A Floresta que Anda

Tipos de Gêneros dramáticos: Drama
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Resenha por Rafael Teixeira

Em 2011, Christiane Jatahy mesclou interpretação ao vivo e cenas pré-gravadas em Julia, adaptação do clássico Senhorita Julia, de August Strindberg. No ano passado, deu um passo adiante com E Se Elas Fossem para Moscou?, montagem baseada em As Três Irmãs, de Anton Tchecov, na qual os integrantes do elenco filmavam a si próprios em plena atuação, dando origem a um filme editado e exibido em tempo real em uma sala contígua à da encenação. Agora, ela radicaliza a investigação dos limites entre teatro e cinema neste instigante trabalho, livremente inspirado em Macbeth, de William Shakespeare. Não se trata, fica avisado, de uma montagem da tragédia nem mesmo de uma adaptação convencional: aqui, a plateia se vê imersa em uma experiência mais aparentada da performance, com múltiplas evocações da peça. Ao entrar na sala, o espectador depara com uma espécie de vernissage de uma mostra de vídeos documentais — quatro ao todo, produzidos pela diretora e tendo como personagens figuras envolvidas em situações de opressão. No balcão de um bar de verdade, instalado no fim do salão, está Julia Bernat, a única atriz em cena, sugerindo uma misteriosa presença de Lady Macbeth. Avançar muito além dessas informações é correr o risco de esvaziar o impacto surpreendente da experiência, mas aconselha-se entrar no jogo de cabeça aberta e sentidos ligados para tudo o que (até quase imperceptivelmente) acontece ao longo da sessão. De todo modo, não seria demais dizer que, desta feita, Christiane borra de vez as fronteiras não somente entre as artes cênicas e audiovisuais, mas entre os atores e o público, e ainda entre ficção e realidade. De quebra, entrega uma poética reflexão a respeito da perversidade dos sistemas de poder, demonstrando toda a atualidade do clássico shakespeariano

    info
  • Duração: 50 minutos
  • Recomendação: 18 anos
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