Salina (A Última Vértebra)

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Resenha por Rafael Teixeira

Ainda jovem, Salina (Ariane Hime) tem seu destino irremediavelmente atrelado ao do guerreiro Saro Djimba (André Lemos), filho mais velho de uma importante família, a quem deverá se unir em um casamento arranjado. Seu coração, no entanto, pertence ao caçula do clã, Kano (Thiago Catarino), mas o ímpeto de trilhar caminhos próprios se revelará vão: ela será desposada à força, terá um filho que vai odiar do fundo de sua alma e será, por fim, banida da cidade, após deixar o marido moribundo sem socorro. De sua humilhação nascerá um desejo profundo de vingança. Escrito pelo francês Laurent Gaudé, esse drama pungente, com tintas de tragédia, mergulha em uma África ancestral (e imaginária) na qual se desenrola a trama. Na montagem da companhia Amok Teatro, dirigida com enorme apuro por Ana Teixeira e Stéphane Brodt, o continente é evocado em tudo — da rusticidade do cenário ao desenho e colorido dos figurinos, das danças coreografadas à trilha sonora executada ao vivo por Fábio Simões Soares. Como acontece no melhor teatro, no entanto, transcende-se a geografia para refletir sobre toda a humanidade. Demonstrando coragem diante da sensação de eterna urgência que se tornou marca do nosso tempo, a direção reforça a aura ritualizada nesse verdadeiro tour de force de quase quatro horas, recompensador em cada minuto. Absolutamente imbuído de seus personagens, com um notável trabalho de corpo e voz, o elenco (formado ainda por Luciana Lopes, Sergio Ricardo Loureiro, Tatiana Tibúrcio, Graciana Valladares, Sol Miranda, Reinaldo Junior e Robson Freire) exibe méritos individuais, mas há que destacar sua extraordinária força em conjunto. Estreou em 26/2/2015. Até 29/3/2015.

Ficha técnica

Direção: Ana Teixeira e Stéphane Brodt

Duração: 180 minutos

Recomendação: 12 anos

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