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Resenha por Rafael Teixeira

Emergem da infância e da adolescência de Paulo Betti no interior de São Paulo, tempo humilde em que ele nem sonhava em inscrever seu nome no rol dos grandes atores do país, as histórias que servem de base para este encantador monólogo. Sem preocupação com a linearidade, os episódios revividos por ele em cena, na maioria compilados em cadernos pessoais de anotações, vão sendo desfiados como em uma conversa informal — que em nenhum momento obscurece o lirismo da montagem. Do modo como a avó matava porcos até os dramáticos surtos de esquizofrenia do pai, das diversões de criança com brinquedos antigos ao contato inicial com o rádio, da descoberta dos catecismos de Carlos Zéfiro à primeira visão do mar, de tudo um pouco é narrado nas duas horas de sessão que, na direção cadenciada do próprio Betti ao lado de Rafael Ponzi, passam voando. A belíssima cenografia de Mana Bernardes, emoldurada pela feliz iluminação de Dani Sanchez e Luiz Paulo Neném, evoca a ideia de memória em papéis amassados que remetem às folhas dos cadernos do ator, além de objetos repletos de carga simbólica. Senhor do palco, Betti usa seu vasto e reconhecido domínio técnico da arte da interpretação a serviço da simplicidade e da afetividade.

Ficha técnica

Duração: 90 minutos

Recomendação: 12 anos

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