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Resenha por Rafael Teixeira

Alçado ao trono da Baviera com menos de 20 anos, Ludwig II (1845-1886) logo passaria a ser pressionado a conceber um herdeiro. Em 1867, ele anunciou o noivado com a duquesa Sophie Charlotte, sua prima, mas a união jamais seria consumada: naquele mesmo ano, após vários adiamentos, o noivo cancelou a cerimônia. Segundo documentos, o rei viveu acossado por desejos homossexuais que tentava reprimir. Especula-se que, entre os muitos amigos íntimos cultivados pelo monarca, o chefe de cavalaria Richard Horing tenha sido seu grande amor. Essa faceta de sua vida é enfocada pela Artesanal Cia de Teatro no drama Ludwig/2. Desenvolvido pela trupe durante uma residência artística em Munique, o drama de Gustavo Bicalho ganhou encenação binacional, com longos trechos em alemão, compreendidos por meio de legenda, e um ator de lá — Andreas Mayer, no papel de Horing, divide a cena com Manoel Madeira (o rei) e Suzana Castelo (a noiva). A direção a seis mãos, do autor com Henrique Gonçalves e Daniel Belquer, conduz a montagem com tintas modernizantes. Ludwig e Horing se conhecem em uma boate, por exemplo. O diálogo com o contemporâneo é notável ainda no cenário minimalista, nos figurinos estilizados, na trilha que mescla rock com versões eletrônicas da obra de Richard Wagner (de quem Ludwig foi admirador) e nos recursos de vídeo. No elenco, Madeira traduz com intensidade hiperbólica a angústia do rei, Suzana se mantém discreta e Mayer alcança com mais êxito as modulações de seu personagem.

Ficha técnica

Duração: 75 minutos

Recomendação: 16 anos

Locais e horários

Até 19 de dezembro

  • Teatro Ipanema

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