Adorável Garoto

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Resenha por Rafael Teixeira

Depois de alguns anos morando sozinho, Isaac (Michel Blois) abandonao emprego de professor e volta à casa dos pais, o casal em crise Harry (Leonardo Franco) e Nan (Isabel Cavalcanti), clamando por abrigo. Como se verá, o rapaz está terrivelmente encrencado — não convém revelar o motivo, mas, comparadas com seu problema, as escapulidas do pai com a amante, Delia (Raquel Rocha), parecem brincadeira de criança, de tão inocentes. Encenada pela primeira vez há dez anos, no circuitooff-Broadway, a tragicomédia Adorável Garoto, do cultuado Nicky Silver (autor de Pterodátilos) é um perturbador estudo sobre a incomunicabilidade. Em vários momentos do texto, o que há é apenas um simulacro de diálogo, no qual os personagens parecem simplesmente não se ouvir. Em monólogos esparsos ou em conversas com a doutora Elizabeth Hilton (Mabel Cezar), intrigante psicóloga que atendeu Isaac quando criança, eles se expõem mais abertamente. Como é de esperar em Silver, estão lá os personagens disfuncionais, as relações familiares esfaceladas, o humor afiadíssimo e certa aura de realismo absurdo, essa última escancarada no chocante desfecho. A diretora Maria Maya, estreando na função que consagrou seus pais, Wolf Maya e Cininha de Paula, demonstra segurança tanto nas marcações (no interior e em volta da casa transparente concebida pelo cenógrafo Ronald Teixeira) quanto na condução dos atores. No elenco sólido de coadjuvantes destaca-se Isabel, aproveitando com gosto o temperamento descontrolado de Nan, sem cair na estridência. Em composição minuciosa de voz e corpo, Blois entrega uma atuação comovente.

Ficha técnica

Duração: 90 minutos

Recomendação: 16 anos

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