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Resenha por Rafael Teixeira

Surdo de nascença, Billy (Bruno Fagundes) superou amplamente suas limitações com o amparo da família, toda ela de ouvintes: dono de um enorme traquejo na leitura labial, o rapaz também fala, garantindo a comunicação. Isso não esconde, porém, a frágil estabilidade por trás do convívio entre os integrantes desse idiossincrático núcleo familiar. O patriarca Christopher (Antonio Fagundes, pai de Bruno na vida real, bisa com ele a parceria do drama Vermelho, de 2012) é um crítico acadêmico de língua mordaz, frequentemente confrontado pela mulher, a escritora tardia Beth (Eliete Cigaarini). Os irmãos são dois fracassados: Daniel (Guilherme Magon) escreve uma tese sobre linguagem que não consegue terminar, enquanto Ruth (Maíra Dvorek) canta ópera em pubs. Todos, como se vê, esbarram em dissonâncias entre a capacidade de se comunicar e a dificuldade real de fazê-lo. Esse quadro será posto à prova quando Billy se apaixonar por Silvia (Arieta Corrêa), garota que começa a ensurdecer depois de adulta. A direção de Ulysses Cruz equilibra o humor (por vezes perverso) e a densidade do texto da inglesa Nina Raine. Na boa condução dos atores, o diretor felizmente resiste à tentação de empurrar um protagonismo indevido a Antonio Fagundes. Ainda assim, o ator brilha, acompanhado por um elenco entrosado — destaque para Bruno e sua composição notavelmente estudada para um personagem tecnicamente exigente e Arieta, dominando as sutilezas de uma figura meio fora de lugar.

Ficha técnica

Duração: 80 minutos

Recomendação: 14 anos

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