. Até uma espécie de metrô suspenso circulava por lá na década de 90, quem lembra disso? Pois bem, o gigantismo daquele lugar, sua principal qualidade, pode ser também um defeito dos brabos. Como encontrar um HSBC em meio a esse mar de lojas com tempo tão exíguo???

Ask for information é sempre a melhor opção, em qualquer lugar. Porém, diante da quantidade de corredores, escadas, níveis e conexões do Barra Shopping, as coordenadas podem ser inúteis. O jeito é sair à procura. Glorioso que sou, encontrei: fica próximo às Lojas Americanas, ao lado de uma das saídas para o estacionamento – anota a referência! Meu encontro com o HSBC só não foi cem por cento perfeito porque eu tinha esquecido de sacar dinheiro, isso depois de já ter pego a senha para atendimento. Banco do Brasil, where are you? Mas isso aí já não foi culpa da dimensionalidade da Barra, e sim minha. Deixa pra lá.

Resolvi meus problemas e voltei ao Edifício Londres, a pé de novo, enfrentando os mesmos perrengues e sacrifícios da primeira viagem. Tratando-se de que era hora do almoço, por incrível que pareça eu acabei voltando ao Barra Shopping para comer alguma coisa. Pela Avenida das Américas, no meu lado da calçada, só havia a pizzaria Mamma Jamma, original do Jardim Botânico, e às moscas.

Gosto de grandes emoções. Precisava me bronzear também, afinal, não vou à praia há um bom tempo. E desde que comecei a trabalhar, quase não passeio mais pela Barra. Let’s do it now!

Nesse segundo tempo, eu me embrenhei para os lados do New York City Center. Relembrei todos meus últimos momentos na cidade de mesmo nome, com a estátua da liberdade e a cadeia de restaurantes Applebee’s. Contudo, o momento mais divertido mesmo foi na volta para casa, na pista sentido zona sul da Avenida das Américas. Na esquina da Rua Zoila de Abreu Teixeira, uma placa de trânsito, inusitada, sinaliza: Union Church, à direita.

E ainda dizem que a Barra da Tijuca é um bairro sem identidade.
—-

Feliz natal, pessoal!

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Quebrando preconceitos com o Rio Comprido

19 dezembro 2011 | 2 comentários

Com fama de abandonado, bairro mostra que ainda tem lugares aprazíveis, como a Rua Japeri



A Rua Japeri, no Rio Comprido, ainda conserva um pouco do caráter agradável do bairro, duramente afetado pela violência e favelização

Em Girândola de Amores, romance de Aluísio Azevedo, a personagem Olímpia morava com seu pai, o Comendador Ferreira, em um belo palacete próximo à Praia de Botafogo, na segunda metade do século XIX. Após um casamento mal sucedido, Olímpia adoece, preocupando o pai, disposto a arcar com os custos de todas as necessidades e caprichos da jovem moça. Por ordens médicas, a enferma deve respirar novos ares, com passeios que distraiam a alma. A filha exige que o pai a leve para a sofisticada Avenida Estrela, no arrabalde do Rio Comprido. Lá funciona uma espécie de hotel, comandado por um francês, um ambiente perfeito para descansar, rodeado pelo verde dos morros, que, em suas matas, conta ainda com uma gruta misteriosa, que não me cabe explicá-la nesse momento.

Diferente dos românticos, Aluísio Azevedo tempera suas narrativas com boas doses de realidade ao descrever personagens e lugares por onde passam. O bairro do Rio Comprido, um dos cenários de Girândola de Amores, é nivelado à Botafogo como bairro de boas famílias, rico em arquitetura, com o adicional da natureza estonteante.

Casa em rosa e pedra: conforto

Voltando à nossa realidade, o ano de 2011 (quase 2012, feliz ano novo!), já não se pode dizer o mesmo do Rio Comprido. Afetado pela favelização e pela degradação do seu espaço urbano, após a abertura do Túnel Rebouças, na década de 1960, a região virou mais zona de passagem do que propriamente lugar atrativo para moradia. Para os não tão acostumados com o bairro, a escuridão empoeirada da Avenida Paulo de Frontin é um convite a não explorá-lo a pé. O mesmo acontece com a Rua Itapiru, na fronteira com o Catumbi, que exala um pouco de insegurança, mesmo depois da pacificação das comunidades do entorno.

O pensamento e ideia mais recorrente para todo carioca sem vínculos com o Rio Comprido é: o bairro não tem nada de bom. Nada restou.

Edifício, quase uma exceção na Japeri

Equivocam-se os tais. Uma vez, percorrendo a Paulo de Frontin a pé, para fotografar alguns dos palacetes e sobrados em estados lastimáveis que ainda estão de pé pela avenida, adentrei a Rua Sampaio Viana. De cara, é uma das partes menos depredadas do Rio Comprido, pois conta com muitos edifícios residenciais de classe média em melhor estado de manutenção. Há outros mais velhinhos, glamorosos em seu nascimento, mas meio pancados hoje. Descaracterização dos acessórios originais é uma atitude pecaminosa ante os prédios antigos do Rio.

Em direção à Rua do Bispo, a Sampaio Viana é cortada por algumas ruas pequenas, estritamente residenciais. Entrei numa delas, à direita. Estava sem pressa – queria mais era desbravar esse bairro que, por muitos anos, forçava-me a evitá-lo.

