Um Pai (Puzzle)

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Resenha por Rafael Teixeira

Escrito de um jorro, em apenas uma noite, Um Pai (Puzzle), livro que dá nome à peça é um caldo de memórias da relação entre a autora, Sibylle Lacan (1940-2013), e seu pai, o psicanalista Jacques Lacan (1901-1981). As reconhecidas contribuições dele em seu campo profissional, no entanto, passam longe deste monólogo — e não vai aqui nenhum demérito. O que está em jogo são questões mais íntimas. Apropriadamente como em uma sessão de análise, Ana Beatriz Nogueira, em atuação exuberante, dá voz a Sibylle em uma comovente exposição de lembranças algo desencantadas. Filha enjeitada pelo pai, ela convivia com o ressentimento profundo, que não escondia a mais devotada necessidade de aprovação, como bem mostra o texto, adaptado de maneira fluida por Evaldo Mocarzel. Ao público, não cabe apenas o papel de voyeur: ao contrário, nas particularidades da relação entre Sibylle e Lacan evocam-se diversas camadas de reflexão que podem servir a qualquer pessoa, notadamente sobre como a nossa identidade se constitui em relação ao outro. Sensível, a direção de Guilherme Leme Garcia e Vera Holtz investe no protagonismo conjunto da atriz e do texto, perceptível no sofisticado despojamento do cenário negro de Marcelo Lipiani, iluminado por Maneco Quinderé com a competência habitual. Ana Beatriz confirma seu reconhecido talento em uma performance cheia de sutilezas, na qual entrega todas as nuances de Sibylle — da mágoa à alegria, da raiva ao humor, emocionando genuinamente a plateia sem resvalar no dramalhão.

Ficha técnica

Direção: Vera Holtz e Guilherme Leme

Duração: 60 minutos

Recomendação: 14 anos

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