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Resenha por Rafael Teixeira

Em 1936, o filósofo alemão Walter Benjamin escreveu um texto sobre o empobrecimento do ato de se contar histórias. A partir dessa obra, Diogo Liberano concebeu, de certa forma, uma subversão que reafirma a força da narração em sua plenitude. Apropriadamente, o próprio Liberano classifica a encenação não como uma peça, mas uma performance. Não há personagens ou enredo no sentido habitual dos termos. Sozinho em cena, ele literalmente lê um texto de sua autoria, no qual costura com apuro lembranças, trocas de cartas e poemas, compartilhando com a plateia experiências reais ligadas à morte de parentes e, mais detidamente, de uma amiga. Nada é por acaso: as roupas comuns que Liberano veste, o despojamento absoluto do palco, o ato de ir se desfazendo das folhas de papel à medida em que são lidas e até a presença enigmática de um boneco de pelúcia de Bisonho, o asno da turma do Ursinho Pooh, tudo tem sentido (ainda que por vezes metafórico) dentro do que é narrado. Verdadeiramente entregue, por vezes chegando às lágrimas, mas dominando a leitura com enorme traquejo, Liberano transcende a particularidade de sua própria história ao tratar, sem ranço de aridez intelectual, um tema universal — a morte. Assim, suscita reflexões e estabelece uma conexão genuína, tocante e poderosa com o espectador.

Ficha técnica

Duração: 50 minutos

Recomendação: 16 anos

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