Japeri é o nome da rua. Ela tem o desenho de uma reta torta, contínua, sem cruzamentos, que termina na Rua Barão de Itapagipe. A primeira impressão para aquele lugar era “Uau, uma rua assim no Rio Comprido!“. Ainda estava dominado pelos pré-conceitos de bairro abandonado. Esse logradouro é um passeio de casas residenciais, frutos de projetos bem cuidados, e que, para a alegria da nação, a grande maioria está em ótimo estado de manutenção. Têm cara de residências com vida, habitáveis, e serei sincero: são muito atrativas. Bom, eu particularmente acho um barato essas casas dos anos 40 e 50. Elas têm um desenho todo interessante e sofisticado, com detalhes sutis que oferecem à casa uma considerável imponência.

O desenho das casas na Rua Japeri tem um ar elegante e vintage

 

Outras casas têm um estilo mais parecido com aquelas típicas do Grajaú, que são espaçosas e bem divididas, mas, ao mesmo tempo, compactas. Área livre para garagem, um certo ajardinado, elementos de pedra. Alguns poucos edifícios que estão pela Rua Japeri também são antigos e charmosos. Todos sem garagem. O Irene, logo na esquina com a Sampaio Viana, foi muito descaracterizado, embora ainda seja notável a sua distinção. Pelo menos nos primórdios. Meu conhecimento específico em arquitetura é pouco, o que nao me permite ir além nos comentários. Fiquemos apenas com as impressões pessoais.

As árvores, já muito antigas (um vídeo de 2008, no Youtube, denuncia o impressionante tamanho de uma raíz), apresentavam flores, formando uma bela e aprazível alameda. Alinhado a isso, na manhã em que estive lá, o movimento era bem família, com muitas crianças, e a vizinhança mostrou-se simpática. Barulho, só mesmo o das obras de um grande condomínio em construção no terreno de trás. Ou então das freadas dos ônibus na Paulo de Frontin. Sons, esses, abafados por um ou outro passarinho que, de galho em galho, ainda pia musicalmente sem nem ter ideia da quantidade de coisas que nós, criaturas humanas, nos preocupamos, criticamos, taxamos, exigimos de uma rua ou bairro para que seja perfeito. O Rio Comprido pode não estar lá essas coisas, mas a Rua Japeri é uma joinha.

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Sinal verde para os jardins do Aterro

15 dezembro 2011 | 4 comentários

Na falta de espaço físico para o estacionamento de carros na Marina da Glória, a única opção é acomodar os veículos excedentes sobre… os jardins do Aterro


Reportagem de O Globo mostra a depredação do Aterro do Flamengo com o estacionamento irregular de carros do Cirque du Soleil. Valor das vagas pela empresa contratada varia de R$ 10 a R$ 100.

 

Que os parques públicos da cidade são pouco usados pelos cariocas, isso todo mundo sabe, mas que eles estavam recebendo outra finalidade além do lazer, é novidade. Para quem passa pela Avenida Infante Dom Henrique, a autopista que margeia o Aterro do Flamengo, um dos maiores cartões postais do Rio, o panorama continua igual, sem muitas alterações. É bonito de sufocar. No entanto, quem tem a oportunidade de adentrar o parque, sabe que ele é desrespeitado constantemente pelo público que o frequenta, com lixos pelas alamedas, cocô de cachorro, depredação do mobiliário público, entre outros etceteras. A novidade, agora, é que ele também está sendo aproveitado – e depredado – para fins comerciais.

Em cartaz no Rio desde semana passada, o prestigiado Cirque du Soleil está se apresentando na Marina da Glória, e, para atender a demanda normal de veículos dos espectadores, precisa-se de um estacionamento. Contratada para cuidar desses detalhes, a empresa GE Park está utilizando uma área destinada a piqueniques no Parque do Flamengo para comportar os carros que chegam à Marina. Eles ficam estacionados sobre o gramado, com vagas demarcadas por cavaletes e faixas improvisadas. Fizeram até uma trilha, para que os automóveis circulassem melhor. Mais mambembe, impossível.

De acordo com O Globo (15/12/11), está havendo dificuldade em identificar os responsáveis que deveriam fiscalizar tais irregularidades. Nesse conflito está a Subprefeitura da Zona Sul 2 e a Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop), que já transferiram a bola para a Subsecretaria Municipal de Patrimônio Público e para a Riotur, visto que a Marina é de propriedade particular. A partir daí, já temos também o apontamento da organizadora do evento, a Time For Fun, que repassa a culpa para a GE Park, pois ela quem teria a responsabilidade pelo controle e localização das vagas. O Iphan interveio. Parece aquele jogo da batata quente, de quando eu criança, que um vai passando para o outro a “batata”, à medida em que esquenta. Afinal, a quem culpar?

Só nos resta lamentar que um parque lindíssimo como o do Flamengo seja tão mal aproveitado e pouco fiscalizado. Tem potencial  para ser um dos mais bonitos do mundo (se já não o é) e, em contrapartida, fica entregue à esculhambação, com as minhas desculpas pela vulgaridade da palavra. Salve Burle Marx. Salve Reidy.

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